BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Eurodeputado comunista em Lordelo

No próximo dia 6 Março, o PCP faz 89 anos de existência ao serviço dos trabalhadores e do Povo português.
A Comissão Concelhia de Paredes do PCP preparou um conjunto de iniciativas, com a presença do deputado do PCP no Parlamento Europeu, João Ferreira, a saber:

10h – Encontro com o Movimento de Utentes da Saúde de Lordelo e Rebordosa, junto ao Centro de Saúde de Lordelo.

17.30h – Reunião com os presidentes das Cooperativas de Água do concelho de Paredes, na Junta de Freguesia de Parada de Todeia.

18.30h – Sessão de esclarecimento em Defesa da Água Publica aberto à população, na Junta de Freguesia de Parada de Todeia.

20h – Jantar comemorativo do 89.º aniversário do PCP no restaurante Chalé, em Vandoma


João Manuel Peixoto Ferreira
30 anos, Eurodeputado do PCP
Biólogo, Doutorando em Ecologia
Técnico Superior da Associação Intermunicipal de Água da Região de Setúbal (AIA)
Membro da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP
Sócio-fundador da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Buzinão na A42


Realizou-se hoje, entre as 18.30h e 19.30h, na rotunda de Frazão/Arreigada, um bunizão contra a pretensão do Governo introduzir portagens das SCUT's.
Este protesto, acompanhado de uma distribuição de um panfleto aos automobilistas, contou com dezenas pessoas que se manifestaram de forma ruidosa. Esta iniciativa, inédita na região, foi organizada pelo Movimento dos Utentes contra as portagens nas SCUT's.
Ler mais em A Farpa.


Os direitos dos trabalhadores a traço de humor

O PCP, em colaboração com a Humorgrafe, vai realizar uma Exposição Internacional de Cartoon intitulada «Exploração e direitos dos trabalhadores, olhar crítico a traço de humor», que decorrerá entre 18 de Março e 9 de Abril no Centro de Trabalho Vitória (Lisboa). Esta iniciativa, que conta já com 200 trabalhos, de 70 artistas oriundos de 36 países, insere-se na Campanha Nacional do PCP «Lutar contra as injustiças - Exigir uma vida melhor».
Ler mais em http://www.pcp.pt/

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Encontro Nacional de Jovens trabalhadores da JCP

Na intervenção de abertura do Encontro Nacional de Jovens trabalhadores da JCP, Catarina Pereira, do Secretariado da DN da JCP, declarou que este encontro « tem como principais objectivos aprofundar o conhecimento e a análise da situação dos jovens no seu local de trabalho, reforçar a intervenção dos jovens comunistas no seu local de trabalho, reforçar a dinamização da intervenção dos jovens comunistas no movimento sindical.» Ler mais em http://www.pcp.pt/

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Buzinão contra as portagens na A42

Rotunda da A42 Frazão/Arreigada,
26 Fevereiro, sexta-feira
a partir das 18.30h

A Organização da Cidade de Lordelo do PCP manifesta todo o seu apoio a esta iniciativa do Movimento de Utentes contra a introdução de portagens nas SCUT's e participará activamente nesta e noutras iniciativas que visem a salvaguarda dos interesses dos lordelenses e dos valesousenses.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

«Avante!» faz 79 anos

Assinala-se hoje o 79º aniversário do jornal Avante! daquele que é o órgão central do Partido Comunista Português e cujo papel de organizador e construtor do Partido, de mobilizador e divulgador das lutas do Povo português, de indispensável instrumento para compreender e acompanhar a evolução do mundo se fortaleceu ao longo destes anos. Tal como sublinha o seu editorial desta semana, o «Avante!» assumiu sempre «o seu posicionamento: ao lado dos trabalhadores e contra o grande capital; ao lado dos explorados e contra os exploradores; ao lado da democracia e da liberdade e contra a tirania e a opressão». E assim continuará a ser!

Ver mais em: www.avante.pt

sábado, 13 de fevereiro de 2010

9.ª Assembleia da Organização Regional do Porto


Realizou-se, hoje, a Assembleia da Organização Regional do Porto, na intervenção de Jaime Toga, da Comissão Política do PCP, afirmou que a «Assembleia, por estar profundamente ligada com a vida dos trabalhadores e do povo do nosso distrito, deve debruçar-se sobre a realidade que hoje vivemos e a grande ofensiva em curso.» Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, no encerramento, afirmou que as decisões que se tomaram na Assembleia serão contributos decisivos para superar os dificeis tempos que os trabalhadores e as populações vivem. Ver documentos e composição da Direcção da ORP em www.porto.pcp.pt



Mais cancro do nariz em fabricantes de móveis

Estudo epidemiológico revela taxa de tumores da cabeça e do pescoço é superior na Região Norte. Tabaco e álcool são os principais culpados

Um estudo epidemiológico detectou uma incidência ligeiramente maior de cancros do pescoço e da cabeça no Norte do país. Mas, mais do que isso, ligou alguns destes tumores a profissões, como o fabrico de móveis ou o trabalho em postos de combustíveis.
No seu conjunto, os cancros da cabeça e pescoço (CCP) têm uma incidência de 12,8 por cada cem mil habitantes da região Norte do país. As contas são do Registo Oncológico Regional do Norte, que, na comparação possível com os dados existentes a nível nacional, detectou uma ligeira diferença em relação ao Sul, onde são 11,9.
As CCP reúnem tumores da laringe, faringe, hipofaringe, nariz, seis perinasais, boca e glândulas salivares. Não incluem nada relativo ao cérebro, nem a tiróide. Mas estão, ainda assim, em quinto ou sexto lugar no ranking do mais frequentes. Alertar para um problema "um pouco descurado" é objectivo do 1º Encontro de Patologia da Cabeça e Pescoço, que decorre hoje no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto.
Mais do que comparar taxas - sabe-se que os homens têm mais probabilidades de desenvolver estas patologias -, o estudo hoje apresentado estabelece algumas causalidades profissionais. Que acabam por ter uma impressão geográfica. Eurico Monteiro, director do serviço de Otorrino do IPO, realça, por exemplo, a elevada taxa de cancros dos seios perinasais em operários da indústria de mobiliário. "Paredes e Paços de Ferreira são dos nossos maiores clientes". Já em tumores da laringe é frequente encontrar doentes que trabalharam com poluentes, por força da inalação. É o caso, por exemplo, dos empregados de gasolineiras.
No entanto, a causalidade profissional não é a preponderante nos CCP, cujos mais comuns são os tumores da cavidade oral e da laringe. Há origens víricas - entre elas o papiloma vírus humano (HPV), normalmente associado a cancro do útero. "É cada vez mais presentes", garante o médico, alertando para comportamentos que, à partida, podem parecer inócuos em termos de saúde.
Mas o principal factor de risco dos CCP é o tabaco, presente em 85% dos casos. O álcool é outro condicionante, directamente na boca e na laringe, indirectamente porque destrói o fígado e limita o metabolismo que "desintoxica" o organismo. Dois elementos que, explica Eurico Monteiro, também surgem associados a classes mais baixas.
José Maria do Carmo Ferreira tem um culpado identificado. Fumava um e meio a dois maços por dia. Porque foi guarda nocturno e o cigarro era a "companhia" na noite. E fora a companhia da vida durante 50 anos, nas passagens pela indústria têxtil, a construção civil e a restauração. Nesta relação, perdeu metade da língua e ganhou uma traqueotomia, arruinou definitivamente a fala e está, devagar, a reaprender a comer. Líquidos. Mas não desarma e entoa "O menino de ouro" quase limpidamente. Terá sido diagnosticado a tempo, três meses depois de começar a sentir a língua anormalmente inchada.
A importância do diagnóstico precoce destas patologias é outra das mensagens do encontro de hoje. Nos 428 casos que o IPO recenseia, em média, todos os anos, consegue uma taxa de sobrevivência a cinco anos na ordem dos 40 a 45%. Que sobe se o tumor for detectado na sua fase inicial.

Jornal de Notícias, 12 Fevereiro 2010

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Centro de Saúde de Lordelo muda regras para a marcação de consultas

O Agrupamento de Centros de Saúde do Tâmega II está a mudar as regras para a marcação de consultas na unidade de Lordelo. Até agora, as consultas para os utentes sem médico de família eram marcadas somente à sexta-feira e realizavam-se na semana seguinte, fazendo, como o VERDADEIRO OLHAR demonstrou, com que dezenas de pessoas passassem a noite em frente ao centro de saúde

Utentes poderão recorrer ao telefone e à internet
Centro de Saúde de Lordelo muda regras para a marcação de consultas para garantir uma vaga.
Esta situação foi relatada por vários órgãos de comunicação social e, desde dia 3 deste mês, que a direcção do Agrupamento mudou as regras, permitindo, por exemplo, que as consultas dos utentes com médico de família pudessem ser marcadas através do telefone e internet. No entanto, esta medida provocougrandes distúrbios ao nível dos serviços administrativos, o que levou a coordenadora do Agrupamento a suspender a alteração. Na terça-feira, Fátima Gonçalves reuniu-se com médicos e administrativos do Centro de Saúde de Lordelo e desse encontro saiu a decisão de reservar uma hora por dia para as marcações de consultas. Ou seja, os utentes, com ou sem médico de família atribuído, poderão deslocar-se à unidade de saúde a uma hora ainda a designar e marcar a sua consulta. Fonte do Centro de Saúde de Lordelo revela que esta alteração deverá entrar em vigor a partir da próxima quarta-feira e que cada médico terá uma vaga por dia para este tipo de situação.
Entretanto, os deputados da CDU Jorge Machado e Honório Novo apresentaram um requerimento na Assembleia da República, através do qual perguntam ao Ministério da Saúde que avaliação faz quanto ao funcionamento deste Centro de Saúde e se prevê resolver o problema da falta de médicos em Lordelo. “Que medidas vai este Ministério tomar para
melhorar o funcionamento deste Centro de Saúde?”, questionam ainda. Recorde-se que uma deputada do PSD já tinha apresentado requerimento semelhante na semana passada.

O Verdadeiro Olhar, 10-02-2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A FARPA INTERNACIONAL



A Organização da Cidade de Lordelo do PCP criou um boletim digital - A Farpa Internacional - dedicado às questões internacionais e à luta dos povos de todo o mundo. Este boletim servirá para publicar regularmente conteúdos de autores nacionais e internacionais. Para aceder a esta nova publicação, basta clicar na imagem correspondente.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

PCP expõe o caso do Centro de Saúde de Lordelo na AR

Os deputados comunistas eleitos pelo distrito do Porto na Assembleia da República, Honório Novo e Jorge Machado, apresentaram uma pergunta ao Ministério da Saúde sobre a situação do Centro de Saúde de Lordelo:




«Assunto: Centro de Saúde de Lordelo, Paredes
Destinatário: Ministério da Saúde

Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República

O Centro de Saúde de Lordelo, no concelho de Paredes, serve uma população com mais de dez mil habitantes e tem ao seu serviço quatro médicos a tempo inteiro.
Assim, em média, cada um dos médicos tem a seu cargo 2500 utentes, quando as entidades competentes apontam que o rácio ideal é de 1500 pacientes por cada médico existente. Além disso, cerca de um terço da população abrangida por este centro de saúde não tem Médico de Família.
A consequência é que dezenas de pessoas acumulam-se à porta da Unidade de Saúde de Lordelo todas as noites, sobretudo à quinta-feira, para conseguirem uma consulta de recurso na semana seguinte.
Hoje, quer uma consulta de vigilância infantil, quer uma consulta para a prorrogação de um Certificado de Incapacidade Temporária (vulgo “baixa médica”), ou uma consulta para mostrar os exames complementares pedidos, é feita por uma penosa procura de uma vaga pré-anunciada numa folha de papel afixado no centro de saúde.
A situação acima descrita, provoca um legítimo descontentamento por parte da população que há muito tempo reclama mais médicos e melhor organização no atendimento, de forma a evitar a situação lamentável de obrigar dezenas de cidadãos a pernoitarem junto à porta do estabelecimento em busca de uma consulta.
Assim, ao abrigo da alínea d) do artigo 156º da Constituição e nos termos e para os efeitos do 229º do Regimento da Assembleia da República, pergunto ao Ministério da Saúde o seguinte:
1) Que avaliação faz este Ministério quanto ao funcionamento deste Centro de Saúde?
2) Prevê este Ministério a resolução do problema de falta de médicos neste centro de saúde? Se sim, quando?
3) Que medidas vai este Ministério tomar para melhorar o funcionamento deste centro de saúde?

Palácio de São Bento, 10 de Fevereiro de 2010
Os deputados Jorge Machado e Honório Novo.»

Trabalhadores da Adm. Pública em luta








No passado dia 5 de Fevereiro, os trabalhadores da Administração Pública expressaram a sua indignação perante os atentados aos direitos laborais que o Governo PS está a levar a cabo, numa manifestação que contou com mais de 50 mil trabalhadores.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Situação de Lordelo no domínio da Saúde

Tendo presente a pertinência e actualidade da questão da saúde na cidade de Lordelo, republicamos neste espaço alguns artigos da 1.ª série do nosso boletim, A Farpa, nomeadamente, o estudo e a conferência-debate realizados pelo PCP/Lordelo sobre a questão da saúde, no ano 2003.




A Situação de Lordelo no Domínio da Saúde: Análise e comentário dos resultados (do estudo realizado à população de Lordelo, que contou com 820 inquéritos)
Lordelenses querem mais médicos no Centro de Saúde
Uma leitura mais atenta e pormenorizada dos resultados do inquérito feito à população de Lordelo sobre a Saúde, permite-nos concluir que: se nem tudo está mal, há as­pectos bastante negativos que urge corrigir.
O primeiro ponto tem a ver com a opinião geral da nossa população. A maioria dos inquiridos diz-nos que a situação י "má"; embora um considerável número a classifique de "razoável". No entanto, são muito poucos os que a conside­ram "boa" (ver questão 3), o que nos permite concluir que há um longo caminho a percorrer, até se atingir a optimiza­ção dos serviços prestados à população lordelense.
O primeiro dado preocupante é a assiduidade dos médi­cos, os dados apontam para um quadro bastante negativo. Os lordelenses salientam através deste inquéri­to, a insatisfação sobre a forma como estes profissionais têm servido a sua população. Outro dado também elucida­tivo de que este inquérito foi levado a sério pela população, é a destrinça feita pelos lordelenses em relação aos enfer­meiros que trabalham no mesmo Centro de Saúde. Ou seja, nota globalmente positiva, para estes profissionais, atingindo níveis bastante elevados de satisfação dos inquiridos (quadro 1). Note-se que não se pretende fa­zer aqui leituras ou interpreta­ções, sobre quais os motivos para tais discrepâncias, mas assinalá-las. Também como parte integrante de todo o sis­tema, não podemos deixar de referir a opinião dos lordelenses em relação ao pessoal administrativo. E aqui, os números também são bastantes contraditórios; a barreira da percentagem dos que consideram os serviços "razoáveis" e "maus" י bastante equilibrada, não se podendo avaliar a sua prestação de forma categórica. Contudo, a percentagem de avaliação "má" merece uma séria reflexão. Quanto ao conforto, limpeza e higiene do Centro de Saúde, o grau de satisfação pode-se aferir de "razoável", na grande maioria dos inquiridos.
Por fim, em relação aos utentes e seu respectivo compor­tamento, o resultado é nitidamente avaliado pelos próprios como desadequado em relação ao local e ao bom funcio­namento dos serviços prestados.
Apôs uma leitura dos principais itens referentes à qualida­de dos serviços prestados no Centro de Saúde, vamos analisar algumas das situações que sustentam as opiniões dos inquiridos.
A primeira prende-se com o tempo de espera pela sua consulta, e posterior ex­plicação para tal demora (questões 1.4 e 1.5). Aqui regista-se que a grande maio­ria dos utentes dificilmente é atendido à hora marcada, e grande parte dos inqui­ridos gostaria de saber o motivo mas, não lhe é dada qualquer explicação.
A maior parte dos inquiridos não pagam taxa moderadora, mas consideram-na injusta (questões 1.1 e 1.2).
Outro dado que importa referir prende­se com o número de utentes que não dispõem de médico de família (questão 1.7). Ou seja, quase um terço dos inquiridos afirma-se nesta situação. Daí resultando, talvez, a conclusão dos lorde­lenses afirmarem que dos melhoramentos indispensáveis sejam aumentar o número de médicos, com vista a um melhor atendimento, assim como melhor organização e atendimento dos funcionários (questão 1.13).
Em relação à forma como os lordelenses se deslocam ao Centro de Saúde, aqui poderemos ter resultados um tanto ao quanto ambíguos; isto é, se grande percentagem se des­loca a pé e o tempo de demora é bastante reduzido, outra parte significativa dispõe de transporte próprio (questões 1.9 e 1.10). Contudo, pelos resultados dos inquéritos depreende-se que a localização do Centro não é factor impeditivo do acesso ao mesmo, embora com excepções.
Quanto às surpresas desagra­dáveis e agradáveis, nas visitas ao Centro de Saúde verificam-se dados interessantes por parte dos utentes.
Nas desagradáveis, embora pre­domine um vasto leque que, sim­plesmente refere "todas" e "muitas", como a sua opinião, não deixa de ser preocupante o número de pessoas que apontam o barulho e discussões entre os utentes (questão 1.12). As observações seguintes aludem ao mau atendimento em paralelo com a frustração de chegar ao Posto Médico e não haver médico disponível. Quanto às surpresas agradáveis o grande gros­so dos inquiridos opta por não responder (questão 1.11). No entanto, logo a seguir aparece-nos a opinião de que não tiveram nenhuma ou quase nenhuma surpresa agradável.
Nota positiva, embora bastante ténue, para as exposições levadas a cabo pela Fundação "A Lord", que foi a mais referenciada pelos utentes como surpresa agradável. Debrucemo-nos agora, num ponto bastante importante, e que nos irá mostrar quais as prioridades, e os melhora­mentos. que os utentes consideram indispensáveis. Sem sombra de dתvida, os lordelenses querem um aumento de número de médicos. Esta é a condição que os utentes entendem ser prioritária para a melhoria dos serviços de saúde prestados à população.
Todavia, a melhoria no atendimento por parte dos médi­cos e funcionários nדo anda muito longe de ser o primeiro anseio dos utentes, ficando a longa distância de múltiplos aspectos referenciados, tais como: melhoria do exterior (mormente, colocação de bancos e cobertura do exterior do Centro de Saúde), higiene e limpeza, televisão e jor­nais actualizados, e criarão de um serviço de urgência. Não deixa de ser significativo a maior preocupação dos utentes com os recursos humanos e o seu desempenho em contraponto com as reais e actuais condições físicas de estabelecimento.
Como conclusão deste estudo, podemos aferir que no cômputo geral, a análise feita pela população é negativa.
A Farpa, 1.ª série, n.º 19, Setembro 2003



Saúde dos lordelenses em debate
Numa conferência que pretendia reflectir sobre a proble­mática da saúde, a primeira intervenção foi de José Mei­reles Fraga. O administrativo começou por fazer uma rese­nha história da saúde em Lordelo, nomeadamente quanto às estruturas do serviço público que prestam cuidados de saúde. A este propósito lembrou a importância da antiga Casa do Povo em Lordelo e nas zonas envolventes. De seguida, fez o enquadramento no nosso "posto médico" no âmbito da administração do Ministério da Saúde. Real­çando um certo discurso derrotista em relação à saúde, Meireles Fraga comenta os resultados do inquérito feito à população lordelense dizendo que o mesmo não lhe trou­xe surpresas, pois as críticas que os lorde­lenses têm em relação à Saúde são as mes­mas da maior parte dos portugueses. Na sua intervenção, subli­nhou o bom relaciona­mento existente entre funcionários e utentes da unidade de saúde de Lordelo dando como prova a quase ausência de recla­mações no "Livro Amarelo". Sublinha ainda que os utentes enquanto grupo se auto-criticam quando admitem que o seu comportamento não é o melhor para o bom funciona­mento dos serviços.
Luís Campos iniciou a sua intervenção elogiando a iniciati­va e dizendo que no concelho de Paredes só o Partido Comunista reflecte e intervêm na área de saúde. Salientan­do a importância do inquérito realizado aos lordelenses en­quanto instrumento de avaliação dos serviços de saúde, o director do Centro de Saúde de Rebordosa referiu que é a partir deste tipo de estudos que se pode tomar decisões mais acertadas para tentar resolver os problemas de saú­de dos utentes das quatro unidades de saúde que dirige:
Lordelo, Rebordosa, Cristelo e Gandra. Este médico criti­cou os sucessivos governos de não agirem com racionalidade em relação à Saúde, dizendo que há um atraso de décadas, a nível de funcionamento, do sistema nacional de Saúde comparado com a maior parte dos países da União Europeia. A este propósito, lembra que os baixos salários, o trabalho precário e os enormes encargos por parte da população, levaram a uma maior afluência de utentes aos cuidados de saúde públicos. "Actualmente cerca de 60% da população recorre ao Centro de Saúde" diz Luís Campos.
Aludindo ao relatório dos utentes de 2002 do Centro de Saúde de Rebordosa, o director informa que das queixas apresentadas pelos utentes, 30% referem-se ao mau desempenho dos funcionários e 17% referem-se à organização dos serviços. Sobre este último aspecto aponta como uma das causas, a "pouca sensibilidade" dos arquitectos que projectaram
os Centros de Saúde, como é o caso de Lordelo, onde os utentes ficam sentados muitos próximos do balcão de aten­dimento, propiciando barulho, confusão e desorganização dos serviços. Lordelo, tal como Rebordosa, Cristelo e Gandra, têm unidades disfuncionais com serviços mal dis­tribuídos em termos de espaço.
Em relação a este problema, o médico considera que a unidade de saúde de Lordelo não é muito má se tivermos em conta os casos dos "postos médicos" de Gandra, a funcionar no primeiro andar de uma casa exígua, ou de Rebordosa, a funcionar no edifício da Junta de Freguesia, o que cria muitas vezes situações de confusão e conflito, ao ponto de ter sido contratado um vigilante. Quanto à assiduidade dos médicos, apontada como "má" pelos lorde­lenses no inquérito pro­movido pelo PCP/JCP de Lordelo, Luís Cam­pos reconhece que há casos pontuais de mé­dicos que faltam cons­tantemente ao serviço. No entanto, não é legítimo genera­lizar dizendo que todos os médicos são pouco assíduos, até porque alguns deles fazem um enorme esforço em con­sultarem os seus doentes e os que não têm médico de família.
O elevado número de pessoas sem médico de família (mais de 131 mil no Vale do Sousa, 42 mil no Centro de Saúde de Rebordosa e 1563 utentes em Lordelo) é uma situação preocupante que está associada à falta de médicos. De facto, o Centro de Saúde de Rebordosa deveria ter 26 mé­dicos em vez dos actuais 20. Em relação à unidade de saú­de de Lordelo, Luís Campos refere que esta deveria ter, pelo menos, mais um médico. Note-se que apenas exis­tem cinco médicos na nossa unidade de saúde: Dr. António Carvalhais, Dr.a Lina Carvalho, Dr.a Maria Eugénia Toledo, Dr.a Maria Beatriz Mendonça, Dr.a Maria Luisa Santos para uma população de 10378 utentes. Estes médicos não acei­tam alargar o seu ficheiro de doentes pois consideram que já têm doentes suficientes.
Sobre as taxas moderadoras, o director considerou legíti­mas se tiverem em linha de conta o rendimento do utente, e necessárias para fazer face ao consumo excessivo dos serviços do Centro de Saúde.
Contudo, terminando a sua intervenção, Luís Campos posiciona-se contra o mercantilismo na área da Saúde, pois "a Saúde não deve ter por base a obtenção do lucro". Após a intervenção deste orador, Cristiano Ribeiro toma a palavra.
Na sua comunicação (que se publica nesta edição), o mé­dico comunista refere que esta iniciativa coincide, de certa forma, com um conjunto de três artigos publicados no jornal "Progresso", onde teve oportunidade de comen­tar e reflectir sobre os resultados de dois inquéritos realizados aos utentes, um intitulado "A satisfação dos utentes dos serviços de saúde: avaliação e divul­gação", edição da CCRN e do Ministério das Cida­des e Ordenamento do Território e outro intitulado "A voz dos utentes dos Centros de Saúde" do Insti­tuto da Qualidade em Saúde e da Universidade de Coimbra. Apesar das diferenças destes estudos em rela­ção ao realizado em Lordelo, não deixa de ser interessante que cada um deles é um instrumento importante para quem tem responsabilidade de dirigir os Centros de Saúde. Cristiano Ribeiro aponta como factor negativo a não resi­dência dos médicos no concelho para justificar uma certa indiferença de alguns médicos do serviço público às inquie­tações e reivindicações dos utentes das quatro unidades do Centro de Saúde de Rebordosa.
Na sua intervenção, o médico que coordena PCP de Paredes considerou que não é só importante o modo como se presta os cuidados de saúde mas o tempo que se demora a prestá-los.
A este propósito, Cristiano Ribeiro alertou para a necessidade do acto médico estar o mais possível liberto de actos administrativos, como, por exem­plo, o preenchimento de um cabeçalho de um for­mulário ou outro tipo de burocracias que impedem o aten­dimento mais célere dos doentes e a diminuição do tempo de espera por parte dos utentes. Sobre este assunto este médico do serviço público faz alusão a um estudo que con­cluiu que a média ideal de tempo de consulta é de 7,30 minutos.
Este debate foi bem acolhido pelo público presente, que participou de forma bastante interventiva, numa iniciativa que se prolongou durante três horas.

Comunicação de José Meireles Fraga
Vamo-nos situar no tempo.
Os cuidados de saúde em Lordelo, não sei desde quando, mas até 1977, eram da responsabilidade da Casa do Povo, através dum protocolo com a Caixa de Previdência, em que esta remunerava a Casa do Povo em sistema de "per capita". Lordelo tinha uma certa preponderância no concelho, pois prestava assistência à população de Cristelo, Besteiros, Sob rosa, Vilela, Duas Igrejas e Louredo.
Em 1977 surgem os Serviços Médico-Sociais (SMS), dei­xando nesta data as Caixas de Previdência e as Casas do Povo de prestarem cuidados de saúde.
Com a criação do regulamento dos Centros de Saúde, fo­ram extintos os SMS e criadas as Administrações Regio­nais de Saúde (ARS), que ainda hoje existem.
Convirá referir que esta foi a única verdadeira reforma efec­tuada até hoje depois do 25 de Abril. Era ministro o Dr. An­tónio Arnault.
Passemos ao 2.° ponto: enquadramento da Unidade de Saú­de de Lordelo no contexto do Serviço Nacional de Saúde. Julgo que é importante saber em que posição se encontra a nossa Unidade de Saúde, para melhor compreendermos certas situações de funcionamento desta.
Assim, temos: O Ministério da Saúde. Dividido em cinco Administrações Regionais. Encontramo-nos na Administra­ção Regional de Saúde do Norte, que por sua vez se divide em cinco Sub-Regiões de Saúde. Estamos inseridos na Sub­-Região do Porto, estando esta dividida em 49 Centros de Saúde. Lordelo está adstrito ao Centro de Saúde de Rebor­dosa, sendo este composto por quatro Unidades de Saú­de: Lordelo, Rebordosa, Cristelo e Gandra.
A responsabilidade de funcionamento do Centro de Saúde é de uma Comissão Instaladora, tendo à frente um médico que é o director, um vogal de enfermagem e um administra­tivo. Ao nível da Unidade de Saúde, há um coordenador que é médico e um responsável administrativo. A este nível não há qualquer poder de decisão.
Por aqui poderão verificar as limitações existentes e como tal poderão compreender certas situações que, por ve­zes, possam ocorrer na estrutura de base de uma Unidade de Saúde.
No 3.° ponto, passo a comentar o in­quérito que, e muito bem, efectuaram. O inquérito não revela surpresas. Se­leccionei os seguintes pontos do in­quérito: o cumprimento dos horários, a simpatia dos funcionários e as taxas moderadoras.
O quadro de pessoal da Unidade de Saúde de Lordelo cons­ta de: cinco médicos, três enfermeiras, três funcionários administrativos, duas auxiliares para uma população de 12 mil habitantes.
A Unidade de Saúde está aberta ininterruptamente, das 8.30 às 18.30h, ou seja 10 horas. Os auxiliares, os administra­tivos, alguns médicos e alguns enfermeiros, têm um horário de 35 horas por semana. Dois médicos a fazerem 42 horas em regime de exclusividade e duas enfermeiras, também, 42 horas semanais, penso que será também em regime de exclusividade.
Como julgo saberem, o Serviço de Atendimento de Pare­des, é assegurado pelos funcionários do Centro de Saúde de Rebordosa e pelos funcionários do Centro de Saúde de Paredes. Funciona das 20.00 às 24.00 horas de 2.a a 6.a e aos sábados, domingos e feriados das 9.00 às 24.00 horas. Convirá referir, que quando o serviço extraordinário é pres­tado em dias de descanso têm os funcionários direito à dis­pensa de serviço em dia normal de trabalho. Acresce ainda que os funcionários que transitaram dos ex-SMS têm direi­to à dispensa de 10 horas por mês, pois era uma regalia adquirida, pelo que não pode ser retirada. Por último, é tam­bém necessária a deslocação à sede vezes sem conta, por­que tudo tem que ser devidamente informado pelo director ou por quem delegue.
Como podem verificar o que à partida parece ser um incumprimento de horário, não o é na realidade. Faz-se por vezes um grande esforço para que a Unidade de Saúde funcione, sem grandes quebras.
Na Unidade de Saúde de Lordelo encontram-se inscritos cerca de 12 mil utentes. Sabem que, actualmente, todos têm de se inscrever, desde os que descontam para a Segurança Social, os funcionários públicos, GNR, PSP, militares, bancários, etc.
Todos os contactos são efectuados em primeira linha pelo funcionário administrativo. Este faz a 1.a triagem, no entan­to, este é tido como o mau de toda a situação, pois é pe­rante quem o utente diz mal da sua vida quando o proble­ma não é resolvido, é ele quem transmite ao utente a infor­mação relativa ao seu caso. Por vezes, tem uma difícil tare­fa para dirimir. Digo-lhes que, das Unidades de Saúde que conheço, a de Lordelo é onde existem menos reclamações. Há vários centros de atendimento que têm segurança pri­vada, pelo que se conclui haver uma boa relação entre os profissionais de saúde e os utentes.
Em relação às taxas moderadoras, como o nome indica, a taxa deveria ser moderadora, mas na verdade não o é. Em Lordelo existem demasiadas isenções, que em nada
corresponde ao nível de vida que as pessoas ostentam. A maioria das isenções é por os utentes estarem inscritos receberem menos que o ordenado mínimo nacional. Enten­do ser aqui a existência de maior injustiça, pois não é ver­dadeiro. O utente recebe menos que o ordenado mínimo, mas vai com veículo de alta cilindrada à consulta, o que me parece ser uma situação insultuosa para todos aqueles que não estão naquela situação.
Estão também isentos, os reformados, as grávidas, os bom­beiros, dadores de sangue, portadores de doença crónica confirmada pelo médico, toxicodependentes em processo de recuperação, também com confirmação do Centro onde está a efectuar a desintoxicação e as crianças até 12 anos. Ora, considero injusto esta taxa tal qual está. Cada um deve pagar de acordo com o seu rendimento efectivo e não por aquilo que declara.

Comunicação de Cristiano Ribeiro
Esta iniciativa é louvável, corajosa, oportuna e merecedora de aplauso. A Democracia de sucesso e progressista que ansiamos precisa de quem se bata por ela em todos os sectores (educação, justiça, saúde).
Esta iniciativa da JCP e do PCP de Lordelo de certo modo "coincide" com uma revisão que fiz sobre o tema "Satisfa­ção dos utentes das Unidades de Saúde".
No jornal O Progresso de Paredes de 20/6/2003 iniciei uma série de três artigos em cujo conteúdo sublinhei a leitura de dois livros de circulação restrita: "A satisfação dos utentes dos serviços de saúde: avaliação e divulgação", edição da CCRN e do Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e das Cidades e "A voz dos utentes dos Cen­tros de Saúde" do Instituto da Qualidade em Saúde e do Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universi­dade de Coimbra.
Nestas publicações as metodologias empregues, a con­sistência científica e o próprio objectivo são obviamente diferentes do inquérito efectuado em Lordelo. Nem podi­am deixar de o ser. Não há padrões objectivos de compa­ração possíveis. São diferentes olhares sobre a realidade, como se se quisesse fotografar a mesma realidade com instrumento fotográfico diferente.
Mas há parâmetros que são comuns. Afirma-se nos referi­dos documentos oficiais que:
1) O interesse pela perspectiva do utente ajuda a poder reflectir para melhor intervir, bem conhecer para melhor pla­near estratégias para a melhoria real dos cuidados de saú­de. Para monitorizar continuamente a qualidade dos servi­ços de saúde importa considerar esse indicador de quali­dade dos cuidados até para ajudar o profissional a alterar o modo e o tempo de prestação. 2) O próprio Estado assume que há diferenças significati­vas de desempenho nas suas unidades periféricas de ser­viços.
3) Provavelmente há condições objectivas para insatisfa­ções que não dependem dos profissionais ou da organização de serviços.
4) A Saúde é preocupação na pri­meira linha dos portugueses. A ava­liação global dos cuidados parece ser mais positiva no inquérito da CCRN, global a toda a zona a zona norte e incluindo centros de saúde e hospitais, do que no efectuado em Lordelo, mais restrito. Aqui predomina um tom mais crítico e de insatisfação. Mas justamente o aces­so aos cuidados de saúde, tema principal do nosso deba­te, é recorrente em ambos os estudos e aparece com as­pecto negativo.
O desempenho técnico dos profissionais de saúde não é aparentemente posto em causa mas já a pontualidade e assiduidade é posta em causa.
Mas quando se fala em acesso temos que distinguir os que têm ou não médico de família. Será correcto falar em aces­so quando se não tem médico de família? E de quem é a responsabilidade? Na ausência por férias ou doença ou for­mação e não estando assegurado a substituição legitima­mente poder-se-á referir razões válidas de insatisfação? Algumas "provocações" finais:
Que mil inquéritos idênticos a estes e sessões como esta floresçam nas unidades de saúde do concelho e do país; Que possam surgir em público estudos de opinião sobre satisfação dos profissionais dos Centros de Saúde com a mesma naturalidade e importância que este inquérito e seus resultados preliminares possam despertar nos profissionais debate e controvérsia, irritação ou contrição, contentamento ou choro;
Que nos esforcemos todos por dessacralizar os detentores do poder, as elites que tudo sabem mas que erram muito mais do que os que aparentemente nada sabem (de saú­de, por exemplo);
Que o Miguel Correia e a equipa de A FARPA possam con­tinuar a fazer História na cidade de Lordelo.
A Farpa, 1.ª série, n.º 20, Outubro 2003

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Situação do Centro de Saúde de Lordelo continua a ser notícia

Depois da reportagem emitida na estação televisiva SIC, no programa "Nós por Cá" de ontem, desta vez é o Jornal de Notícias de hoje a falar no escândalo da situação do Centro de Saúde de Lordelo:

«Há quem fique à porta do Centro de Saúde de Lordelo a partir da uma hora. Situação tem cinco anos.


(foto de Roberto Bessa Moreira)

As madrugadas de sexta-feira são passadas à porta do Centro de Saúde de Lordelo, Paredes, por dezenas de utentes, sem médico de família. Esperam marcar uma consulta para a semana seguinte. É assim há cinco anos. E só agora é permitido marcar por telefone.
Está um frio de rachar. A madrugada anuncia-se agreste e fustigadora. É quase uma e meia. Surge uma mulher. Chega embrulhada numa manta ao Centro de Saúde de Lordelo, Paredes. Treme de frio. Chama-se Maria Fernanda Gonçalves, tem 56 anos, é empregada de limpeza e mora em Lordelo. Está disposta a passar, em claro, a madrugada doentia, para tratar da saúde. "Sou a primeira a chegar para ser a primeira a marcar uma consulta, amanhã de manhã. Neste centro só se marcam consultas às sextas", explica. Maria Fernanda é uma de milhares de pessoas de Lordelo, uma cidade com dez mil habitantes, sem médico de família. "Deixei de ter médico já lá vão cinco ou seis anos".
Pouco depois, chega Engrácia Ferraz. Tem 41 anos e muitas maleitas. Vive do Rendimento Social de Inserção (RSI). "Ainda bem que chegou". É a sorte de Maria Fernanda que, assim, pode ir a um café próximo, que fecha às duas horas, tomar qualquer coisa quente para aguentar o frio. Pede a Maria Engrácia que lhe guarde a vez. Não vá acontecer como noutras ocasiões: "As pessoas bulham porque há quem queira passar a vez". "E há quem receba cinco euros para vir aqui ocupar a vaga em nome de outra pessoa", desabafa Maria Engrácia.

"Pragas" ao serviço público
Desafiadas a conquistar uma noite sem sono, durante a madrugada de ontem, as mulheres falam de tudo na vida: dos filhos casados muito cedo, das doenças dos maridos ou do infortúnio da vida. E pouco depois, junta-se a jovem Cátia Barbosa, 23 anos, desempregada e mãe de um filho. "Uma vez por mês, estou aqui. Como não tenho médico de família, sujeito-me a esperar a noite inteira para marcar consulta para a minha filha e para a minha mãe". Em uníssono, rogam-se pragas ao serviço público de Saúde. "Não tem jeito nenhum", repete-se o lamento, vezes sem conta.
José Maria Lopes, 21 anos, desempregado, chegou perto das 2.30 horas. É o número nove da lista improvisada, determinada apenas pela ordem de chegada. A fila engrossou em menos de meia-hora. "Isto é uma vergonha, tenho de vir de um dia para outro para ter consulta na semana seguinte". refila»

Ajuda cubana silenciada

Os 400 médicos cubanos e todo o material humanitário enviado por Cuba não mereceu a atenção dos grandes meios de comunicação social ao serviço do capitalismo. Porque será?
http://www.youtube.com/watch?v=6DikHDHXvL0&feature=player_embedded

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Saudação à luta dos estudantes do Ensino Secundário


A JCP saúda a grandiosa jornada de luta nacional dos estudantes dos Ensinos Secundário e Básico realizada ontem, 4 de Fevereiro. Este dia de protesto, convocado pela DNAEESB (Delegação Nacional das Associações de Estudantes dos Ensinos Secundário e Básico) levou à rua, um pouco por todo o país, mais de 30 mil estudantes em luta conta os Exames Nacionais, o actual Estatuto do Aluno, o Regime de Autonomia e Gestão das escolas e a privatização e pela efectiva implementação da Educação Sexual nas escolas.No Porto, foram cerca de um milhar os estudantes que se concentraram na Avenida dos Aliados e seguiram em protesto até à DREN (Direcção Regional de Educação do Norte).
Para além destes, mais 3 mil estudantes do distrito participaram em concentrações em pólos secundários ou à porta das escolas, envolvendo, ao todo, segundo a DNAEESB, escolas de 9 concelhos diferentes neste dia de luta.
Assim, a JCP vem afirmar o seu integral apoio com a luta dos estudantes, tendo consciência de que só através dela as vitórias se conseguem!Viva a luta dos estudantes!

A ORGANIZAÇÃO DO ENSINO SECUNDÁRIO DO PORTO DA JCP
Porto, 5 de Fevereiro de 2010

PIDDAC 2010, um escândalo e uma ofensa a um distrito do Porto cada vez mais pobre!

O Orçamento de Estado para 2010, apresentado pelo Governo, não é, como poderia e deveria ser, um instrumento para combater a grave crise económica e social, nem para atenuar as desigualdades sociais e as assimetrias regionais que se têm avolumado de ano para ano.
A destruição do aparelho produtivo, a repartição da riqueza cada vez mais desigual e em desfavor dos rendimentos do trabalho, o aumento do desemprego e da pobreza são, entre outras, marcas das políticas que os sucessivos governos têm implementado.
O Orçamento de Estado para 2010 vai em sentido contrário ao que o País necessita, designadamente quanto ao reforço da sua capacidade produtiva, à melhoria das condições de vida de quem trabalha, ao desenvolvimento harmonioso combatendo as assimetrias.
O Orçamento de Estado para 2010 constitui um documento pouco transparente, com verbas avultadas em verdadeiros “sacos azuis”, sem qualquer referência a taxas de execução de investimentos que transitam de orçamentos anteriores e a forma como o Governo apresenta o PIDDAC dificulta a comparação, é uma manobra deliberada para tentar impedir o acesso à informação. Tudo isto revela o propósito de se esconder o que o orçamento realmente é, tornando-o depois, na sua aplicação, uma caixinha de surpresas, contudo sempre amargas para a generalidade dos Portugueses.
AGRAVA-SE O DESINVESTIMENTO NO DISTRITO
O que o OE 2010 nos mostra é que o investimento público diminui substancialmente face ao ano anterior. E mostra-nos, ainda, em termos de PIDDAC que o Distrito do Porto continua a ser fortemente descriminado, e de uma forma crescente, pelo actual Governo PS, tal como nos anteriores de maiorias absolutas sejam elas do PS,PSD com ou sem o CDS.
É bom recordar que o PIDDAC 2009 foi inferior ao PIDDAC 2005 em mais de 850 milhões de euros, significando uma redução de 71%!Sabe-se, e a população sente-o, que o Distrito do Porto vem empobrecendo crescentemente há vários anos. A destruição do tecido produtivo a um ritmo mais intenso do que se verifica no País e as taxas de desemprego e pobreza muito superiores à média nacional são algumas das consequências das opções políticas de sucessivos governos, de governos cada vez mais centralizadores.O PIDDAC 2010 constitui um verdadeiro insulto a quem vive e trabalha no Distrito e, também, a quem exerce a sua actividade económica, designadamente aos micro, pequenos e médios empresários que constituem a esmagadora maioria.
Se compararmos as verbas previstas no PIDDAC 2010 com as do mesmo documento do ano anterior assistimos a uma redução de 84%, enquanto no País essa redução foi de “apenas” 30%! Um verdadeiro escândalo!E este escândalo assume proporções ainda maiores se levarmos em consideração o factor população.
Na verdade a população do Distrito do Porto representa 17,2% da população nacional mas o Distrito apenas beneficia de 2% do PIDDAC global!Daqui resulta que, se calcularmos o PIDDAC per capita, em média a cada Português correspondem 267 euros, mas no Distrito do Porto esse valor é de apenas 31 euros.
Como não hão-de aumentar as assimetrias regionais, estando o Distrito cada vez mais distante da média nacional em termos de desenvolvimento e qualidade de vida?
APROFUNDAM-SE ASSIMETRIAS - INTERIOR AINDA MAIS ABANDONADO
Mas se as assimetrias aumentam no País, também tal se verifica no Distrito do Porto.Com efeito, os dez concelhos do Distrito que não fazem parte do Grande Porto, embora representem 31,3% da população, apenas são contemplados com 13,3% do total do PIDDAC distrital. É acrescentar descriminação à descriminação.Se calcularmos o PIDDAC per capita nestes dez concelhos temos um valor de 13 euros, quando a nível nacional, recorde-se, é de 267 e a nível do Distrito, no seu conjunto, é de 31! Verdadeiramente esclarecedor da sensibilidade do Governo que, na continuidade de políticas de muitos anos, não leva em consideração que a maior parte desses dez concelhos faz parte uma das sub-regiões mais pobres da União Europeia, a do Tâmega. GOVERNO RETIRA VERBAS E FALHA COMPROMISSOS
Analisando os investimentos previstos, verifica-se a continuidade da inscrição de alguns que já deviam estar concluídos em 2009, a permanência de outros mas com prazo de conclusão mais dilatado e o desaparecimento de outros, casos, por exemplo, do Centro de Reabilitação do Norte e da Faculdade de Medicina – Ampliação e Recuperação.Por outro lado, a Variante da Trofa – Linha do Minho que em 2009 tinha prevista um verba superior a 26,6 milhões de euros passa neste ano para 1,7 milhões, certamente pondo em causa o desenvolvimento do que havia sido projectado.Também, e não pode deixar de se sublinhar pelo que representa, a expansão da linha do metro apenas é contemplada com 8 milhões de euros para o troço Dragão/Venda Nova. Onde param os protocolos, os acordos, as promessas tão espalhafatosamente feitas? Quanta propaganda que não passa disso mesmo!
Com este Orçamento de Estado, que não serve o País nem a região, o governo PS opta por insistir nas mesmas políticas, nas políticas que conduziram o país às injustiças e às desigualdades que hoje enfrenta. Como será possível sair da “crise” mantendo as políticas que nos conduziram até ela?A DORP do PCP informa que já está a decorrer, em todas as suas organizações, uma auscultação no sentido de serem avaliadas as propostas a apresentar na discussão na especialidade, de forma a minimizar os malefícios deste PIDDAC.
Tal como no passado, os compromissos assumidos com a população serão levados à Assembleia da República pelos deputados comunistas.
Esperamos que todos os eleitos pelo Distrito respeitem os compromissos que assumiram e não se lembrem da sua existência apenas em tempo de campanha eleitoral.

A DORP do PCP

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

AS NOITES DE LORDELO

Hoje falarei das noites de Lordelo. Hoje falarei da forma como alguns habitantes de Lordelo ocupam a noite de quinta para sexta-feira. Para nossa vergonha e como objecto de inquietação para as consciências dos responsáveis locais da Saúde.
Dezenas de pessoas acumulam-se á porta da Unidade de Saúde nessa noite de Lordelo, marcando vez para acesso a uma consulta de recurso na semana seguinte. A sua situação resulta de não terem Médico de Família atribuído. E os responsáveis acharam por bem responder ao número escasso de profissionais de saúde (nomeadamente médicos) com um esquema terceiro-mundista. Quer seja a marcação de uma consulta de vigilância infantil, quer seja a prorrogação de um Certificado de Incapacidade Temporária (vulgo “baixa médica”), ou para mostrar os exames complementares pedidos, alguém achou que se substituía a regulamentar marcação por uma penosa procura de uma vaga pré-anunciada numa folha de papel afixado no vidro.
Triste destino. Os 10.000 utentes de Lordelo mereciam e necessitam de mais de 4 médicos de Medicina Geral e Familiar. Os 10.000 utentes de Lordelo mereciam e necessitam de um esforço profissional suplementar de todos os profissionais de saúde da sua Unidade de Saúde. Os 10.000 utentes de Lordelo mereciam ser respeitados como seres humanos, passíveis de consideração, respeito e até compaixão. Os 10.000 utentes de Lordelo merecem e certamente exigirão uma outra organização, uma outra sensibilidade, uma diferente atitude do Serviço Público.
Quando outros portugueses têm acesso à marcação de consulta na sua Unidade de Saúde pela NET, em Lordelo mãos frias, olhos ensonados e rostos cansados aguardam o raiar do dia para tentar aceder ao médico.
Para mim, são tristes as noites de Lordelo.


Cristiano Ribeiro
(responsável pelo PCP/Paredes)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Lordelo na 9.ª Assembleia da ORP do PCP

No seguimento da Assembleia electiva de militantes do PCP de Paredes, realizada no passado dia 30 Janeiro, foram eleitos 15 delegados efectivos e 15 delegados suplentes para a 9.ª Assembleia da Organização Regional do Porto do PCP, que terá lugar no Cinema Batalha, Porto, no próximo dia 13 de Fevereiro.
Os lordelenses eleitos para esta Assembleia dos comunistas do distrito do Porto são:


- Jaime Cruz. Estofador, 39 anos, foi membro da Associação de Pais da Escola EB1 de Moinhos, em Lordelo.

- Miguel Correia. Empresário, 34 anos, actual deputado pela CDU na Assembleia de Freguesia de Lordelo.