BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

segunda-feira, 28 de março de 2011

O dinheiro e a gatunagem

São inúmeros os casos em que se constata que o dinheiro sujo tem sido a verdadeira motivação de muitos dos responsáveis políticos na Europa.

Ainda recentemente três deputados do Parlamento Europeu renunciaram ao mandato popular quando foram denunciados por um jornal inglês por aceitar pagamentos pela introdução de emendas em legislação regulada pela União Europeia. E não eram gente anónima e pouco responsável: um antigo Ministro austríaco do interior, um antigo Ministro esloveno dos Negócios Estrangeiros, um antigo vice-primeiro Ministro romeno. Nós temos um Armando Vara. Ele recebeu no ano passado 562.192,38 Euros como indemnização pela sua saída da gestão executiva do BCP. A este montante, juntam-se os 260 mil Euros recebidos de Janeiro a Julho de 2010, altura em que renunciou ao cargo, após o envolvimento do seu nome no processo judicial Face Oculta. Esta decisão remuneratória foi tomada pelo Conselho Geral e Supervisão do BCP, que vai ter em Abril caras novas: Daniel Bessa, o embaixador e ex–Ministro dos Negócios Estrangeiros António Monteiro, Leonor Beleza e um líder dos interesses financeiros de Angola. Os amigos, agora e no futuro, são para as ocasiões…

Temos também um novo assessor político de Cavaco Silva que é filho de socialista Jaime Gama e delfim do falecido fiscalista Saldanha Sanches. Fronteiras ideológicas “interessantes”…

Mas cheguemos ao essencial, ao dinheiro e à gatunagem. Angela Merkel é uma figura roliça que transitoriamente é Chanceler Alemã. Alguns chamam-na de contabilista de Leipzig, outros realçam o facto de ter sido considerada em 2009 a mulher mais poderosa do mundo. Apresenta-se como a presidente de facto da Comissão Europeia e tutora moral das boas práticas politicas dos países, a começar nos deficites orçamentais. É o Papa do neo Vaticano Financeiro que tem por dogma o neoliberalismo radical, a flexibilidade das condições laborais, o primado das grandes corporações industriais e monetárias europeias. Recentemente num acto de subjugação com vassalagem puxou as orelhas ao Parlamento português, a Passos Coelho e ao povo português, na presença de Sócrates. Merkel é a representante dos interesses agiotas dos grandes bancos alemães, que são credores de países tão importantes como a Grécia, a Irlanda, Portugal e Espanha…

Está acompanhada nessa cruzada por Barroso, Junker, Trichet e outros medíocres burocratas europeus. A senhora Merkel perde sucessivas eleições na Alemanha (hoje foram duas), não por estar exposta ao vago sentimento dos eleitores alemães avessos á solidariedade com os países periféricos em dificuldade, ou ás questões da energia nuclear (tretas, tretas…), mas porque a sua política interna e externa se identifica de forma escandalosa com os poderes económicos, deixando ao seu triste destino milhões de europeus, dentro e fora das fronteiras da Alemanha. E quando largas centenas de milhares de pessoas se manifestam em Londres, em Lisboa, em Sofia ou em Bucareste, contra a austeridade e a recessão, contra a pobreza e a precariedade, contra a guerra, por alternativas á política actual, convém identificar o dinheiro sujo e a gatunagem. A Europa morre como espaço de desenvolvimento e de progresso, não por culpa alheia, quer sejam os chineses, os americanos, a emigração do norte de África, ou o que seja, mas por sua culpa. Não são os trabalhadores os culpados desta rebaldaria, desta sujeira, que atinge o espaço europeu. É a Europa dos Sarkosy, dos Cameron, de Berlusconi, de Sócrates e de Merkel. O bom exemplo vem da gélida Islândia. Exposta aos mesmos problemas, o povo já tirou o país da recessão. Mudando o governo. Investigando e punindo os crimes sem rosto. Chumbando o resgate dos bancos. Com o povo.

Cristiano Ribeiro

sábado, 26 de março de 2011

Isabel Alçada - Avaliação foi avaliada.. e chumbou!

Apesar da prévia “guincharia” histérica do ministro Jorge Lacão e seus pares, a oposição revogou mesmo, num documento conjunto de todos os partidos, a tão contestada “avaliação dos professores”, tal como esta vinha a ser imposta pelo ministério.
Pouco adianta à infeliz e acidental ministra Isabel Alçada armar-se em analista política. Pouco adianta à ministra declarar que a proposta agora aprovada é «inviável». Inviável é o seu nefasto Governo.
A acidental ministra da Educação, provavelmente, nunca mais voltará a ser ministra seja lá do que for... tal o “brilhantismo” com que exerceu o cargo. Os seus planos “geniais” podem ser arquivados no “museu da escola” e a interrompida escritora pode retomar a sua inócua atividade.
Só sem clima de guerra, sem pressões e com o melhor para o ensino público em mente... é que outra escola será possível.

terça-feira, 22 de março de 2011

Contra a lei da bomba do imperialismo, Solidariedade com a Líbia

acção do Movimento pela Paz

amanhã, quarta-feira, 18horas, Porto,
Praceta Palestina (Rua Fernandes Tomás, à Rua Sá da Bandeira).

sábado, 19 de março de 2011

José Mário Branco - FMI (ao vivo/audio) parte 1



Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o mortimor do meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attachi-case' sai a solução!
FMI Não há graça que não faça o FMI
FMI O bombástico de plástico para si
FMI Não há força que retorça o FMI
Discreto e ordenado mas nem por isso fracoEis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder
Batendo o pé na casa, espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!
FMI Não há truque que não lucre ao FMI
FMI O heróico paranóico 'hara-quiri'
FMI Panegírico, pro-lírico daqui
Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!

FMI Não há lenha que detenha o FMI
FMI Não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ...

Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer, messe gigantesca, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no Águia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te orgulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Gandi, olha o Muchê Dyane que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus botões: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepuldra' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?A one, a two, a one two three

FMI dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! Come on Luís Vaz, 'amanda'-lhe com o José Cacila que os senhores já vão ver o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares, zás, enfio-te o Ary dos Santos no Álvaro de Cunhal, zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros, zás, enfio-te a Natalia Correia no Sá Carneiro, zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer e acabamos todos numa sardinhada ao integralismo Lusitano, a estender o braço, meio 'Roulant' preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos, malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?
FMI Dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...
Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas azeite mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica, Lourosa, Lourosa, Marraças, Marraças, fora o arbitro, gatuno, bora tudo p'ro caralho, razão tinha o Tonico de Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Teng Hsiao-Ping está a tratar de ti com o Jimmy Carter, o Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II, tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, arrefinfa-lhe o Bruce Lee, arrefinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o euroscópio, dois ou três ofeneologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma 'Graciv Morn' (??) de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-xula, pop-xula pop-xula, iehh iehh, J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti, não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia; não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal; não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte; não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir, cabrões de vindouros, ah? Sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, zórpila o fígado, arreda, 'terneio' Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...

Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...
Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto.

domingo, 13 de março de 2011

Paredes: Jantar evocativo do 90.º aniversário do PCP




(Álvaro Pinto)

(Cristiano Ribeiro)

(João Pires)

O centro da cidade de Paredes foi o palco do jantar comemorativo do 90.º aniversário do Partido Comunista Português. Ontem, cerca de uma centena de pessoas encheu um restaurante de Castelões de Cepeda, onde estava patente uma exposição evocativa dos 90 anos do PCP.
Criado em 6 de Março de 1921, o PCP ergueu-se, essencialmente com militantes saídos do anarco-sindicalismo, que representavam o que havia de mais vivo, combativo e revolucionário no movimento operário português inspirados na Revolução de Outubro e nas grandes vitórias da classe operária internacional, bem como nos ensinamentos de Marx, Engels e Lenine.
O único partido que não se dissolveu com o advento do fascismo. Nos quarenta e oito anos de ditadura de Salazar e Caetano, os comunistas estiveram na linha da frente na defesa da liberdade e da dignidade do povo português. Um Partido que conheceu a prisão, a tortura e a morte de muitos dos seus militantes.
O Partido da Revolução de Abril, das conquistas laborais e sociais ímpares na história de Portugal. O Partido que mantém a mesma capacidade de lutar num tempo em que só a luta pode vencer o capitalismo e as suas consequências, patentes nos atentados aos direitos dos trabalhadores.
Daí o apelo dos oradores da noite (Álvaro Pinto, Cristiano Ribeiro e João Pires, membro do Comité Central do PCP) à participação na manifestação do próximo sábado, 19 Março, convocada pela CGTP.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Facebook, ingenuidades e reaccionarices

Ingénuo é todo aquele que escrevendo um texto no seu blog, ou no seu mural do facebook, acredita ter enviado uma mensagem a milhões. Como o é quem acreditar que a acção marcada para 12 de Março deve a sua projecção nacional «ao facebook». Como ingénuo está a ser quem acreditar que a decisiva projecção que esta recebeu dos média nasceu da «força do facebook» e das «redes sociais».
Uma ingenuidade que encontra a sua explicação na falta de reflexão sobre o fenómeno concreto que é a internet e o facebook, no descurar da diferença entre o universo teórico de receptores de uma determinada mensagem e o universo real dos que a recebem, da importância dos factores de credebilização da informação recebida, e do esquecimento das diversas redes reais existentes nas sociedades.
É desta ingenuidade que se aproveitam os reaccionários. Afirmando – organizadamente – que as massas não se devem organizar. Apresentando às massas um programa político paralizante – a política do apoliticismo. Ilibando os responsáveis concretos pela situação a que o País chegou com o álibi da responsabilidade de todos. Promovendo a ideologia da classe dominante, que por ser minoritária e exploradora, precisa de se esconder atrás do biombo da ausência de classes antagónicas em luta. E apresentando um caminho para a acção – sem sindicatos, sem partido, sem organização, sem programa, sem alternativa – que tem tanto de inconsequente como de perigoso.
O facebook, meio real de comunicação e circulação de informação, é neste processo fetichizado, para esconder a mecânica real do processo – seja esta mecânica real a acção organizada de serviços secretos, como aconteceu nas revoluções coloridas organizadas pela CIA, seja esta mecânica real a intencional promoção de um programa político inconsequente por forças que sabem o protesto inevitável mas temem a acção organizada e transformadora das massas.
Mas não menos reaccionário é negar a existência do facebook. Existe, é uma realidade material e contraditória, onde a luta também se trava. E que dará, por exemplo, o seu contributo para o sucesso da mobilização para a jornada de luta do próximo dia 19 de Março.
Manuel Gouveia, in Avante! de 10 Março 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

CGTP não assina acordo

Porque não cauciona nem credibiliza políticas que levam ao desemprego, à precariedade, à redução dos salários, aos cortes dos benefícios sociais, ao aumento das desigualdades e à injustiça social.
Porque defende o progresso e um futuro mais justo para o país. Por isso está contra a declaração conjunta.

domingo, 6 de março de 2011

No 90º Aniversário do PCP

Ao longo destas nove décadas de existência a luta tem sido de tal forma dura, a conjuntura de tal forma agressiva, os cenários sociais e políticos tão adversos, que no exercício da nossa tarefa e acção enquanto comunistas portugueses, nos esquecemos – na fraqueza humana que sempre soubemos admitir, compreender e interpretar – tão-somente de colocar algumas palavras no sítio certo. Já o nosso camarada José Saramago levantava retoricamente a questão: “quem sabe se o mundo não seria um pouco mais decente se soubéssemos reunir umas quantas palavras que andam por aí soltas.” Não é preciso inventar nenhum novo alfabeto, nem nenhuma nova base de dados terminológica. Não é preciso mudar nem acrescentar ideias àquelas que já temos. Só é preciso que se faça um esforço maior para que se coloquem e ordenem as palavras que já “andam por aí soltas” de forma a que melhor possam servir a imensa e gloriosa luta na qual todos estamos empenhados. Isso faz-nos falta.
Talvez essa tarefa seja mais fácil que o que possamos pensar. E digo isto perguntando quantas vezes, nós, comunistas portugueses, nos esquecemos de falar, a título de exemplo paradigmático, do efectivo fim último da nossa luta. Não vou falar dos princípios económicos que nos norteiam, das traves mestras da luta social e política que desempenhamos, mas sim daquilo que provavelmente por ser tão simples e tão imediato, nos sai cada vez menos da boca e dos dedos. Todas as nossas convicções, todos os nossos actos, todos os nossos esforços, todo o nosso empenho, todos os cartazes, todos os conteúdos programáticos, todas as estratégias, toda a nossa determinação, todo este conjunto vastíssimo a que chamamos de ‘luta’, tem como fim último essa coisa tão pouco pronunciada que é a felicidade do ser humano. O que nós queremos não é senão isto. Que cada ser humano seja efectivamente feliz.
E falta-nos ainda, sempre nesta toada tão simples quanto verdadeira, que à pergunta ‘o que querem os comunistas’, saibamos responder, como há já muitos anos ‘respondeu’ o nosso camarada Álvaro Cunhal nessa obra fundamental intitulada ‘O Partido com Paredes de Vidro’: “queremos a libertação dos trabalhadores portugueses e o povo português de todas as formas de exploração e opressão; queremos liberdade de pensar, de escrever, de afirmar, de criar; queremos o direito à verdade; queremos colocar os principais meios de produção, não ao serviço do enriquecimento de alguns poucos para a miséria de muitos mas ao serviço do nosso povo e da nossa pátria; queremos erradicar a fome, a miséria e o desemprego; queremos garantir a todos o bem-estar material e o acesso à instrução, à educação e à cultura; queremos a expansão da ciência, da técnica e da arte; queremos assegurar à mulher a efectiva igualdade de direitos e de condição social; queremos assegurar à juventude o ensino, a cultura, o trabalho, o desporto, a saúde e a alegria; queremos criar uma vida feliz para as crianças e anos tranquilos para os idosos; queremos afirmar a independência nacional na defesa intransigente da integridade territorial, da soberania, da segurança e da paz e no direito do povo português a decidir do seu destino; queremos a construção em Portugal de uma sociedade socialista, uma sociedade de liberdade e de abundância, em que o Estado e a política estejam inteiramente ao serviço do bem e da felicidade do ser humano.”
É pela felicidade do Homem que lutámos e vamos continuar a lutar. Hoje, como há 90 anos, a luta por esse derradeiro fim continua e há-de continuar.
Parabéns ao PCP.
Viva o PCP!
Viva Portugal!

Carnaval de Lordelo 2011


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terça-feira, 1 de março de 2011

Mandato Aberto do PCP dedicado ao Sector do Mobiliário


No âmbito da acção nacional do PCP “Portugal a Produzir”, os deputados do PCP eleitos pelo distrito do Porto, Honório Novo e Jorge Machado, realizaram no dia 28 de Fevereiro um conjunto de reuniões e visitas a empresas e entidades relacionadas com o sector do mobiliário.
O programa deste Mandato Aberto consistiu em reuniões com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção e Madeiras de Portugal, com a Associação Empresarial de Paços de Ferreira e em várias visitas a empresas do mobiliário, quer do ramo comercial quer industrial.
As informações recolhidas confirmam que a retracção do mercado interno, consequência da diminuição do poder de compra dos portugueses, tem causado sérias dificuldades às empresas, sobretudo às mais dependentes do mercado nacional, e com especial impacto na vertente comercial.
Outras das queixas apresentadas pelos empresários do sector, têm a ver com a crescente dificuldade em obter financiamento na banca, o fim das SCUT’s e a carga fiscal excessiva, nomeadamente o pagamento especial por conta e o pagamento do IVA no momento da facturação, impostos que se afiguram como particularmente prejudiciais para empresas com reduzida liquidez.
Apesar do sector do Mobiliário assumir uma posição cada vez mais importante nas exportações nacionais - 60% da produção é exportada, facto que contribui para aumentar a sua capacidade de resistência à crise - neste momento estão muitas empresas a encerrar, em particular no sector comercial mas também nas empresas de produção de menor dimensão.Em consequência, o número de trabalhadores do mobiliário desempregados tem vindo a aumentar.
Várias das medidas apresentadas pelo PCP na Assembleia da República que visando apoiar as micro, pequenas e médias empresas, nomeadamente a extinção do Pagamento Especial por Conta, o pagamento do IVA com base nos recibos e não nas facturas, a diminuição da taxa de IRC para as pequenas empresas e aumento para os grandes grupos económicos, colheram apoio junto dos empresários com que a delegação do PCP se encontrou.
O PCP irá ainda apresentar uma pergunta ao Governo relativamente ao papel que a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal pode desempenhar no lançamento e promoção da indústria do Mobiliário nacional no estrangeiro.
28.02.2011
Direcção Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega