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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A Memória Cala a Desgraça

Nos tempos que correm o termómetro da paciência para aturar Alegre e os alegristas já quase rebenta. Agora imagine-se o que não será quando a campanha presidencial começar ‘a sério’.
Entalado com dois apoios aparentemente antagónicos – PS e BE – anda o candidato por aí de forma estapafúrdia numa roda viva de posições políticas que na maior parte das vezes não são nem de um lado nem do outro, são desse seu repetitivo e trambiqueiro estágio do ‘nim’.
Apareceu recentemente de forma oportunista ao lado dos estudantes em protesto. Ele próprio, que foi um dos deputados responsáveis por esta política propineira e que defendeu, debaixo de um parolo europeísmo – essa espécie de tábua de salvação do obscurantismo nacional -, o desvairado ensino à bolonhesa. E não se deu ainda conta, desfasado que anda da realidade educativa sobretudo a nível superior, que esta ‘modernice’ à escala europeia não passa de um ‘produto’ educacional de metas completamente falaciosas, que tem o dom de conseguir desagradar a toda a gente, com excepção, é claro, aos pachorrentos, fastidiosos e ignorantes tecnocratas de Bruxelas.
E se agora aparece ao lado de um protesto de rua, amanhã, a pretexto da ‘atitude que deve ter um presidente da república’ – não esquecendo a postura de pesporrência que costuma pôr nestas suas transfigurações ocasionais - é bem capaz de ir cortejar os principais responsáveis políticos e educativos pela situação que levou e leva milhares de pessoas ao protesto e à indignação. Pede-se-lhe uma opinião e ele, com a sua ensaiada face de declamador de poesia a tempo inteiro – olhem que grande poeta que sou! -, atira ‘ao vento que passa’ generalidades e subterfúgios sobre o seu país.
Alegre é uma contradição insanável em si mesmo. Um político que quis agarrar-se com mais espectáculo que ideologia aos ventos esquerdistas que sopraram de Abril, e que depois de 1974 passou a vida a aprovar, promover e criar autênticas cacetadas legislativas nos direitos e liberdades da esmagadora maioria do povo português.
É um dos responsáveis MÁXIMOS pelo estado de degradação social do Estado. É, enquanto eterno alinhado de um pê-ésse subserviente e medroso, um dos mais proeminentes servidores de interesses corporativistas e do grande capital. É um dos responsáveis pelo nosso aninhamento perante a Alemanha e a França, os donos e senhores desta União Europeia que só funciona à base de um predomínio de grandes sobre pequenos, sendo uns e outros, desde sempre, os mesmos!
O que vai colocando no poder este e outros ‘alegres’ deste país não é sua especial capacidade política, muito menos a sua suposta inteligência. É no fundo a má memória que grassa na sociedade portuguesa. É ela a grande responsável pela sucessiva promoção política – sempre em progressão: hoje primeiro-ministro, amanhã presidente – daqueles que passaram anos a depauperar o Estado, as instituições democráticas e a própria Constituição que dizem agora – com desfaçatez pública e sem vergonha na cara – querer ‘cumprir e fazer cumprir’!

“A memória cala a desgraça
A memória nada lhes diz”
Assim se constrói a couraça
Dos que enterraram este país!

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