BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Utentes de Lordelo sem médico de família passam noites em frente ao centro de saúde


“Acampar” às 11 da noite para ter uma consulta uma semana depois

Todas as quintas-feiras o ritual repete-se. Dezenas de utentes da cidade de Lordelo, no concelho de Paredes, passam a noite em frente à porta do centro de saúde para conseguir marcar uma consulta para a semana seguinte. As primeiras pessoas sem médico de família chegam pouco após as 23h00 e, às 4h30 da madrugada, já estão ocupadas mais de 20 das 40 vagas anunciadas numa folha de papel afixada no vidro. Perante a necessidade dos utentes, há quem passe a noite ao relento para, pela manhã, vender a sua vaga a cinco euros, mas quem não tem dinheiro para desperdiçar é obrigado a enfrentar o frio da madrugada e, a seguir, trabalhar mais de oito horas numa serração.
Os mais azarados podem ainda ver uma espera de nove horas resultar… em nada. Basta que o médico falte no dia para o qual a consulta seja marcada. Nestes casos, o ritual repete-se na quinta-feira seguinte.




"Isto não tem nada a ver com Lisboa"
Maria Manuela Milheiro, 35 anos, foi a primeira a chegar. Eram 23h15 de quinta-feira da semana passada quando se sentou no pequeno banco de pedra colocado em frente à porta do centro de saúde de Lordelo. "O médico mandou-me fazer uns exames e eu vim mostrá-los", explicou.
Natural de Lisboa, rumou a Lordelo há cerca de um ano e, desde essa data, que não tem médico de família atribuído, o que a obriga a ter de socorrer-se do clínico de recurso. "Há duas semanas também vim a esta hora para ter uma consulta marcada para a sexta-feira da semana seguinte. Isto não tem nada a ver com Lisboa. Lá, quando precisava, tinha consulta no mesmo dia", comparou.
Alzira Nunes Ferreira foi a companhia de Maria durante as primeiras horas de espera. Com 53 anos, 22 dos quais passados como viúva, esta empregada de um restaurante de Paços de Ferreira está de baixa médica depois de ter sido operada a um ombro, mas não foi por causa da sua doença que se apresentou no centro de saúde às 23h30. "A minha neta nasceu no dia 9 de Novembro e nunca teve uma consulta neste centro de saúde. A mãe não tem médico de família e a minha médica e do meu filho disse que já tinha muita gente e não podia ficar com ela", contou.
Como foi uma das primeiras utentes a chegar, Alzira Nunes Ferreira aproveitou para ocupar logo três das 40 vagas anunciadas numa folha de papel colocada na porta da unidade de Lordelo. "Vou marcar uma consulta para mim e outra para o meu cunhado. Quem não tiver médico tem de vir cedo para ter uma consulta", justificou.


Obrigada a deixar filhos a dormir sozinhos
As duas mulheres confirmam que a acumulação de pessoas, em frente ao centro de saúde, durante a noite de quinta para sexta-feira é já um ritual em Lordelo. Dizem também que muitas chegam a levar cobertores e almofadas para dormir durante a longa espera. "Até há quem venha para aqui guardar vez e depois venda a sua vaga a cinco euros", denunciou Alzira.
O barulho provocado pelas conversas que se vão mantendo entre todos até às 8h00 da manhã, hora a que o centro de saúde abre as portas, é tal que os moradores dos prédios em redor da unidade de saúde chegam a chamar a GNR. Na quinta-feira, a patrulha passou pela Avenida dos Bombeiros Voluntários por volta das 2h00, mas sem parar o carro.
Gracinda Almeida, 45 anos e sem médico de família desde que há três anos trocou Rebordosa por Lordelo, confirma as reclamações dos moradores. Com o marido paralítico e com um historial clínico que engloba hipertensão, Gracinda tem de ser consultada, no mínimo, uma vez por mês. "Mas como não tenho médico de família, saio de casa, sempre à quinta-feira, às 3h00 para ter uma consulta na semana seguinte. Em média, há sempre 40, 50 pessoas à espera e, às vezes, há quem chegue cedo e volte para trás, porque já não vagas", descreveu.
Na semana passada, Gracinda trouxe Maria Rosário Esteves com ela. Com 37 anos, esta algarvia estranha as diferenças entre o Norte e o Sul do país no que respeita à qualidade dos serviços de saúde. "Em Faro, isto nunca acontecia. Aqui em Lordelo também tive médico, mas ele foi embora e há dois anos que tenho de vir de noite para ter uma consulta", protestou.
Vítima de uma doença relacionada com o sistema nervoso, com problemas na vesícula e com as tensões demasiado altas, Maria Rosário Esteves já chegou a deixar os filhos de 4 e 9 anos a dormir sozinhos para poder marcar uma consulta.




Dia de trabalho depois de noite ao relento
Fernando Lopes não tem esse problema, mas vê-se obrigado a trabalhar um dia inteiro numa serração após uma noite em claro. Com 57 anos, chegou ainda antes das 3h00, com um banco na mão e com a intenção de marcar consultas para a esposa e filha. "A minha mulher tem vários problemas e eu venho para aqui de três em três meses. Desde que a Drª Susana foi embora, há dois anos, que não tenho médico de família", queixou-se.
Com o passar da hora, o ritmo de chegada dos utentes começa a ser maior e, às 3h10, António Coelho passou a ser o dono da nona vaga. "Todos os meses tenho de vir para aqui, pois há três anos que estou de baixa médica, que precisa de ser renovada mensalmente. Se não conseguir uma consulta perco os direitos e, como tal, sou obrigado a vir para aqui de madrugada para ter a certeza que sou consultado", declarou.
Cinco minutos depois de António chegou Ernesto Santos. Já tinha passado a noite ao relento na semana anterior, mas uma falta ao trabalho do médico de recurso que lhe tinha calhado em sorte obrigou-o a repetir a experiência. "É sempre assim. Quando o médico falta no dia em que a consulta é marcada, tenho de voltar a passar a noite na fila de espera para poder marcar uma nova consulta", salientou.
Por cada consulta que tenha, Ernesto Santos perde uma manhã de trabalho, visto que a entrada ao serviço é às 8h00, bem mais cedo do que a hora a que consegue sair do centro de saúde. "Nunca me despacho antes das 9h30. A essa hora já não vou trabalhar, porque o patrão corta-me a manhã", frisou.
Ao lado de Ernesto a fila vai aumentando e, por volta das 4h30, já estão ocupadas mais de metade das vagas disponíveis. Todos se queixam da falta de médicos e garantem que esperar pela noite dentro é a única forma de ter uma consulta. Na próxima quinta-feira, será a vez de outros confirmarem esta teoria.

Abaixo-assinado de protesto já tem 500 assinaturas
O centro de saúde de Lordelo serve uma população com cerca de dez mil habitantes e tem ao seu serviço quatro médicos a tempo inteiro. Feitas as contas dá, em média, 2 500 utentes para cada clínico, quando as entidades competentes apontam que o rácio ideal é de 1 500 pacientes por cada médico existente.
Há ainda um quinto clínico nesta unidade de saúde que dá consultas às terças, quartas e quintas-feiras, das 8h00 às 14h00, mas que também não se revelou suficiente para acabar com os utentes sem médico de família.
Desta forma, os utentes de Lordelo não estão satisfeitos com o serviço que tem vindo a ser prestado e estão a promover um abaixo-assinado que pretendem entregar à Direcção Regional de Saúde do Norte. Maria José Machado é uma das responsáveis pela recolha de assinaturas e não poupa nas críticas efectuadas às condições oferecidas aos utentes de Lordelo.
Isto, porque as pessoas sem médico de família esperam, noite dentro, mesmo em frente à porta do centro saúde, local com uma cobertura que as protege da chuva, mas que não afasta nem o vento e muito menos o frio.
Por isso, quem chega traz sempre roupa muito quente, mantas e cobertores para se aquecer. Há ainda quem leve assentos e cadeiras, pois o pequeno banco de pedra existente não acomoda mais de três pessoas.
Outros preferem manterem-se encostados às paredes, conversando à luz de um candeeiro que tão depressa está aceso como logo a seguir se apaga, criando uma penumbra que assusta as primeiras mulheres a marcar presença junto à unidade de saúde. Aliás, só a presença do quartel dos Bombeiros Voluntários dá coragem a estas utentes para passar a noite ao relento e para se deslocarem à casa de banho mais próxima, situada no edifício da Junta de Freguesia, a cerca de 300 metros de distância.

Fonte: Jornal "O Verdadeiro Olhar" de 28.01.2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Lutar contra as injustiças, exigir uma vida melhor

O PCP promove, ao longo deste trimestre, uma campanha nacional de contacto e mobilização dos trabalhadores e da população com o lema «Com o PCP – Lutar contra as injustiças, exigir uma vida melhor». Em foco estarão os temas do desemprego, da precariedade e dos salários.
Ontem, dia 25 de Janeiro, pelas 17h, junto à estação de Caminhos-de-ferro, em Paredes, realizou-se uma distribuição de folhetos à população.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Debates preparatórios da IX Assembleia da ORP - Paredes


A Organização Regional do Porto vai realizar a 13 Fevereiro a sua 9.ª Assembleia. Tendo em conta a sua preparação e participação da organização do PCP no concelho de Paredes, vamos realizar uma Assembleia electiva de militantes:

Dia 30 Janeiro, sábado, 16h, na sede da Junta de Freguesia de Parada de Todeia

Ordem de trabalhos:
1 - Discussão do Ante-projecto do Relatório de Actividades e Resolução Política;
2 - Eleição de delegados.
Se desejares algum dos documentos em discussão, podes pedi-lo a um dos camaradas responsáveis pela tua organização ou descarregá-los em http://www.porto.pcp.pt/

domingo, 17 de janeiro de 2010

Movimento de Utentes de Saúde - Gandra

O Movimento de Utentes da Unidade de Saúde de Gandra entregou um abaixo-assinado na Sede do Agrupamento de Centros de Saúde Tâmega II Vale do Sousa Sul, numa reunião efectuada a 14 Janeiro de 2010.
Os dois representantes do Movimento de Utentes fizeram chegar à Directora Executiva Dr.ª Fátima Gonçalves as assinaturas dos utentes de Gandra que reclamam o prolongamento de horário de funcionamento da referida Unidade até as 20 horas, como já acontece nas Unidades de Saúde de Baltar, Sobreira e Paredes, tornando o serviço mais eficiente para os seus Utentes.
Ler mais em:
http://filhosdeabrilparedes.blogspot.com/

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Campanha "Não às portagens na A41/A42"


A Organização da Cidade de Lordelo do PCP, consciente do prejuízo da introdução de portagens na A41 e A42, vias estrutantes para o desenvolvimento de Lordelo, promove campanha em relação a este problema, com o objectivo de alertar e mobilizar os lordelenses para lutarem contra esta pretensão do Governo PS.
O PCP/Lordelo está disponível para participar em todas as formas de luta contra a introdução de portagens nas SCUT's.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

MANIFESTO PELO DESEMPREGADO

O desemprego aí está. São 700.000 portugueses desempregados, dos quais apenas metade aufere subsídio de desemprego. São inúmeros os portugueses vítimas de despedimentos, muitos deles abusivos, expostos a precariedades e ao trabalho sem direitos. São inúmeros os portugueses desempregados sem subsídio de desemprego, sem apoio ou protecção social.
Para todos eles há necessidades sociais impreteríveis. Justificam-se assim medidas diferenciadas, positivas, de salvaguarda. Aponto algumas:
1) Alteração dos critérios de atribuição de subsídio de desemprego;
2) Revogação das normas gravosas, como o dever de apresentação quinzenal que constitui uma medida de coacção contra os trabalhadores desempregados, imponde-lhes um verdadeiro “termo de identidade e residência”;
3) Aumento dos subsídios de desemprego e social de desemprego;
4) Atribuição de pensão de reforma, sem penalização, aos trabalhadores que atingiram 40 anos de contribuições;
5) Isenção total de propinas a todos os trabalhadores estudantes na situação de desempregado;
6) Acesso ao passe social nos transportes públicos para os desempregados.
Atingiríamos assim um clima de atenção e solidariedade para com o desempregado, que tornasse provisória e suportável uma situação anómala e que se quer transitória.
Atingiríamos assim um padrão de co-responsabilidade social em que a discriminação pudesse ser mitigada e ultrapassada.
Atingiríamos assim um patamar de eficácia que aponta a solução da criação de empregos satisfatórios e estáveis.
Seria um “manifesto pelo desempregado”, carta de direitos e deveres, base para uma esperança num futuro melhor. Mas alguns não o vêem assim.

Cristiano Ribeiro (responsável pelo PCP/Paredes)
cristianoribeir@gmail.com

domingo, 10 de janeiro de 2010

Debates preparatórios - 9ª Assembleia de Organização Regional do Porto do PCP

(sempre às 21h30, no Centro Trabalho da Boavista)
14/Janeiro: IDEAL COMUNISTA - Partido, militância, trabalho institucional, ligação às massas. Com Francisco Lopes, da Comissão Política do PCP
21/Janeiro: LUTA IDEOLÓGICA - Comunicação social, mensagem, imagem do Partido. Com José Casanova, do Comité Central do PCP
28/Janeiro: DESENVOLVIMENTO REGIONAL - Emprego, formação, investimento. Com Vasco Cardoso, da Comissão Política do PCP

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Desmentido público do PCP/Lordelo sobre a publicação do boletim A Farpa

O PCP/Lordelo vem por este meio informar que errou no conteúdo da edição em papel d'A Farpa distribuída hoje em Lordelo. O erro refere-se ao conteúdo do artigo "A Educação em Lordelo". Assim, onde se lê: "Mas pensa resolver algumas lacunas, recorrendo ao orçamento privativo da Escola EB2,3, só possível pela angariação de dinheiro através de algumas actividades escolares, para além do obtido pelo aluguer do ginásio, cujo dinheiro passou a reverter para a Escola e não para um funcionário, como acontecia antes" (página 3, coluna 2) deve ler-se: "Mas pensa resolver algumas lacunas, recorrendo ao orçamento privativo da Escola EB2,3, só possível pela angariação de dinheiro através de algumas actividades escolares, para além do obtido pelo aluguer do ginásio." Assim, a última parte do parágrafo publicado não corresponde àquilo que foi dito pela entrevistada, Dra. Beatriz Castro, e constitui um erro cometido pelo director do jornal e responsável pela Organização da Cidade de Lordelo do Partido Comunista Português, Miguel Correia.

O PCP/Lordelo pede desculpa pelo incómodo causado à entrevistada e aos leitores.

PCP/Lordelo
08 Janeiro 2009

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A FARPA JÁ SAIU!


O primeiro número da segunda série d'A Farpa, cujo tema principal é a Educação, será distribuída em Lordelo no próximo fim de semana. Pode ver a edição na internet, no blog da publicação editada pelo PCP/Lordelo:
pcp-afarpa.blogspot.com

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Fuga de Peniche - 50 anos



O Partido Comunista Português realiza no próximo domingo, dia 3 de Janeiro, em Peniche, no Auditório Cultural da Câmara Municipal (Largo do Município), uma sessão para assinalar o 50º aniversário da Fuga do Forte de Peniche, que restituiu à liberdade Álvaro Cunhal e outros destacados dirigentes e quadros do PCP e constituiu uma assinalável derrota para a política repressiva do regime fascista. A sessão terá lugar pelas 15h30 e nela intervirá o Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
Cerca das 14h30, precedendo a sessão no Auditório Cultural, terá lugar uma visita guiada ao Forte de Peniche sobre a realização da fuga.