BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Comentário de Miguel Correia a uma notícia do jornal Fórum

O jornal Fórum é um dos muitos exemplos do jornalismo light que prefere dar relevância a temas como estes em vez de abordar e reflectir sobre aquilo que realmente interessa. Em vez de por exemplo questionar se são estes o tipo de actividades que irão promover a requalificação das margens do Rio Ferreira e em especial a sua despoluição.
O verdadeiro problema do Rio Ferreira em Lordelo - as águas poluídas pelas descargas da ETAR de Arreigada e ainda deficiente ligação das casas ao saneamento básico - continua por resolver... e perceber se o tal programa de “Participação Preventiva do Plano Pormenor do Parque Ecológico das Margens do Rio Ferreira" não passa de mais um slogan de Celso Ferreira e de mais alguns pseudo-ambientalistas engravatados...
Mas nada que surpreenda os leitores mais esclarecidos... Este é o mesmo órgão que seguindo a sua linha editorial "democrática" decidiu não comparecer à conferência de imprensa do PCP a propósito do encerramento das escolas do Vale do Sousa e Baixo Tâmega... Maus exemplos de um jornal que tem como director um (pretenso) intelectual... Ler mais

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

Bloco de Quê?

Não consigo encarar, senão como uma espécie de incursão transcendental, a abordagem mais ou menos séria a assuntos que digam directa ou indirectamente respeito a esse arrastado, indefinido, irresoluto, místico projecto político que dá pelo nome de Bloco de Esquerda. Torna-se, pois, muito complicado falar daquilo que sendo eleitoralmente expressivo, de resto pouco mais expresse (ou talvez expresse sobretudo o facto de muito pouco expressar…), se é que daqui se infere o real sentido do raciocínio e da perspectiva. Talvez por pouco ou nada ser, excepto aquilo que de imediato se vê e ouve – marketing político e aparência -, não tenha causado espécie a ninguém, não tenha causado qualquer tipo de escândalo ou admiração, o apoio dado pelos ditos ‘de esquerda’ ao militante e ex-deputado PS Manuel Alegre.
Não obstante a evidência de por cá nem todas as titubeações políticas serem alvo de arregalo, bem vistas as coisas não existe sequer titubeação quando não se está na prática e em teoria em parte nenhuma. Daí ninguém se ter importado muito com o apoio do Bloco a Alegre. É que neste caso específico, contrariamente ao que aconteceu noutros contextos de eleições presidenciais, não se trata apenas de um circunstancial apelo ao voto entre um ‘mau’ e um ‘menos mau’, numa circunstância bipolarizada de definição obrigatória e atendendo a que nas presidenciais, como se sabe, o voto em branco, tecnicamente, nada conta. Pois a grande questão é que o Bloco acha mesmo, e o Bloco acha sempre muitas coisas, que Alegre, esse – como todos os portugueses sabem – ‘alinhado’ com as políticas do PS, será o melhor presidente da República que Portugal pode ter. O Bloco não tem, nem vê, melhor Presidente da República que Manuel Alegre.
Tenho dúvidas de que não houvesse solução interna, até de acordo com aquilo de que o BE tem ‘vivido’, ou seja, que houvesse por ali alguém com discurso ‘chocolate para os ouvidos’ capaz de levar o eleitor insatisfeito até ao voto. Mas o que é certo é que o Bloco não teve outra opção que não apoiar o mesmíssimo homem que nas últimas legislativas elogiou quase tanto o governo e José Sócrates como o próprio José Sócrates. Todos sabemos que imperativos de agenda, certamente desculpáveis, inibirão Louçã e Sócrates de se apresentarem em arruada ladeando o candidato que os une (bela expressão!), o que seria curioso para uns, muitíssimo engraçado para outros, mas que seria certamente demasiado opróbrio para os resistentes das formações de base daquilo que tristemente se veio a tornar no Bloco de Esquerda.
Talvez demasiado entalados na sua ambiguidade para dar mais do que uma ou duas razões válidas para apoiar o candidato do PS, parece haver porém quem prefira ‘atirar-se’ àqueles que à (verdadeira) esquerda tenham um candidato próprio. Tem-se, pois, constatado, pela leitura da blogosfera, que alguns dos mais apaixonados apoiantes bloquistas parecem ter um crónico problema a resolver com o PCP. Só que talvez devessem por cautela concentrar-se no facto de o Bloco ter antes de mais crónicos problemas a resolver consigo próprio, e posto isso bom seria que os resolvesse, pois talvez ainda vá a tempo de se tornar efectivamente numa força política minimamente coerente e afirmativa, mas sobretudo, e isso parece-me o mais importante, numa força capaz de ser levada a sério…
Ivo Rafael Silva, in Ad Argumentandum

sábado, 28 de agosto de 2010

O Vale do Sousa e Baixo Tâmega perante um grave desafio

Conferência de imprensa
27 de Agosto (sexta-feira), 15:00h
Centro de Trabalho de Penafiel do PCP



(foto Imediato)

O Governo decidiu o encerramento de 94 Escolas Básicas no distrito do Porto, 13% do total nacional das escolas a fechar. Acresce que segundo os dados disponibilizados pela DREN - Direcção Regional de Educação do Norte, este número corresponde a 10% do total de escolas básicas existentes na região.
Os 8 concelhos que compõem o Vale do Sousa e Baixo Tâmega (Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel) perdem desta forma 20% do total de escolas básicas existentes (são 75 as escolas previstas encerrar).
Estes números evidenciam o forte impacto negativo que é de esperar junto da vida de milhares de alunos e suas famílias, bem como no acentuar da desertificação das zonas mais periféricas.
A lógica economicista que preside a estas medidas decididas pelo Governo via Ministério da Educação nada tem a ver com os interesses dos alunos, das suas familias e dos concelhos abrangidos. Percebe-se assim a pressa da divulgação das escolas a encerrar, bem como a falsa negociação que a envolve com os interessados.
É revelador deste facto aliás, que o Governo decida encerrar escolas não previstas anteriormente, violando o que havia aprovado nas Cartas Educativas, como acontece em Paredes ou Marco de Canaveses, e que implicaram ou o deveriam ter feito, um período de discussão com a comunidade escolar, autarquias e DREN.
É revelador que ainda hoje não estejam decididas as transferências de alunos que frequentavam escolas a encerrar quando os Centros Escolares, destino final, não estejam prontos, como em Amarante (onde nenhum Centro Escolar iniciou sequer a construção), no Marco de Canaveses ou ainda em Penafiel.
A título de exemplo, atente-se no caso das escolas nas freguesias de Rio Mau e Sebolido, em Penafiel, cujo encerramento foi decidido sem que se perspective a conclusão do respectivo Centro Escolar antes de Janeiro/Fevereiro. Até ao momento a única informação dada à Associação de Pais (que aponta para manutenção das escolas em funcionamento até à abertura do Centro Escolar) foi prestada por professores e contradiz a informação prestada pela DREN, que especifica como sendo no distrito de Bragança os únicos casos em que o encerramento de escolas será adiado. Esta contradição, somada à falta de informação de fontes oficiais, é motivo para que subsistam justificadas dúvidas sobre o destino destas crianças.
É revelador que as questões relativas aos transportes de alunos, a rede, a segurança e custos, bem como o reflexo nas contas de gerência das Câmaras, não tenham sido ou acautelados ou objecto de negociação e concretização como se queixam os autarcas do Marco Canaveses, por exemplo. Em Telões (Amarante), fecham duas escolas (Freita e S. Braz) e a nova Escola – Escola Básica da Estradinha - dista 15 km das anteriores.
É revelador que em casos como Paredes não esteja pronto qualquer Centro Escolar previsto (Mouriz, Vilela ou Gandra) e se anuncie desde já o encerramento de 14 escolas. Em Mouriz, por exemplo, não está construído qualquer acesso digno, sendo completamente ridícula a antiga via rodoviária que o serve.
È revelador que os encargos financeiros assumidos pelas Câmaras com empréstimos bancários se apresentem como ruinosos e constituem um salto no escuro.
A Direcção Subregional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP vê com muita preocupação a presente situação e acusa o Governo e as autarquias envolvidas de procurar sacrificar o futuro estudantil da população escolar da região em nome de uma pretensa modernidade que só representa a estrita lógica economicista.
Não descurando a necessidade de novos equipamentos, e novas valências ao serviço da formação e sucesso educativo na Escola Pública, o PCP não pode calar a discordância com as soluções encontradas, com a irresponsabilidade que resulta de não haver condições claras de funcionamento das novas Escolas e com a desresponsabilização do Governo do funcionamento do sistema educativo.
Depois de finalmente ter sido tornada pública a lista de 701 escolas a encerrar a pretexto de um alegado “reordenamento” da rede escolar (75 das quais na região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega), a Direcção Sub-regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP denuncia os efeitos que esta medida terá no futuro educativo de milhares de jovens e crianças e suas famílias.
A Direcção Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A saúde em Lordelo e a actividade do PCP

Em 2003 o PCP e a JCP de Lordelo avançaram para uma Avaliação da Situação de Lordelo no Domínio da Saúde. Entre 12 de Julho e 18 de Agosto contactaram a população para responder a um inquérito sobre o grau de satisfação dos utentes para com os serviços de saúde públicos e privados.

Ler mais em Registos da História

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Francisco Lopes: candidato do PCP à Presidência da República

Dando seguimento à decisão tomada na reunião do Comité Central, em Abril, o PCP avança com uma candidatura própria: Francisco Lopes, membro da Comissão Política e do Secretariado do Comité Central foi anunciado como candidato à Presidência da República.
Nesta sua reunião de ontem, o Comité Central do PCP analisou os aspectos mais recentes da situação económica e social do país, bem como linhas essenciais da acção e iniciativa política do Partido para o próximo futuro. Debateu e decidiu da candidatura a apresentar pelo PCP às eleições presidenciais de Janeiro de 2011.


Biografia de Francisco Lopes

55 anos, Electricista, Funcionário do PCP
Natural de Vinhó, concelho de Arganil.
Habilitado com o curso industrial de montador electricista, na Escola Industrial Marquês de Pombal.
Participou na actividade associativa do movimento estudantil no Instituto Industrial de Lisboa (actual ISEL) nos anos lectivos de 72/73 e 73/74.
Activista do Movimento Democrático, no plano estudantil e na base de Moscavide, participou no III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, no Encontro da CDE em Santa Cruz e na acção política eleitoral de Outubro de 1973.
Foi membro da União dos Estudantes Comunistas (UEC) em 1973 e 74 e é membro do PCP desde 1974.
Trabalhou na Applied Magnetics, onde foi membro da Comissão de Trabalhadores e da célula do PCP da empresa. Participou na acção sindical no âmbito do Sindicato dos Electricistas do Distrito de Lisboa.
Membro do Comité Central do PCP desde o IX Congresso (1979).
Eleito membro suplente do Secretariado do Comité Central do PCP no XII Congresso (1988).
Membro da Comissão Política e do Secretariado do Comité Central desde o XIII Congresso (1990), responsável pela Área do Movimento Operário, Sindical e das Questões Laborais e pelas Questões da Organização Partidária.
Deputado à Assembleia da República eleito pelo Círculo Eleitoral de Setúbal.

Ver e ouvir declaração de Francisco Lopes

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Agrava-se o desemprego no distrito do Porto: são urgentes medidas!


Os números recentemente divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional relativos ao número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego no mês de Julho, demonstram que o desemprego continua em crescimento acentuado no distrito do Porto, não obstante os efeitos que o trabalho sazonal tem neste período.
Considerando os dados de Julho e comparando-os com os do mês anterior, verificamos que, ao contrário do que aconteceu no País, no Distrito do Porto temos um aumento de 0,7%, ou seja mais 922 trabalhadores inscritos nos Centros de Emprego.
Na análise desses dados verificamos que todos os concelhos do distrito têm taxas de desemprego bem acima da média nacional situando-se a taxa média de desemprego no distrito nos 13,8%, claramente superior à taxa média nacional.Relativamente ao mês anterior, em Julho verificou-se um aumento do desemprego em 13 dos 18 Concelhos do Distrito.
E, conforme se constata com os dados de Julho, há Concelhos, já com elevadas taxas de desemprego, que continuam a ver essa situação agravada, como acontece, por exemplo, com Amarante, Felgueiras, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes, Santo Tirso e Vila do Conde.
Esta evolução não surge por acaso, antes é consequência do continuado processo de degradação económica do Distrito que foi, no primeiro semestre deste ano, aquele em que se iniciaram mais processos de insolvência de empresas, representando 26% do total nacional.
Esta situação é particularmente preocupante se tivermos em linha de conta o previsível crescimento de situações dramáticas em muitas famílias que, fruto dos cortes nos apoios sociais aprovados pelo PS e PSD, ficarão sem subsídio social de desemprego, engrossando o numero de desempregados sem qualquer apoio social.
A DORP do PCP reafirma a necessidade de medidas urgentes para superar a grave situação actual, que passam no imediato por:
- Criação de Emprego, combate ao desemprego e apoio aos desempregados tendo como objectivo uma política de pleno emprego, combatendo os despedimentos e a precariedade, nomeadamente com legislação dissuasora;
- Aumento geral dos salários e pensões visando uma mais justa repartição da riqueza e a dinamização económica do país;
- Defesa do aparelho produtivo e apoio às micro, pequenas e médias empresas, privilegiando o mercado interno;
- Apoio à industrialização do distrito e aproveitamento integral dos seus recursos;
-Alargamento do investimento público, nomeadamente através da concretização dos investimentos há muito prometidos (alargamento da rede do Metro, construção do Centro Materno Infantil, Construção do IC35);
- Requalificação profissional e diversificação da indústria;
- Reforço das medidas de apoio social, dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, cancelando os cortes nos apoios sociais anunciados e pondo fim à política de destruição e encerramentos em curso;
- Cancelamento do objectivo de colocação de portagens nas SCUT e das privatizações.

23.08.2010

O Gabinete de Imprensa da DORP do PCP

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Excursão à Festa do Avante!


A Comissão Concelhia de Paredes do PCP vai realizar uma excursão à próxima edição da Festa do Avante!, na Quinta da Atalaia, Amora, Seixal. A partida será no dia 3 de Setembro, pelas 7 h em Baltar. O autocarro vai passar por alguns pontos do concelho de Paredes, nomeadamente Rebordosa e Lordelo.

Inscrições e informações:
Paulo Macieira - 917 124 269 ou Zé Luís Venda - 914 343 330

sábado, 21 de agosto de 2010

Governo soma crise à crise encerrando 10% das Escolas Básicas do distrito do Porto

Depois de finalmente ter sido tornada pública a lista de 701 escolas a encerrar a pretexto de um alegado “reordenamento” da rede escolar, a DORP do PCP viu confirmada a justeza das suas preocupações.
Este processo tem sido conduzido pelo Governo de acordo com uma lógica estritamente economicista e em total desrespeito pelo futuro educativo de milhares de jovens e crianças.
O Governo decidiu o encerramento de 94 Escolas Básicas no distrito do Porto, 13% do total nacional das escolas a fechar. Acresce que segundo os dados disponibilizados pela DREN - Direcção Regional de Educação do Norte, este número corresponde a 10% do total de escolas básicas existentes na região.
Trata-se de uma situação particularmente grave nos 8 concelhos que compõem o Vale do Sousa e Baixo Tâmega (Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel) que perdem desta forma 20% do total de escolas básicas existentes (são 75 as escolas previstas encerrar).
Estes números evidenciam o forte impacto negativo que é de esperar junto de milhares de alunos que ficam assim com o seu percurso escolar comprometido, de inúmeras famílias que serão directamente afectadas. Também não deve ser ignorado o contributo que esta medida dará para o acentuar da desertificação das zonas mais rurais.
O Governo decidiu “cortar a direito”, sem atender às especificidades de cada escola e comunidade. Esta decisão decorre de uma estratégia profundamente errada, que relega para segundo plano o sucesso real das aprendizagens, privilegiando as preocupações estatísticas e financeiras. É revelador deste facto aliás, que o Governo decida encerrar escolas violando o que havia aprovado nas cartas educativas, que implicaram um período de discussão com a comunidade escolar, autarquias e DREN.
Com esta medida o Governo vem somar “crise à crise”. Numa das regiões do país mais afectadas pelo desemprego, pela precariedade, pelos baixos salários e pela pobreza, o PS decide encerrar mais serviços públicos fundamentais. A DORP do PCP exige a suspensão imediata deste processo e apela à mobilização das populações, de pais e encarregados de educação e forças vivas dos concelhos afectados na defesa da Escola Pública.
20.08.2010
O Gabinete de Imprensa da DORP do PCP

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Jornadas de Trabalho - Festa do Avante! 2010

A Festa do Avante! é o resultado de milhares de horas de trabalho dos militantes e amigos do PCP e constitui a maior realização político-cultural do nosso país.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Um homem


Um homem está perante o tribunal fascista. O juiz interroga-o.
Pergunta: «É verdade que o senhor reingressou no PC em 1954 logo após a sua fuga do Forte de Peniche?»
Resposta: […] «Só “reingressa” quem sai… e eu orgulho-me de haver abraçado a causa do comunismo desde os alvores da minha juventude e de manter até hoje sem interrupções a honrosa condição de comunista, qualidade que espero conservar até ao último alento da minha vida».
Este homem fora preso pela segunda vez três anos antes. Foi de novo barbaramente torturado: espancamentos, privação do sono, 78 dias no segredo em Caxias, prolongado encerramento numa sala dotada de equipamentos de privação sensorial e indutores de alucinações. Não falou.
Este homem, então com 47 anos, é condenado pelo tribunal fascista a uma pena de 23 anos, 8 meses e «medidas de segurança». Na prática, é condenado a prisão perpétua.
Este homem na prisão escreve e ilustra ao longo dos anos seguintes cartas para o seu filho, uma criança com um grave problema de saúde. Da sua cela de condenado surge um rico universo de personagens alegres e aventurosos, de encanto pelo conhecimento e pelo trabalho (cujas máquinas – tractores, tornos mecânicos, fresadoras - ilustra primorosamente), de entusiástica alegria de viver férias, acampamentos, idas à praia, passeios, corridas de automóveis. Com uma espantosa força, este homem procura, à distância, interpor toda a sua energia entre o filho e a doença cuja marcha inexorável sabe estar em curso.
Este homem era incapaz de deixar um inimigo sem combate. Fosse ele o fascismo, fosse ele a exploração, a opressão, a ignorância e o ódio à cultura, as manobras contra Abril, fosse ele a contra-revolução nas suas diferentes facetas. Fosse o inimigo uma doença incurável.
Era um revolucionário. Com ele sabemos que primeiro dever do revolucionário é empenhar na luta toda a energia e todas as capacidades, mesmo nas condições mais desesperadamente adversas.
Este homem era António Dias Lourenço. Conservou a condição de comunista até ao último alento da sua vida. Nem o poderia ter sido de outra forma.
Filipe Diniz, in Avante!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Da leitura dos jornais: A Carta Educativa e as contradições do PSD/Paredes

José Henriques Soares na última edição de O Verdadeiro Olhar surpreende-nos com um artigo sobre Educação, cujo conteúdo não desdenhariamos subscrever.
Sublinhe-se o registo histórico feito da evolução das escolas na Finlândia, Reino Unido e Estados Unidos da América para centros de menor dimensão, evitando assim, a sobrelotação. Esta orientação é completamente discordante do trilho de Maria Lurdes Rodrigues/ Isabel Alçada / Celso Ferreira.
José Henriques Soares, certamente com o conhecimento resultante de ter sido Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara de Paredes, no anterior mandato, fala da Carta Educativa de Paredes e do contexto que presidiu á sua elaboração. E aqui as revelações são transcendentes, embora as dúvidas há muito tempo que pairam nos espíritos: o pagamento foi a “peso de ouro” tanto à empresa que elaborou o documento como ao arquitecto que projectou os equipamentos.
E os alertas de Henriques continuam, tanto para as deslocações de autocarros em crianças tão jovens, como para a segurança assim tão sacrificada,como para a exposição ás contingências do tempo, como para as horas retiradas ao sono e ao lazer, para uma concentração que não é condição de resultados de excelência. Bem pelo contrário.
Chamar “campo de concentração!” ao grandes centros escolares é excessivo. Mas ouvir uma orientação discordante, que possa influenciar a decisão política, nunca é tarde. Os que não quiseram ou souberam ouvir a CDU de Paredes têm uma oportunidade de ouvir o mesmo pela boca do PSD.

sábado, 7 de agosto de 2010

Até sempre camarada Dias Lourenço!


Faleceu hoje António Dias Lourenço, um dos mais destacados dirigentes comunistas da história do PCP que dedicou a vida à luta da classe operária, dos trabalhadores e do povo português, à luta do seu Partido contra o regime fascista, contra a exploração, pela liberdade, pela democracia, por uma sociedade nova, o socialismo e o comunismo.



Dias Lourenço foi um dos muitos presos políticos que passaram pela Fortaleza de Peniche durante o período do fascismo português. Contudo, este nosso camarada protagonizou uma das mais marcantes fugas deste local, uma vez que o fez sozinho, durante a noite e em pleno mês de Dezembro.

"Sem eira, nem beira"

A música dos Xutos & Pontapés que foi censurada pelo Governo PS de Sócrates (nunca passou em nenhuma das rádios). A letra genial desta música retrata bem a podridão a que chegou o nosso país, 36 anos depois do 25 de Abril.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Avante!

O «Avante!» foi o jornal comunista clandestino que em todo o mundo, durante mais tempo, foi sempre produzido no interior de um país dominado por uma ditadura fascista. Durante décadas – de 15 de Fevereiro de 1931 ao 25 de Abril de 1974 – o órgão central do PCP orientou e mobilizou as lutas da classe operária e de todos os trabalhadores em pequenas e grandes batalhas contra o capital e contra o regime fundado por Salazar e prosseguido por Caetano.