BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Da leitura dos jornais: Entrevista a Miguel Correia, no Imediato

Miguel Correia defende que as autarquias da Valsousa deviam juntar-se à luta das populações


"As Câmaras Municipais nada mais fazem que apresentar declarações de boas intenções"

Como surgiu o Movimento de Utentes das SCUT e quantos elementos integram?
A Comissão de Utentes da A41/A42 surge devido ao descontentamento gerado pela ameaça do Governo em colocar portagens nas SCUT's, estávamos no início do ano de 2008 e rapidamente formamos um grupo de amigos que cresceu até atingir cerca de 20 pessoas de vários concelhos do Vale do Sousa.

Quais aos argumentos de defesa para a não introdução de portagens?
A A41 e a A42 são das SCUT mais utilizadas do país, com mais de 38.000 viaturas por dia. E por não terem alternativas, respondem a uma série de indicadores oficiais que foram estabelecidos para justificar a introdução (ou não) de portagens.
Assim, sabe-se, o PIB da região é inferior a 80% da média do país. Tal não admira tendo em conta ser a região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega uma região deprimida e socialmente fragilizada pelo subdesenvolvimento e pelo desemprego. Este indicador justificaria por si só a não introdução de portagens. Considerar o PIB dos concelhos do Grande Porto para a média avaliada, como fez o Governo, é falacioso.
Assim, sabe-se, o Índice de Poder de Compra da região é inferior a 90% da média do país, pois o poder de compra reflecte as grandes dificuldades económicas das famílias na região.
E, por último, a distância em tempo pelas falsas alternativas é superior a 135% do tempo gasto em viagem por auto-estrada. Por exemplo, a EN 207 não é alternativa adequada à circulação de pessoas e bens, são mais 167% em tempo de percurso, e que em tempo real são mais 34 minutos.

Já foram ouvidos pelo Governo ou há alguma reunião agendada?
A Comissão de Utentes participa no Grupo de Trabalho que reúne todas as comissões de utentes das 3 SCUT's afectadas. Através desse Grupo já reunimos com o Secretário de Estado do Ministério das Obras Públicas em 2008.
Pedimos uma nova audiência em finais de 2009 para mostrar ao Ministério um estudo por nós realizado, que demonstrava a não existência de condições para a colocação de portagens, tendo em conta os critérios definidos pelo próprio Governo. Até à data não obtivemos resposta...

Que acções de protesto já realizaram e o que pretendem fazer?
Temos participado nas acções conjuntas do Grupo de Trabalho das comissões de utentes, colaboramos num abaixo-assinado que reuniu mais de 60 mil assinaturas, participamos em várias iniciativas de protesto sob a forma de buzinões, em 2008 e 2009, e é claro, participamos nas grandes marchas de protesto de 2008 e do passado dia 17 de Abril.
Para já não temos marcado novas acções, mas podem ter a certeza que a luta vai continuar e de forma cada vez mais intensa até o Governo desistir desta medida tão injusta para a região.

A economia da região pode sofrer graves consequências se as portagens avançarem?
É evidente que sim. As portagens são mais um custo para os empresários, que terão mais um obstáculo à sua actividade numa altura de crise, e para os todos os cidadãos que já apertaram em demasia o cinto.
Já se estima que mensalmente quem circule, ida e volta, na A41 e A42 gastará de 76 a 125 euros por mês em combustíveis. E estimando-se que 100 km nas SCUT´s poderão custar aos automobilistas cerca de 5,85 euros em portagens, teremos uma viagem de ida e volta nestes percursos a onerar em portagens mensalmente em 48,8 euros

Concorda com a tomada de posição da Valsousa?
Os argumentos da Associação de Municípios são os nossos, sem tirar nem pôr. Até aí está tudo muito certo, mas achamos que o papel das Câmaras Municipais podia e devia ser outro.
Por exemplo, a Comissão de Utentes escreveu a todos os presidentes da Câmara da região a informar da marcha de protesto e a pedir que se juntassem à luta das populações. A única resposta que obteve foi por parte do assessor do Presidente da Câmara de Penafiel a dizer que o presidente não tinha agenda para participar...
Se o interesse das Câmaras Municipais fosse outro, tinham razões e recursos para colaborar nesta luta, infelizmente, não temos visto nada para além de declarações de boas intenções.

Miguel Correia. 34 anos. Empresário.
Licenciado em Filosofia e Pós-Graduado em Bioética.
Deputado da CDU na Assembleia de Freguesia de Lordelo.
Dirigente da Moinho – Associação Ambiental, Patrimonial e Cultural de Lordelo.
Criador, membro e porta-voz do MUSS-L/R – Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde de Lordelo e Rebordosa.
Membro da Comissão de Utentes de contestação das portagens nas A41/A42.
Director de A FARPA – Boletim político, social e cultural de Lordelo.
Imediato, 23 Abril 2010

Sem comentários:

Enviar um comentário