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sexta-feira, 11 de março de 2011

Facebook, ingenuidades e reaccionarices

Ingénuo é todo aquele que escrevendo um texto no seu blog, ou no seu mural do facebook, acredita ter enviado uma mensagem a milhões. Como o é quem acreditar que a acção marcada para 12 de Março deve a sua projecção nacional «ao facebook». Como ingénuo está a ser quem acreditar que a decisiva projecção que esta recebeu dos média nasceu da «força do facebook» e das «redes sociais».
Uma ingenuidade que encontra a sua explicação na falta de reflexão sobre o fenómeno concreto que é a internet e o facebook, no descurar da diferença entre o universo teórico de receptores de uma determinada mensagem e o universo real dos que a recebem, da importância dos factores de credebilização da informação recebida, e do esquecimento das diversas redes reais existentes nas sociedades.
É desta ingenuidade que se aproveitam os reaccionários. Afirmando – organizadamente – que as massas não se devem organizar. Apresentando às massas um programa político paralizante – a política do apoliticismo. Ilibando os responsáveis concretos pela situação a que o País chegou com o álibi da responsabilidade de todos. Promovendo a ideologia da classe dominante, que por ser minoritária e exploradora, precisa de se esconder atrás do biombo da ausência de classes antagónicas em luta. E apresentando um caminho para a acção – sem sindicatos, sem partido, sem organização, sem programa, sem alternativa – que tem tanto de inconsequente como de perigoso.
O facebook, meio real de comunicação e circulação de informação, é neste processo fetichizado, para esconder a mecânica real do processo – seja esta mecânica real a acção organizada de serviços secretos, como aconteceu nas revoluções coloridas organizadas pela CIA, seja esta mecânica real a intencional promoção de um programa político inconsequente por forças que sabem o protesto inevitável mas temem a acção organizada e transformadora das massas.
Mas não menos reaccionário é negar a existência do facebook. Existe, é uma realidade material e contraditória, onde a luta também se trava. E que dará, por exemplo, o seu contributo para o sucesso da mobilização para a jornada de luta do próximo dia 19 de Março.
Manuel Gouveia, in Avante! de 10 Março 2011

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