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terça-feira, 7 de junho de 2011

Reflexões eleitorais

1) No jogo da alternância, o insuportável José Sócrates perdeu para um medíocre Passos Coelho.

A fulanização da política e a encenação dos conflitos traz consigo o primado do discurso vazio, a ausência de propostas, de responsabilidades, de perspectivas futuras. Sócrates já não vendia qualquer produto, qualquer solução, afundado numa cassete viciada de vitimização pela crise, pelo estrangeiro, pelas oposições parlamentares. Passos Coelho colhe uma sementeira alheia, a que associa escárnio e maldizer a rodos, e uma extraordinária cumplicidade dos poderes mediáticos que em certo momento, já tardio da campanha, decidem que ele é o “seu Homem”. E no vazio de ideias, ou na sua incongruência, como na ausência de currículo, muitos justificaram o apoio cego.


2) Exposto o essencial, fica o papel secundário do homem do boné, o Paulo Portas. A sua disponibilidade para o Governo, explica –se, por uma insuperável necessidade de exercer o poder em nome dos interesses de uma faixa conservadora e retrógrada da sociedade. Seja quem for o aliado, importa encontrar o pote.


3) As forças da Esquerda mostraram a sua real capacidade agora, afastadas as ilusões e as contabilidades hegemónicas. Há uma Esquerda, que resiste social e politicamente, que cresce eleitoralmente, sem abdicar de princípios – é o PCP, integrado na coligação CDU. Não se afirma Moderna porque transporta consigo ensinamentos actualizados de um passado heróico. Não se afirma Renovada porque não prescinde de nenhum valor, identidade ou solidariedade que a formou no passado. Não se quer nas boas graças do Sistema, ou dele auferindo envenenadas prebendas.


4) Há uma Esquerda que sofre eleitoralmente um grave revés, talvez até uma injusta punição para quem em importantes momentos esteve na luta, com coerência. Importa associar no futuro o BE ás razões de um combate político duro. A sua integração no PS seria desastroso para muitos que acreditam ser possível um “socialismo progressista”.


5) A abstenção excede qualquer compreensão racional do exercício da democracia. Não há qualquer possibilidade de activamente mobilizar as pessoas para a resolução dos seus problemas, sem deles fazer objecto social. E não querer antecede um não fazer que seria a suprema impotência na mudança.




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