BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

quinta-feira, 30 de junho de 2011

NOVA VASSALAGEM

Subitamente os periódicos, a rádio,
propõem virilmente a indignação.

Doloroso é o instante em que a fissura
ameaça a ordem, abala a tradição,
golpeia a calma espessa que sugere
falsamente uma paz.

É preciso de novo, é necessário
confirmar.

Aqui, além, os esteios renem.
Falam do tempo, dos seus vários comércios;
pesam o valor do susto que os ronda.

Redigem o impresso, a anestesia. Assinam
em rigorosa ordem hierárquica.

O telegrama parte.


Egito Gonçalves

terça-feira, 28 de junho de 2011

Assembleia de Freguesia de Lordelo - 27 Junho 2011

(O problema da falta de transportes públicos foi um dos temas em discussão)

Numa sessão calma e marcada pela ausência de Domingos Taipa de Sousa, recentemente falecido, que foi substituído por Ana Isabel Neves, a primeira intervenção da noite coube a Miguel Correia.
O deputado da CDU apresentou um voto de pesar pela morte do deputado socialista, aprovado por todos os deputados da Assembleia. Ainda no período antes da ordem do dia, a bancada do PSD apresentou uma moção de confiança ao Executivo da Junta relativamente à defesa dos terrenos que considera baldios entre o cruzeiro de Meda e o estádio do Aliados, a qual foi aprovada por unanimidade. Sobre esta questão, Joaquim Mota, presidente da Junta de Freguesia, informou que é alvo de uma queixa-crime por parte do proprietário da empresa Liga, Luís Almeida.
No período dedicado ao relatório de actividades, e aludindo a uma reunião que o Executivo e o presidente da Câmara tiveram com o director dos CTT, Miguel Correia questionou quais as conclusões deste encontro e se a permanência da estação dos CTT de Lordelo estava em causa, num quadro em que já várias estações encerraram, como por exemplo, a de Cête. Mota afiançou que o encerramento da estação de Lordelo não está em causa e afirmou que o edifício da Junta está disponível, se necessário for, para acolher os serviços de correios.
Aproveitou também para apresentar quais as pessoas e instituições que vão ser homenageadas no próximo “Lordelo Agradece”, marcado para a próxima sexta-feira, dia 1 de Julho, data de elevação de Lordelo a cidade.
Relativamente à postura de trânsito, o Executivo informou que vai haver alterações junto ao edifício Castelo e edifício Fontenário.
No período destinado ao público, destacaram-se as intervenções de Fernando Ferreira Lopes e de Mário Moreira da Silva.
O primeiro freguês lembrou que várias carreiras que faziam o percurso Lordelo/Porto, da responsabilidade da empresa rodoviária Pacense, terminaram, com prejuízo para a população. Exortou para a necessidade de melhorar as condições da Travessa da Corujeira, rua apertada e dificilmente transitável, e da rua de Soutelo que não tem saída, a necessitar de sinalização. O presidente da Junta disse já ter pressionado a Pacense de forma a repor as carreiras desactivadas.
O segundo cidadão, membro do PCP/Lordelo, referiu a necessidade da Junta de Freguesia ter mais serviços, de forma a evitar as burocracias, e consequente, transtornos aos munícipes. Deu como exemplo: alguém que queira fazer uma queimada tem de sujeitar-se a um processo moroso e complicado, que podia ser evitável se a Junta tivesse serviços que auxiliassem ou resolvessem esse género de situações.
Joaquim Mota concordou com a necessidade de desburocratizar, mas lembrou que se tratam de leis nacionais, só possíveis de serem alteradas por outras instituições que ultrapassam o âmbito das competências de uma Junta de Freguesia.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Relato da Sessão da Assembleia Municipal de Paredes de 25 de Junho

Dois momentos diferentes: o Período Antes da Ordem do Dia e o Período da Ordem do Dia.
No primeiro, quase todas as bancadas falaram do resultado das eleições de 5 de Junho, parabenizando o PSD pelo resultado nacional e sua expressão local e defendendo a “paz” e “concertação” social.
O eleito da CDU Cristiano Ribeiro lembrou o novo ciclo político, traduzido numa homogeneidade de orientação política da direita clássica quer na Presidência da República, quer na maioria parlamentar e no governo, quer no executivo autárquico local, estendendo-se até á influência nas políticas comunitárias graças á presença de Durão Barroso. Concluiu que assumindo essa direita clássica as consequências de um memorando de orientações externas, que na prática tornam Portugal num protectorado, deixa de ser legítimo e ético qualquer tentativa futura de desculpabilização ou fuga de responsabilidades pelas soluções não conformes aos interesses populares tomadas (pelo PSD ou PSD/CDS) aos diferentes níveis do poder político. O caminho passa por uma oposição afirmativa e propostas alternativas. Falou igualmente das peripécias decorrentes do requerimento relativo á presença de animais na Escola Secundária de Baltar bem como da pergunta formulada pela bancada comunista na AR por causa do encerramento do posto de Correios de Cête.
No Período da Ordem do Dia houve uma aprovação quase sempre generalizada dos pontos em discussão e aprovação, salientando-se apenas como objecto de crítica o aumento do capital social de uma empresa municipal, a Agência Municipal de Investimentos de Paredes, e um novo pedido de empréstimo ao Banco Europeu de Investimentos.
No ar, ficou a tradicional crispação entre Celso Ferreira e o PS, com uma sequência de alfinetadas de uma inoportunidade e mau-gosto inenarráveis, bem como o papel manipulador de Granja da Fonseca, sempre oportuno em dividir para reinar. “Discutiu-se” um problema banal da campanha eleitoral de forma a transformá-lo no PROBLEMA DE PAREDES. A porta do salão bateu fortemente por três vezes (entrada e saída de Celso Ferreira e saída de Artur Penedos), os dedos estiveram em riste (Celso Ferreira : “eu não lhe admito…”), houve um cartão amarelo de Celso Ferreira para a bancada do PSD (“está a dormir…) e o PS lembrou que Celso Ferreira se ofereceu algures no tempo para liderar o PS local e propôs noutro momento atribuir a medalha de ouro da Cidade a …José Sócrates.
No meio apareceu o problema da reorganização administrativa, com alguns mais permissivos outrora á extinção de freguesias hoje defendendo o contrário.
No geral, deve-se concluir que com tais intervenientes, com Granja da Fonseca, Celso Ferreira, Luciano Gomes, Artur Penedos e a alma penada de José Sócrates, a democracia em Paredes não passa de um lamentável equívoco.

domingo, 26 de junho de 2011

Rapaz do bairro de lata

Nasci no Vale Escuro
Brinquei entre latas
Pulei o alão
Andei à pedrada
Escorreguei do muro
Caí no jará
Ganhei ao pião.
A jogar à bola
Perdi a sacola
Mais o que trazia
A fugir ao guarda
Que nos perseguia.
Mas que bem sabia
Faltarmos à escola!

Já rapaz crescido
Sequer fui ouvido
Só meu pai o quis:
Entrei de aprendiz
Para uma oficina
Minha negra sina
Ofício gritado
Estalo safanão
Era um pau-mandado
Nas mãos do patrão.


Lembrança dos jogos
Que tanto gostava
Deu-me pra pensar
Que jogo era aquele
Que só um jogava?
E no outro dia
Logo que o patrão
Levantou da mão
Para a bofetada
Peguei num martelo
Entrei na jogada.


Mudei de oficina
Subi a aprendiz
Dobrei uma esquina
Minha vida fiz.
Na escola nocturna
Meti-me a estudar
Tenho namorada
Vamos namorar
Tenho amigos certos
Vamos trabalhar
Todos a lutar
Pelas coisas da vida
Que queremos viver!

Manuel da Fonseca

sábado, 25 de junho de 2011

Sessão ordinária da Assembleia de Freguesia de Lordelo

27 Junho 2011, 21h

Ordem de trabalhos:
1 - Período antes da ordem do dia;
2 - Votação e aprovação da acta da sessão anterior;
3 - Relatório de actividades do 2.º trimestre de 2011;
4 - Toponímia/postura de trânsito;
5 - Período de trinta minutos para intervenção do público.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

S. João 2011

Dois desaparecimentos simbólicos

Na estrutura da próxima comissão executiva do programa da troika - o chamado governo PSD/CDS-PP – desapareceram várias áreas ministeriais. Duas têm um evidente significado simbólico: o Trabalho e a Cultura.
O Trabalho some-se - reduzido à designação de emprego na Economia (a parte menor), e de desemprego na Segurança Social (a parte maior) – correspondendo, nesse sentido, à perspectiva destruidora e recessiva do «memorando».
A Cultura regressa ao estatuto de secretaria de Estado. Sobre essa matéria é bom clarificar quatro pontos.
O primeiro é que esse retrocesso confirma a conhecida aversão da direita pela cultura.
O segundo é que bem podem vir agora os responsáveis do PS lastimar este retrocesso. Foram os desastrosos governos Sócrates que lhe abriram caminho, com os orçamentos de miséria que aprovaram e com a reestruturação interna que empreenderam, cujo resultado foi um Ministério da Cultura provavelmente com menores meios e capacidade de intervenção do que a própria secretaria de Estado que o antecedeu.
O terceiro é que este retrocesso anuncia uma nova aceleração na desresponsabilização do Estado em relação à Cultura.
O quarto é que em toda a UE a Cultura tem sido devastada pelas medidas de «austeridade» comandadas pelo capital financeiro.
O responsável indigitado pela secretaria de Estado respondeu a um inquérito do jornal Sol (3.06.2011). O título escolhido pelo jornal é sintomático: «Libertar a Cultura do Estado». O depoimento só não é igualmente claro porque, em diferentes matérias, manifesta bastante ignorância acerca do que está em causa. Mas o essencial fica dito e deve ter resposta desde já.
Se chegamos a 2011 com uma situação em que não existe área da Cultura que não atravesse uma gravíssima crise isso deve-se, não a «Estado a mais», mas a anos de desresponsabilização do Estado e de mercantilização da Cultura.
Sem a responsabilização do Estado a Cultura fica entregue ao mercado. E o mercado exclui o direito à igualdade de todos no acesso à fruição e à criação cultural que a democracia reclama e a Constituição consagra.
No desaparecimento do Trabalho e da Cultura o governo PSD/CDS-PP dá um claro sinal da radicalização antidemocrática que aí vem.

Filipe Diniz, in Avante!

Por uma Política Patriótica e de Esquerda!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sessão ordinária da Assembleia Municipal de Paredes

25 Junho 2011, 14h30

Ler ordem de trabalhos aqui

Sobre a composição e opções políticas do governo PSD/CDS-PP

Ler em PCP

No Coração, Talvez

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão.
Que o acaso de sermos o justifique,
Eis o que dói, talvez do coração.
.
José Saramago, in "Poemas Possíveis"

quarta-feira, 15 de junho de 2011

PAULO PORTAS MINISTRO?



Ana Gomes provocou uma tempestade mediática com as suas declarações sobre Paulo Portas. Considero muito Ana Gomes, uma mulher de causas, frontal, corajosa, diplomata com muito relevantes serviços prestados a Portugal e à Humanidade. Confesso que me escapa alguma da sua argumentação contra Paulo Portas e não alcanço a invocação do exemplo de Strauss-Kahn. Mas estou com ela na sua conclusão: Paulo Portas não deve ser ministro na República Portuguesa. Partilho inteiramente a conclusão ainda que através de diferentes premissas. Paulo Portas, enquanto ministro da Defesa Nacional de anterior governo, mentiu deliberadamente aos portugueses sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque, que serviram de pretexto para a guerra de agressão anglo-americana desencadeada em 2003. Sublinho o deliberadamente porque, não há muito tempo, num frente-a-frente televisivo, salvo erro na SICNotícias, a deputada do CDS Teresa Caeiro mostrou-se muito ofendida por Alfredo Barroso se ter referido a este caso exactamente nesses termos.
A verdade é que Paulo Portas, regressado de uma visita de Estado aos EUA, declarou à comunicação social que “vira provas insofismáveis da existência de armas de destruição maciça no Iraque” (cito de cor mas as palavras foram muito aproximadamente estas). Ele não afirmou que lhe tinham dito que essas provas existiam. Não. Garantiu que vira as provas. Ora, como as armas não existiam logo as provas também não, Portas mentiu deliberadamente. E mentiu com dolo, visto que a mentira visava justificar o envolvimento de Portugal naquela guerra perversa e que se traduziu num desastre estratégico. A tese de que afinal Portas foi enganado não colhe. É a segunda mentira. Portas não foi enganado, enganou.
Um político que usa assim, fraudulentamente, o seu cargo de Estado, não deve voltar a ser ministro. Mas já não é a primeira vez que esgrimo argumentos pelo seu impedimento para funções ministeriais. Em 12 de Abril de 2002 publiquei um artigo no Diário de Notícias em que denunciava o insulto de Paulo Portas à Instituição Militar, quando classificou a morte em combate de Jonas Savimbi como um “assassinato”. Note-se que a UNITA assumiu claramente – e como tal fazendo o elogio do seu líder –, a sua morte em combate. Portas viria pouco depois dessas declarações a ser nomeado ministro e, por isso, escrevi naquele texto: «O que se estranha, porque é grave, é que o autor de tal disparate tenha sido, posteriormente, nomeado ministro da Defesa Nacional, que tutela as Forças Armadas. Para o actual ministro da Defesa Nacional, baixas em combate, de elementos combatentes, particularmente de chefes destacados, fardados e militarmente enquadrados, num cenário e teatro de guerra, em confronto com militares inimigos, também fardados e enquadrados, constituem assassinatos. Os militares portugueses sabem que, hoje, se forem enviados para cenários de guerra […] onde eventualmente se empenhem em acções que provoquem baixas, podem vir a ser considerados, pelo ministro de que dependem, como tendo participado em assassinatos. Os militares portugueses sabem que hoje, o ministro da tutela, considera as Forças Armadas uma instituição de assassinos potenciais».
Mantenho integralmente o que então escrevi. Um homem que, com tanta leviandade, mente e aborda assuntos fundamentais de Estado, carece de dimensão ética para ser ministro da República. Lamentavelmente já o foi uma vez. Se voltar a sê-lo, como cidadão sentir-me-ei ofendido. Como militar participante no 25 de Abril, acto fundador do regime democrático vigente, sentir-me-ei traído.


DN, 13 Junho 2011
PEDRO DE PEZARAT CORREIA

domingo, 12 de junho de 2011

Da subjectividade ao preconceito

Uma das mistificações mais evidentes da análise dos politólogos “encartados” da nossa praça consiste em falar de um eleitorado “fiel” da parte da CDU, e que se manteria imutável, assim se justificando (com algum pesar deles, diga-se) a boa resistência da votação eleitoral e pré-anunciando (com algum esforço deles, diga-se) a impossibilidade do seu crescimento.

Um tal esquema de pensamento adapta-se com alguma lógica aos que interpretam a realidade de acordo com os seus desejos: um acantonamento da CDU, a meio caminho entre a impotência e a inconsequência. Mas a realidade desmente-os sem piedade.

Vejamos os resultados presentes e a sua evolução, desde 2005, 2009 até ao presente, em 2011. Comparemos a força eleitoral da CDU em eleições similares, as legislativas.

Os avanços ocorrem em continuidade, gradual, progressivamente, nos Distritos de Aveiro, Bragança, Coimbra, Faro, Guarda, Porto, Viana do Castelo e nos Açores.

No Distrito do Porto, o mesmo acontece em Baião, Felgueiras, Gaia, Gondomar, Maia, Matosinhos, Paços de Ferreira, Paredes, Porto, Póvoa, Santo Tirso, Trofa, Valongo, Vila do Conde.

No Concelho de Paredes e estendendo a 2002 e até 2011, o mesmo acontece em Baltar, Castelões de Cepeda, Gandra, Lordelo, Sobreira, Sobrosa, Vandoma, Vilela.

Em outros distritos, muitos outros concelhos e muitas outras freguesias a evolução é diferente, com avanços e recuos. A expressão eleitoral do PCP e da CDU cresce globalmente, pouco expressiva mas sistematicamente, com focos positivos regionais, em zonas de difícil implantação como no Norte e Centro do país, Faro e Açores.

O eleitorado “estático” da CDU é portanto uma ficção. Contra ventos e marés, a CDU avança.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Domingos Taipa de Sousa faleceu

Domingos Taipa de Sousa, 47 anos, deputado do PS na Assembleia de Freguesia de Lordelo, faleceu ontem. Conhecido lordelense, teve sempre um papel activo em várias instituições da nossa cidade.
A Organização da Freguesia de Lordelo do PCP manifesta as condolências aos familiares e amigos da vítima.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Notas sobre os resultados eleitorais

1. Soberanamente, o povo decidiu votar à direita numa altura em que mais necessário seria votar à esquerda. Foram maioritariamente escolhidos dois dos três partidos que se comprometeram com o programa de governo do FMI. Passos Coelho e o PSD não foram eleitos nem pelas ideias, nem pelo seu programa – que os portugueses não leram – mas sim porque uma larga fatia da população o que quis, na verdade, foi livrar-se de José Sócrates. Votaram útil naquele que, segundo a lei das sondagens, teria maior probabilidade de ganhar. Aliás, como tantas outras vezes aconteceu e com os brilhantes resultados que se conhecem.
2. O povo terá certamente ouvido, com muita atenção, a mensagem sempre isenta e impoluta do Presidente da República, que disse, e passo a citar: “A acção do novo Governo, ao contrário do que por vezes se diz, não vai estar limitada ao cumprimento do memorando de entendimento que foi acordado com as instituições internacionais. O novo Governo terá muito mais para decidir e fazer, de modo a garantir a justiça social, o crescimento da economia e o combate ao desemprego.” Traduzindo: apesar dos malvadões esquerdistas andarem para aí a dizer que o programa da troika é que vai decidir o rumo político e económico do país, que uma vez mais a economia se vai sobrepor à política, que a alta finança é quem vai ditar o nosso rumo durante os próximos anos, a verdade que me dá jeito a mim, ao meu partido e aos interesses que defendo, é que todos entendamos que há muita margem de decisão e que é muito importante votar no PSD.
3. Depois dos resultados conhecidos e das reacções dos diferentes partidos, repetiu-se a já patológica reacção anti-comunista à reacção comunista. Disse-se exaustivamente, num rasgo de inteligência e original capacidade analítica, que a CDU cantou vitória e que “ganha sempre”. E, peço desculpa por dizê-lo mas… disseram-no com muita razão. Onde é que já se viu, numa eleição em que o objectivo é eleger mais deputados para a Assembleia da República, considerar-se positivo o facto de se conseguir eleger mais deputados para a Assembleia da República? Um óbvio disparate da CDU.
4. No rescaldo das últimas eleições presidenciais, escrevi aqui que o apoio do Bloco a Manuel Alegre iria reflectir-se com claro prejuízo para os bloquistas. Foi uma das razões do desastre eleitoral do Bloco mas não a única, nem sequer talvez a mais importante. A verdade é que ficou claro, pela análise da votação, que tendo a CDU mantido o nº de votos e conseguido mais um deputado, o eleitorado que votava BE foi direitinho para a direita! Um partido com base indefinida, que salta de causa em causa sem saber que margem atingir, só pode ter um eleitorado igualmente “saltitante”, ou na pior das hipóteses, um eleitorado claramente de direita que teve um comportamento sazonal e que, desencantada com o outrora entusiasmante Louçã, agora decidiu regressar à base. Não se pense que me satisfaz este resultado do Bloco, que tem na sua base partidos e militantes de esquerda, mas não se pode deixar de observar criticamente a conduta profunda e estruturalmente errada da sua cúpula dirigente.
5. Não consegui deixar de atentar num pormenor aparentemente irrelevante. Em 2009, apareceu insistentemente na comunicação social o rótulo de “última força política”, associado, na altura, à CDU. Fui estando, o mais que pude, atento aos informes eleitorais e a conclusão a que chego é que, passados apenas dois anos, a “tabela classificativa” deixou de ter qualquer relevância. De repente, houve um 1º lugar em tom de maioria absoluta, um 3º que parece ser 2º, e um 4º que perde mas que “ganha sempre”. Terão pensado os editores, jornalistas e comentadores que talvez seja muito confuso (e incómodo) estabelecer classificações e que por isso é melhor deixar os rótulos de “primeiros” e “últimos” para o futebol. Acho muito bem!
6. Para terminar, gostaria de sugerir aqui uma medida prática, que poderia ser, creio eu, de muito melhor proveito para todos. Que o chamado “Dia de Reflexão” deixasse de ser o dia imediatamente anterior ao acto eleitoral, e que passasse a ser o dia imediatamente posterior ao acto eleitoral. No dia anterior já todos reflectiram sobre as sondagens, sobre os que mais vezes apareceram na televisão, sobre os mais bonitos e elegantes, sobre os que não gostam e sobre os que “talvez” venham a gostar. No dia seguinte, regressando ao trabalho ou dando pela falta dele, pagando as contas ou dando pela impossibilidade de o fazer, pagando transportes, portagens, propinas e tudo o mais que os mesmos de sempre determinaram com as respectivas políticas, talvez seja mais fácil correlacionar a efectiva realidade com o voto dado, e talvez a reflexão seja mais lúcida e consequentemente mais produtiva no futuro. Fica a sugestão!


terça-feira, 7 de junho de 2011

Reunião do Comité Central

O Comité Central do PCP apreciou os resultados das eleições legislativas do passado dia 5 de Junho e os previsíveis desenvolvimentos que deles decorrem. Procedeu a uma análise da situação económica e social do país com, particular destaque para os elementos decorrentes do programa de agressão e submissão do FMI/BCE/EU. Debateu e fixou as principais tarefas do Partido.
Em relação aos resultados eleitorais e no que se refere à CDU, o Comité Central considera que eles constituem um novo e estimulante sinal do sentido do crescimento sustentado dos últimos anos.


Ler mais em PCP

Reflexões eleitorais

1) No jogo da alternância, o insuportável José Sócrates perdeu para um medíocre Passos Coelho.

A fulanização da política e a encenação dos conflitos traz consigo o primado do discurso vazio, a ausência de propostas, de responsabilidades, de perspectivas futuras. Sócrates já não vendia qualquer produto, qualquer solução, afundado numa cassete viciada de vitimização pela crise, pelo estrangeiro, pelas oposições parlamentares. Passos Coelho colhe uma sementeira alheia, a que associa escárnio e maldizer a rodos, e uma extraordinária cumplicidade dos poderes mediáticos que em certo momento, já tardio da campanha, decidem que ele é o “seu Homem”. E no vazio de ideias, ou na sua incongruência, como na ausência de currículo, muitos justificaram o apoio cego.


2) Exposto o essencial, fica o papel secundário do homem do boné, o Paulo Portas. A sua disponibilidade para o Governo, explica –se, por uma insuperável necessidade de exercer o poder em nome dos interesses de uma faixa conservadora e retrógrada da sociedade. Seja quem for o aliado, importa encontrar o pote.


3) As forças da Esquerda mostraram a sua real capacidade agora, afastadas as ilusões e as contabilidades hegemónicas. Há uma Esquerda, que resiste social e politicamente, que cresce eleitoralmente, sem abdicar de princípios – é o PCP, integrado na coligação CDU. Não se afirma Moderna porque transporta consigo ensinamentos actualizados de um passado heróico. Não se afirma Renovada porque não prescinde de nenhum valor, identidade ou solidariedade que a formou no passado. Não se quer nas boas graças do Sistema, ou dele auferindo envenenadas prebendas.


4) Há uma Esquerda que sofre eleitoralmente um grave revés, talvez até uma injusta punição para quem em importantes momentos esteve na luta, com coerência. Importa associar no futuro o BE ás razões de um combate político duro. A sua integração no PS seria desastroso para muitos que acreditam ser possível um “socialismo progressista”.


5) A abstenção excede qualquer compreensão racional do exercício da democracia. Não há qualquer possibilidade de activamente mobilizar as pessoas para a resolução dos seus problemas, sem deles fazer objecto social. E não querer antecede um não fazer que seria a suprema impotência na mudança.




domingo, 5 de junho de 2011

Legislativas 2011 - Grande resultado para a CDU!

Lordelo:
PSD: 2731 votos
PS: 1435 votos
CDS: 492 votos
CDU: 212 votos
BE: 114 votos

concelho de Paredes:
PSD: 21942 votos
PS: 13674 votos
CDS: 4933 votos
CDU: 1930 votos
BE: 1397 votos

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Imenso e intenso - o desfile da CDU no Porto







Imenso e intenso. Com estas duas palavras se pode descrever o desfile da CDU que percorreu hoje à tarde a Rua da Cedofeita, no centro do Porto. À chegada de Jerónimo de Sousa, foram muitos os que o quiseram saudar e a recepção foi de tal ordem que o Secretário-geral do PCP confessaria, momentos mais tarde, no final do desfile, ser «bom vir ao Porto» para «carregar as pilhas» para as acções de campanha que restam. Heloísa Apolónia deixara já escapar ao microfone um «bolas, que grande arruada!»



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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Comício CDU em Penafiel

Comício de encerramento de campanha da CDU nos concelhos do Vale do Sousa e Baixo Tâmega.

Sexta-feira dia 3 de Junho, às 21 horas,
no Largo da Ajuda, em Penafiel (junto ao Museu Municipal).