BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

domingo, 19 de dezembro de 2010

Um debate esclarecedor


«Manuel Alegre está em melhores condições para mobilizar os que apoiam o Governo; eu estou em melhores condições para mobilizar todos os que são contra o Governo». (Francisco Lopes)

Acabo de assistir ao debate dos Candidatos Presidenciais Manuel Alegre e Francisco Lopes. Cumpriu-se o esperado. Alegre refugiou-se na retórica de um diagnóstico que identifica as consequências, verte algumas lágrimas de crocodilo pelo neoliberalismo mas se afasta do percurso, procurando apagar a interpretação das causas. Mas Alegre evolui. Alegre é (agora) contra Maastricht, contra as politicas europeias na agricultura e pescas, contra os garrotes ( “o acosso”) de entidades privadas não eleitas, contra as orientações de Merckel. Mas fica por aqui.
Não toca em Barroso, na Comissão Europeia, no Banco Central Europeu, não se vá dar a necessidade de chegar a Sócrates (não o filósofo).
Francisco Lopes identifica claramente as causas, o rumo, os interesses, chegando á sacrosanta União Europeia. O discurso é límpido e global. Não deixa espaços na penumbra, antes ilumina toda a rede de práticas politicas que nos conduziram ao desastre. Cavaco é referenciado como um interventor errado, um protagonista insuficiente e incoerente, um vazio inconsequente.
Alegre transporta as contradições de uma prática anterior não conforme com o discurso actual, de apoios simétricos que se anulam em objectivos e soluções, de uma impotência politica que é traço e perspectiva. Alegre reconhece a coerência do PCP e a sua capacidade de nunca estar do lado errado da barricada. Isso é muito mais importante do que ver nas iniciativas de campanha de Alegre líderes do Bloco e do PS a anunciar juras de identificação com o candidatura.
Francisco Lopes tocou bem na ferida, quando concluiu que o candidato Alegre, tão preocupado em mobilizar o eleitorado do PCP, estaria ele sim bem colocado para mobilizar os que se identificam com as politicas governativas.
Cristiano Ribeiro

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