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segunda-feira, 28 de março de 2011

O dinheiro e a gatunagem

São inúmeros os casos em que se constata que o dinheiro sujo tem sido a verdadeira motivação de muitos dos responsáveis políticos na Europa.

Ainda recentemente três deputados do Parlamento Europeu renunciaram ao mandato popular quando foram denunciados por um jornal inglês por aceitar pagamentos pela introdução de emendas em legislação regulada pela União Europeia. E não eram gente anónima e pouco responsável: um antigo Ministro austríaco do interior, um antigo Ministro esloveno dos Negócios Estrangeiros, um antigo vice-primeiro Ministro romeno. Nós temos um Armando Vara. Ele recebeu no ano passado 562.192,38 Euros como indemnização pela sua saída da gestão executiva do BCP. A este montante, juntam-se os 260 mil Euros recebidos de Janeiro a Julho de 2010, altura em que renunciou ao cargo, após o envolvimento do seu nome no processo judicial Face Oculta. Esta decisão remuneratória foi tomada pelo Conselho Geral e Supervisão do BCP, que vai ter em Abril caras novas: Daniel Bessa, o embaixador e ex–Ministro dos Negócios Estrangeiros António Monteiro, Leonor Beleza e um líder dos interesses financeiros de Angola. Os amigos, agora e no futuro, são para as ocasiões…

Temos também um novo assessor político de Cavaco Silva que é filho de socialista Jaime Gama e delfim do falecido fiscalista Saldanha Sanches. Fronteiras ideológicas “interessantes”…

Mas cheguemos ao essencial, ao dinheiro e à gatunagem. Angela Merkel é uma figura roliça que transitoriamente é Chanceler Alemã. Alguns chamam-na de contabilista de Leipzig, outros realçam o facto de ter sido considerada em 2009 a mulher mais poderosa do mundo. Apresenta-se como a presidente de facto da Comissão Europeia e tutora moral das boas práticas politicas dos países, a começar nos deficites orçamentais. É o Papa do neo Vaticano Financeiro que tem por dogma o neoliberalismo radical, a flexibilidade das condições laborais, o primado das grandes corporações industriais e monetárias europeias. Recentemente num acto de subjugação com vassalagem puxou as orelhas ao Parlamento português, a Passos Coelho e ao povo português, na presença de Sócrates. Merkel é a representante dos interesses agiotas dos grandes bancos alemães, que são credores de países tão importantes como a Grécia, a Irlanda, Portugal e Espanha…

Está acompanhada nessa cruzada por Barroso, Junker, Trichet e outros medíocres burocratas europeus. A senhora Merkel perde sucessivas eleições na Alemanha (hoje foram duas), não por estar exposta ao vago sentimento dos eleitores alemães avessos á solidariedade com os países periféricos em dificuldade, ou ás questões da energia nuclear (tretas, tretas…), mas porque a sua política interna e externa se identifica de forma escandalosa com os poderes económicos, deixando ao seu triste destino milhões de europeus, dentro e fora das fronteiras da Alemanha. E quando largas centenas de milhares de pessoas se manifestam em Londres, em Lisboa, em Sofia ou em Bucareste, contra a austeridade e a recessão, contra a pobreza e a precariedade, contra a guerra, por alternativas á política actual, convém identificar o dinheiro sujo e a gatunagem. A Europa morre como espaço de desenvolvimento e de progresso, não por culpa alheia, quer sejam os chineses, os americanos, a emigração do norte de África, ou o que seja, mas por sua culpa. Não são os trabalhadores os culpados desta rebaldaria, desta sujeira, que atinge o espaço europeu. É a Europa dos Sarkosy, dos Cameron, de Berlusconi, de Sócrates e de Merkel. O bom exemplo vem da gélida Islândia. Exposta aos mesmos problemas, o povo já tirou o país da recessão. Mudando o governo. Investigando e punindo os crimes sem rosto. Chumbando o resgate dos bancos. Com o povo.

Cristiano Ribeiro

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