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sexta-feira, 22 de abril de 2011

FMI para leigos



Façamos uma espécie de ficha.
O FMI é uma estrutura de coordenação financeira do grande capital transnacional. O seu objectivo declarado é uma quadratura do círculo: o capitalismo pretenderia, com a sua criação, estabilizar o seu sistema monetário e preservá-lo das crises cíclicas do capitalismo.
Os países membros têm direito a voto na proporção da sua contribuição para o Fundo. Os 10 maiores contribuintes – EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Arábia Saudita, R. P. China, Canadá, Rússia – representam 55,3% da capacidade total de votos. De todos os países membros do seu conselho executivo, apenas um tem direito de veto – os EUA.
Na história do FMI destaca-se a simpatia por ditaduras fascistas e tiranias militares. Certamente porque regimes desse tipo facilitam a aplicação das suas «receitas de estabilização financeira», cujo padrão comum são os cortes nos serviços públicos e nos direitos dos trabalhadores, as privatizações, as «medidas de austeridade» para o povo. Os resultados conseguidos são, em todos os casos, muito semelhantes: o apoio do FMI ao Chile de Pinochet traduziu-se num aumento da dívida de 47%; ao Haiti de Jean-Claude Duvalier, de 78%; à Indonésia de Suharto, de 98%; ao Paraguai de Stroessner, de 96%1.
O actual presidente do FMI é um «socialista» francês, Dominique Strauss-Kahn. Entre o seu vasto currículo, tem o nome associado a um relatório que documenta o carácter radicalmente antidemocrático do projecto de «construção europeia» do grande capital. Datado de 2004, as suas «50 propostas»2 traçam o caminho da união política de uma UE federal, imperialista, comandada pelas grandes potências europeias, construída segundo um programa verdadeiramente totalitário em que os pequenos países seriam inteiramente esmagados. A primeira etapa desse processo já está concretizada com a aprovação, com outro nome, da «constituição europeia» que esse relatório preconizava.
A saída da crise não passa pelo FMI, por esta UE, pelo grande capital europeu. Passa pelo combate contra a sua ingerência e pela recusa das suas receitas.

Filipe Diniz, in Avante! de 21 Abril 2011

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