BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

domingo, 6 de março de 2011

No 90º Aniversário do PCP

Ao longo destas nove décadas de existência a luta tem sido de tal forma dura, a conjuntura de tal forma agressiva, os cenários sociais e políticos tão adversos, que no exercício da nossa tarefa e acção enquanto comunistas portugueses, nos esquecemos – na fraqueza humana que sempre soubemos admitir, compreender e interpretar – tão-somente de colocar algumas palavras no sítio certo. Já o nosso camarada José Saramago levantava retoricamente a questão: “quem sabe se o mundo não seria um pouco mais decente se soubéssemos reunir umas quantas palavras que andam por aí soltas.” Não é preciso inventar nenhum novo alfabeto, nem nenhuma nova base de dados terminológica. Não é preciso mudar nem acrescentar ideias àquelas que já temos. Só é preciso que se faça um esforço maior para que se coloquem e ordenem as palavras que já “andam por aí soltas” de forma a que melhor possam servir a imensa e gloriosa luta na qual todos estamos empenhados. Isso faz-nos falta.
Talvez essa tarefa seja mais fácil que o que possamos pensar. E digo isto perguntando quantas vezes, nós, comunistas portugueses, nos esquecemos de falar, a título de exemplo paradigmático, do efectivo fim último da nossa luta. Não vou falar dos princípios económicos que nos norteiam, das traves mestras da luta social e política que desempenhamos, mas sim daquilo que provavelmente por ser tão simples e tão imediato, nos sai cada vez menos da boca e dos dedos. Todas as nossas convicções, todos os nossos actos, todos os nossos esforços, todo o nosso empenho, todos os cartazes, todos os conteúdos programáticos, todas as estratégias, toda a nossa determinação, todo este conjunto vastíssimo a que chamamos de ‘luta’, tem como fim último essa coisa tão pouco pronunciada que é a felicidade do ser humano. O que nós queremos não é senão isto. Que cada ser humano seja efectivamente feliz.
E falta-nos ainda, sempre nesta toada tão simples quanto verdadeira, que à pergunta ‘o que querem os comunistas’, saibamos responder, como há já muitos anos ‘respondeu’ o nosso camarada Álvaro Cunhal nessa obra fundamental intitulada ‘O Partido com Paredes de Vidro’: “queremos a libertação dos trabalhadores portugueses e o povo português de todas as formas de exploração e opressão; queremos liberdade de pensar, de escrever, de afirmar, de criar; queremos o direito à verdade; queremos colocar os principais meios de produção, não ao serviço do enriquecimento de alguns poucos para a miséria de muitos mas ao serviço do nosso povo e da nossa pátria; queremos erradicar a fome, a miséria e o desemprego; queremos garantir a todos o bem-estar material e o acesso à instrução, à educação e à cultura; queremos a expansão da ciência, da técnica e da arte; queremos assegurar à mulher a efectiva igualdade de direitos e de condição social; queremos assegurar à juventude o ensino, a cultura, o trabalho, o desporto, a saúde e a alegria; queremos criar uma vida feliz para as crianças e anos tranquilos para os idosos; queremos afirmar a independência nacional na defesa intransigente da integridade territorial, da soberania, da segurança e da paz e no direito do povo português a decidir do seu destino; queremos a construção em Portugal de uma sociedade socialista, uma sociedade de liberdade e de abundância, em que o Estado e a política estejam inteiramente ao serviço do bem e da felicidade do ser humano.”
É pela felicidade do Homem que lutámos e vamos continuar a lutar. Hoje, como há 90 anos, a luta por esse derradeiro fim continua e há-de continuar.
Parabéns ao PCP.
Viva o PCP!
Viva Portugal!

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