BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

domingo, 31 de julho de 2011

Diz NÃO ao roubo!



Segunda-feira, 1 de Agosto · 18:00h
(junto à Estação de São Bento)
Praça Almeida Garrett
 
No início deste ano aumentaram 5% os transportes, mas não aumentaram os salários nem as pensões.
Agora, continuam sem aumentar os salários nem as pensões, mas aumentam mais 15% os transportes, além de nos querem roubar no subsídio de Natal, nos medicamentos, nas taxas moderadoras, na electricidade, no gás, no leite... são sempre os trabalhadores e os reformados a pagar!
Para os muito ricos não há austeridade, os lucros dos grandes grupos económicos e da banca continuam a ser isentados de sacrifícios.
É preciso dizer BASTA a este ROUBO!

Não te cales, não aceites esta INJUSTIÇA!

JUNTA-TE AO PROTESTO!

Movimento de Utentes dos Transportes Públicos

sábado, 30 de julho de 2011

Excursão para a Festa do Avante!


Dias 2, 3 e 4 de Setembro (Sexta a Domingo)
Partida às 6:00 horas do dia 2, regresso no fim da Festa
Viagem 25 €

Entrada na Festa (EP) 20 €
-
Contactos para inscrições:
Paulo Macieira: 917124269;
José Luís: 914343330;
Miguel Correia: 964783409;
sede do PCP: 255213023.
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EP’s à venda na sede do PCP em Penafiel (Edifício Ribeiros, Trás., junto ao Estádio do FC Penafiel) e junto dos organizadores da excursão.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Conto do vigário


O cabrão do meu homem é que me convenceu a ir ouvir o doutor Passos Coelho. Cantou-me aos ouvidos que em a gente se livrando do Sócrates tudo isto ia mudar, pra melhor dizia-me ele, com o mesmo tricolarico com que me enganou estes anos todos, basta darem-lhe um copinho e aí vai ele, tanto que até um dia me chegou a casa com uma saca plástica cheia de papeis convencido que eram notas. Ficaram-lhe com as nossas economias duma vida num conto do vigário.
Agora enganou-me ele a mim, anda mulher e lá me arrastou até à camioneta que nos haveria de levar até ao comício. Meteram-me uma bandeira na mão, um autocolante, até um lencinho me deram para por ao pescoço.
Agora, imaginem, entra-me o homem pela casa dentro, que não queria almoçar e a não dizer coisa com coisa, ficou para ali uma hora a resmungar e a falar sózinho, ainda julguei que lhe estivesse a dar um ABC, até que lá me disse que o limpinho que ele me levara a ouvir, eu bem dizia que ele tem olhos de carneiro mal morto, vai aumentar o preço da carreira em 15%.
O nosso vizinho, o sr. Abílio, que também foi na camioneta como todos nós ninguém o vê, deu-lhe o sumiço, mas eu bem sei que ele está encafuado em casa, eu bem o vejo a espreitar por trás das cortinas, esse era o que mais gritava e foi ele que fez a cabeça ao meu homem ali na Regional, entre uns copitos de vinho. Que lhes azede o estômago, tanto quanto me vai azedar a mim cada vez que tiver que ir apanhar a carreira para o centro de saúde

domingo, 24 de julho de 2011

“É TÃO BONITO O DISCURSO DO PATRÃO”… OU… “10 MANEIRAS SIMPLES DE MOSTRAR SUBSERVIÊNCIA”… OU… “CÁBULA DO LAMBE-BOTAS”


Aqui vão dez pérolas do discurso do patrão para os candidatos a lambe-botas poderem mostrar a sua deferência em relação aos exploradores. É só decorá-las e repeti-las, de diversas maneiras, em toda e qualquer ocasião. Ao repeti-las, fazer um ar grave (como a que faz um António Barreto qualquer ao dizer as suas parvoíces) que é por estas terras, como todos sabem, uma certificação da elevada qualidade de qualquer bacorada proferida.

Cábulas para ser um lambe-botas eficiente:

1) O lambe-botas deve criticar os trabalhadores por tudo e por nada, apontando-os como os culpados pelos problemas do país (“são preguiçosos”, “não querem trabalhar”, “querem viver acima das suas possibilidades”, etc.);

2) O lambe-botas deve criticar os sindicatos (“esses mandriões”, “esses aproveitadores”, etc.). Isto é importante, pois convém atacar este instrumento da luta dos trabalhadores, instrumento que fez com que hoje os trabalhadores, por exemplo, já não trabalhem 14 ou mais horas por dia e tenham direitos dos quais nem os lambe-botas estão pessoalmente dispostos a abdicar;

3) O lambe-botas deve dizer que os partidos e os partidos “são todos iguais”, dando a entender que quem luta pela escravidão é igual a quem luta contra a escravidão;

4) O lambe-botas deve aproveitar qualquer oportunidade para criticar o 25 de Abril, esta malvada data, que nas palavras de uma tal (certamente também malvada) Sophia seria, vejam só, o “dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio/E livres habitamos a substância do tempo”;

5) O lambe-botas deve elogiar, por tudo e por nada, os opinion makers oficiais, idolatrar a sua “genialidade” e exagerar as pequenas diferenças entre os diversos gémeos que aparecem nos meios de comunicação a defender a exploração (o lambe-botas deve fingir, mesmo que não seja fácil, que não nota que comem todos da mesma panelinha e que, na verdade, até são gente com um nível de análise rasteirinho como a relva).
6) O lambe-botas deve queixar-se de que “temos licenciados a mais”, de que “isto é um país de doutores”. Esta é uma muito boa maneira de atacar a cultura numa época e num mundo em que o conhecimento é crucial. Particularmente interessante o facto de ser uma ideia falsa e estúpida (e, portanto, isenta da cultura que diz haver em excesso) defendida num país com uma das mais baixas percentagem de licenciados da Europa, um país que apenas está a meio caminho de deixar a situação verdadeiramente vergonhosa em que se encontrava há poucas décadas atrás, em termos de habilitações da sua população. A questão das habilitações e da empregabilidade é uma questão de paradigma: se houver um médico para mil doentes e outro médico desempregado, só “há médicos a mais” se as inteligências raras pensarem que há que baixar as habilitações em vez de alterar a empregabilidade (dando, por exemplo, quinhentos pacientes a cada médico). Não sei de outro país que se queixe de “ter licenciados a mais” (aliás, esta cruzada contra a cultura torna Portugal alvo da risota de outros povos);

7) O lambe-botas não deve perder oportunidade de dizer que a saída da crise está no aumento da produtividade, obnubilando a existência das classes, da exploração, etc.;

8) Em consonância com o ponto anterior, o lambe-botas deve defender que o desenvolvimento do país depende fundamentalmente do aumento da exportação de mercadorias (quando já há alguns séculos se verifica que os países imperialistas se desenvolvem através da exportação de capital e não de mercadorias, coisa muito diferente);

9) O lambe-botas deve queixar-se constantemente de que o Estado é pesado, grande, controla tudo e todos e deve defender uma maior autonomia da “Sociedade Civil” (o lambe-botas deve, caso não se lembre facilmente desta expressão, escrevê-la um papel, já que a referência à “Sociedade Civil”dá um ar chique à indignação). Esta queixa acerca do peso do Estado é uma pérola: a) permite dar a impressão de espírito crítico; b)contribui para a defesa dos interesses do capital e das negociatas das privatizações; c) serve para atacar o Estado Social, os direitos conquistados pelos trabalhadores e defender o sacrossanto poder do(s) mercado(s). Ao usar este discurso, o lambe-botas deve tentar evitar reconhecer que foi exactamente a falta de controlo do(s) mercado(s) que agravou a actual crise do capitalismo (embora a inevitabilidade de crises seja inerente ao próprio sistema capitalista);

10) O lambe-botas deve defender a caridadezinha como meio de lidar com o problema da pobreza. Esta também é muito boa: a) permite dar uma ideia de que se é muito bonzinho; b) ajuda a reforçar a ideia de que os pobrezinhos são intrinsecamente inferiores aos demais seres humanos, devem ser vistos mais como objectos da acção alheia do que sujeitos da própria história; c) permite fazer com que, predominantemente, sejam os pobres a ajudar os pobres, libertando os exploradores da chatice de se preocuparem com essa questão (deixando-os com mais tempo para questões mais importantes, como a de continuarem a sua rapina); d) dá um bom lucro a Jumbos e Continentes e outras empresas que parasitam na boa vontade dos ingénuos; e) ajuda os padrecos e a igreja; f) reforça a ideologia da direita mais reaccionária; g) permite substituir a luta pelo fim da pobreza pela ideia de que sempre haverá pobres com quem se poderá eternamente praticar a caridade e ganhar a recompensa celestial merecida; h) permite atacar o Estado e o serviço público, substituindo a noção de direito social conquistado pela noção de benevolente (mas não garantida) condescendência em relação aos coitadinhos. Em relação à ajuda do Estado, o lambe-botas deve mudar de discurso imediatamente e tratar os mesmos pobrezinhos que queria caridadezinhar por “preguiçosos”, “aproveitadores do dinheiro dos nossos impostos”, etc.

In Olhe Que Não

sábado, 23 de julho de 2011

Desventuras do Abílio


O Sr. Abílio está inconsolável, diz à mulher que lhe apetece cortar os 2 deditos que em má hora se lembrou de esticar durante a campanha eleitoral.
Resmunga que estava a contar com o 13º. mês para ajudar a pagar umas dívidas que deixou acumular e comprar o bacalhau para a ceia de Natal.
À cautela a mulher escondeu as facas todas lá em casa, mas não deixa de lhe recordar que bem o tinha avisado e que a ela só lhe viram esticado o dedo médio da mão, com os outros todos sempre bem recolhidos.
Oh homem, diz ela, prontos, acalma-te, é que se vais por esse caminho depressa ficas maneta...

 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Um banqueiro não passa fome

Os jornais estão repletos de presságios catastrofistas que procuram incutir o medo. São anunciados milhões de euros de prejuízos nas empresas públicas. Assistimos à reposição do velho filme – versão «desvio colossal» – em que o novo Governo descobre um buraco deixado pelo Governo anterior, para a seguir aumentar impostos que jurara nunca aumentar.
É preciso cortar na despesa e emagrecer o Estado, clamam as vozes do costume. Olhem para o novo Governo que é «curto» e «jovem», vejam o primeiro-ministro que só viaja em «económica», deslumbrem-se com a abolição das gravatas no Ministério da Agricultura. Tudo em nome do corte na despesa. Sacrifícios imensos para dar o exemplo. Para que o povo compreenda a razão dos sacrifícios. Para que o povo alcance que o roubo no subsídio de Natal, a liberalização dos despedimentos, o fecho do centro de Saúde, não serão em vão.
A partir da densificação de notícias em torno da desvalorização bolsista dos bancos, da sua avaliação nos ditos «testes de stress», da necessidade de injectar dinheiro na economia, das descidas de notação da banca pelas agências de rating, da exposição da banca à dívida grega, não tardará a que se crie o ambiente favorável à transferência do Estado de milhões de euros para a... banca. Uma espécie de BPN em larga escala. Matéria, aliás, escandalosamente prevista no programa da troika e cinicamente silenciada.
O argumento será «sério» e «técnico». Recapitalizar a banca, dirão. Ou melhor, pôr o Estado – esse que é gordo, despesista, que vive acima das suas possibilidades – a entrar com o dinheirinho, mesmo que isso ponha o País a comer pão seco. Sim, porque não se pode pedir esse sacrifício aos banqueiros. A quem, só entre 2004 e 2010, alcançou mais de 14 mil milhões de euros de lucros. A quem vive da especulação. A quem milhões de trabalhadores transferem, por vias diversas, a riqueza que produzem.
É por isso que se tornará cada vez mais necessário – e será cada vez mais decisivo para a luta que travamos – que se alargue a consciência de que para lá do PS, do PSD e do CDS, de que para lá do Estado, está de facto uma classe que os domina, controla e explora o País

Vasco Cardoso, in Avante!

domingo, 17 de julho de 2011

Andando na ciclovia, vivendo no esgoto

A  Câmara de Bragança inaugurou recentemente uma ciclovia em torno do Instituto Politécnico de Bragança., com uma extensão de 4 Km. Trata-se da primeira de duas que o Executivo de Bragança quer construir. O custo da ciclovia em torno do IP de Bragança orçou os 2,8 milhões de Euros, 80% dos quais em fundos comunitários e 20% obtidos dos cofres camarários. Não tendo havido uma aceitável solução de crédito bancário, este recurso financeiro próprio fez-se á custa da supressão de outros projectos de investimento.
Independentemente de problemas práticos de circulação, como o conflito de interesses entre peões e ciclistas, importa reflectir sobre a oportunidade e necessidade de um tal equipamento urbano, bem como no seu custo, numa cidade da dimensão e climatologia como Bragança. Custa perceber as prioridades de investimento da Câmara PSD de Bragança, tendo em conta a desertificação, a falta de investimento produtivo, o desemprego, a emigração de quadros qualificados, o envelhecimento dos habitantes. Investimentos como as ciclovias só são positivos num quadro de uma modernidade e melhoria da qualidade de vida onde o essencial esteja assegurado (economia local, infraestruturas de água e saneamento, apoio social, acesso a cuidados de saúde). Fora deste contexto, não passam de uma ostensiva e irracional bizarria, quer se situem em Bragança, na Moita ou em Paredes.
É esta política _ que se baseia em factos, obras e projectos com uma componente exibicional e demagógica, e que enchem circunstancialmente o olho do eleitor mas não concretizam nada de definitivo _ que justifica o estado em que estão as finanças públicas. Não admira que perante a ciclovia brigantina, o cidadão local refira o seu espanto com a obra, por ela se situar em Bragança. Fosse ela mais um delírio do centralismo lisboeta ou da megalomania à Rui Rio, e tudo seria para ele menos impressionante.
Outros exemplos de utilização irracional de dinheiros públicos são conhecidos, como o Multiusos de Gondomar, que só serve para um Salão Erótico anual, ou o aeroporto de Beja e o seu voo semanal. Os fundos nacionais e os apoios comunitários transformaram o País numa manta de incoerências, onde há autoestradas sem automóveis, cidades vizinhas unidas por estrada sem passeios, freguesias sem rede de saneamento, rios permanentemente poluídos, escolas transformadas em palacetes em que as despesas de funcionamento são incomportáveis, bibliotecas (em edifícios novos) vazias, cidades inteligentes sem maqueta nem projecto.
Os responsáveis políticos a todos os níveis deveriam ser responsabilizados e castigados política e criminalmente por opções e decisões que ultrapassassem o bom senso. Se houvesse um estudo de opinião que interrogasse os cidadãos de Bragança sobre a forma de investir 2,8 milhões de euros na sua cidade, quantos refeririam a ciclovia como necessidade (mesmo que não prioritária)? Se se fizesse um estudo de mercado sobre o preço de 4 km de ciclovia, qual o preço das candidaturas? A quanto monta a opacidade da decisão política, o silêncio das derrapagens financeiras, a sobranceria do exercício do poder, a ausência de partilha de responsabilidades?
Quantos assessores são necessários em tempo de crise? Quantos motoristas? Quantas ilusões?

sábado, 16 de julho de 2011

PCP questiona Governo sobre ilegalidades cometidas por empresas de mobiliário

O Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República colocou perguntas ao Ministério do Emprego e Economia sobre ilegalidades cometidas por várias empresas de mobiliário do concelho de Paredes e Paços de Ferreira, sendo que o proprietário de uma das empresas é o actual presidente da Junta de Freguesia de Rebordosa. As informações chegaram aos deputados comunistas através da Organização do Sector do Mobiliário do PCP, que já denunciou várias empresas por desrespeito pelos direitos dos trabalhadoras e organizou recentemente, no Parque do Rio Ferreira de Rebordosa, a “Festa do Marceneiro” com a presença de Jorge Machado, deputado à Assembleia da República.


Ler mais em PCP/Paredes

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Trabalhadores respondem à ofensiva




Milhares de trabalhadores participaram hoje em acções de protesto contra as medidas impostas pelo Governo, dando uma forte resposta ao ataque contra os seus rendimentos e direitos que, acusam, o executivo PSD/CDS rouba e coloca em causa, ultrapassando mesmo pela direita o compromissos assumidos no memorando de entendimento com a troika FMI/BCE/CE.
As acções integradas na semana de luta convocada pela CGTP-IN, iniciaram-se, de manhã, com concentrações e caravanas reivindicativas nas Caldas da Rainha, Évora e Aljustrel, e prosseguiram, à tarde, em Faro, no Porto, Vila Real e Lisboa.
Na capital, a manifestação encheu por completo o percurso entre o Largo de Santos e a Praça de São Bento, transformando-o num caminho de reivindicação e luta, de proposta e apresentação de alternativas à actual ofensiva. «O capital a roubar e quem trabalha a pagar» ou «temos solução, aumentar a produção», foram das palavras de ordem mais gritadas durante o trajecto.
A meio da D. Carlos I, uma delegação do PCP, liderada pelo secretário-geral do Partido, Jerónimo de Sousa, saudou a iniciativa de quem produz e cria riqueza, demonstrando quem de facto está ao lado dos trabalhadores em todas as horas e para a luta toda.
Já junto à Assembleia da República, a longa coluna de trabalhadores em protesto pacífico mas determinado, baralhou os cálculos às autoridades, que, face à crescente massa humana, resolveu a despropósito reforçar o contingente policial.
«O povo unido jamais será vencido», respondeu a multidão indignada antes de garantir, de viva voz, que esta foi apenas a primeira de muitas jornadas de combate contra a política injusta que sacrifica sempre os mesmos.
«A luta continua!», afirmaram ainda os trabalhadores numa contundente expressão de total disponibilidade para organizarem contra-ofensivas à altura da sanha antipopular do Governo Coelho/Portas.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A Esperança que Sempre Vem de Cima

Tem raízes históricas e sociológicas profundas, com toda a certeza. Muitos portugueses têm, como facilmente se constata, uma especial idolatria aos ricos. Apenas por esse facto, por serem ricos. Tudo se lhes faz, tudo se lhes dedica, tudo se lhes ama, contando que na calçada medieval, onde jazem vivos os pobres, resvale alguma moeda dos recheados potes auríferos que vão saltitando nas carroças. Haja muitos ricos para que deles caia alguma esmola aos pobres. Com isso se hão-de os primeiros multiplicar e os últimos contentar. Portugal ontem, Portugal hoje.
A idolatria continua vigorosíssima, sob outros moldes, mas em substância funcionando da mesma maneira. É fácil reparar como nesta sociedade eminentemente zoológica, os banqueiros incham como porcos enquanto os camelos continuam a achar que a culpa é do rendimento mínimo. É fácil reparar como um país sustenta, apoia, elege, bajula, governos que aceitam e mantêm um sistema de impostos em que aqueles que mais lucram (banca) pagam menos que os que menos lucram (PME’s e outras empresas), e acham que está muito bem assim. É fácil constatá-lo quando se lê que segundo o Banco de Portugal, em 2009, os cinco maiores bancos a operar no nosso país controlavam mais de 70% do valor dos “activos” de todos os bancos, quando na U.E. os cinco maiores bancos controlavam, em média, em cada país 42% dos “activos”, e mesmo assim, se sentiu e se sente no ar, na opinião e no voto, a obrigação de proteger, alimentar, ilibar, os criadores e governantes-fomentadores desta verdadeira oligarquia.
Regra geral, o pobre resignado português descarrega a frustração da vida que leva e dos impostos que paga em palavras inócuas e insultuosas, apenas até ao dia em que o alvo do insulto, sendo político ou famoso, lá faz uma visitinha corta-fitas à aldeia. Então, no primeiro caso, hasteia a bandeira da respectiva cor política, bem visível lá no topo da barraca, e sai saudando, dando vivas e batendo palmas ao ídolo descido à terra, que dentro de portas tantas vezes não foi mais que um filho-da-puta igual “aos outros”.
Assim se vão mantendo esses que tais, todavia fiéis no voto, no apoio e na bajulação, àqueles que, vivendo nos degraus acima, mais perto estarão da possibilidade de lhes dar alguma coisinha de o que lhes sobre. Assim se construíram os tempos. Assim se fizeram (ou transformaram) os homens. A esperança vem sempre de cima. Como a merda dos pássaros.
Ivo Rafael Silva

terça-feira, 12 de julho de 2011

ESTUDO DE EUGÉNIO ROSA

Por que razão terão os portugueses de pagar a má gestão dos banqueiros e a submissão do governo à banca?

A RESPONSABILIDADE DOS BANQUEIROS PELA CRISE QUE PORTUGAL ENFRENTA E PELO ESTRANGULAMENTO FINANCEIRO ACTUAL DAS EMPRESAS
Em Portugal, a concentração bancária é muito superior à média da U.E.

Segundo o Banco de Portugal, em 2009, os cinco maiores bancos a operar no nosso País controlavam mais de 70% do valor dos “activos” de todos os bancos, quando na U.E. os cinco maiores bancos controlavam, em média, em cada país 42% dos “activos”. Este poder já enorme dos cinco maiores bancos é ainda aumentado pela posição dominante que também têm nos outros segmentos de mercado do sector financeiros (seguros; fundos de pensões; fundos de investimento mobiliário; fundos de investimento imobiliário; e gestão de activos). Esta situação, associada ao facto de uma parte importante do capital dos 4 maiores bancos privados já pertencer a grandes grupos financeiros internacionais, dá – lhes um imenso poder sobre o poder politico e sobre todo o processo de desenvolvimento em Portugal, condicionando-o de acordo com os seus interesses.

A banca é um negócio “especial”, pois os banqueiros negoceiam fundamentalmente com dinheiro alheio obtendo assim elevados lucros. Segundo o Banco de Portugal, em Dezembro de 2010, o valor de todos os “Activos” da banca a operar em Portugal atingia 531.715 milhões €, enquanto os chamados “Capitais Próprios” da banca, ou seja, o que pertencia aos seus accionistas, somava apenas 32.844 milhões €, isto é, correspondia a 6,2%; por outras palavras, o valor dos Activos era 16,2 vezes superior ao valor do “Capital Próprio” dos “Activos”. Este rácio revela o elevado grau de “alavancagem” existente no sistema bancário em Portugal que permite aos banqueiros obter elevados lucros com pouco capital próprio (o que lhes pertence).

A banca a operar em Portugal está descapitalizada devido a uma elevada distribuição de lucros (o mesmo sucede com a EDP e PT, por ex.). Mesmo em plena crise os banqueiros não se coibiram de o fazer. Segundo o Banco de Portugal, no período 2007-2010, os lucros líquidos da banca, depois do pagamento dos reduzidos impostos a que está sujeita, somaram 8.972 milhões €. Entre Dezembro de 2007 e Dezembro de 2010, os Capitais Próprios da banca aumentaram apenas 4.571 milhões €. Apesar de redução de “Capitais Próprios” em 2008, uma parte dos 4.401 milhões € de lucros líquidos restantes foram distribuídos. E isto é reforçado quando o aumento de “capital” foi também conseguido através de novos accionistas. O Fundo de Garantia de Depósitos, cujo provisionamento é da responsabilidade da banca, está também subfinanciado (pensa-se em 15.000 milhões €). Este fundo é referido no ponto 2.15 do “Memorando”.

Fala-se muito da divida do Estado, mas segundo o Banco de Portugal, a banca devia, em Dez- 2010, 49.157 milhões € ao BCE e 81.125 milhões € a outros bancos, ou seja, 130.282 milhões €.
A banca em Portugal está profundamente fragilizada. A prova disso é que ela é incapaz de se financiar nos “mercados internacionais” sem a ajuda (o aval do Estado). A banca é também incapaz de financiar a economia, agravando a crise e o desemprego. Entre Dez-2009 e Dez-2010, o crédito em Portugal diminuiu em 1.965 milhões €, apesar dos depósitos na banca terem aumentado em 12.080 milhões €. A continuar, milhares de empresas entrarão em falência fazendo disparar ainda mais o desemprego. A agravar tudo isto está a exigência de “desalavancagem do sector bancário” constante dos pontos 2.2 e 2.3 do “Memorando”. O “rácio” de transformação na banca (quociente entre o credito liquido a clientes e os depósitos) é considerado pelas agências de “rating”, pelo FMI e pelo BCE como sendo muito elevado, e estão a pressionar o governo e o Banco de Portugal para que desça. Entre Dez.2009 e Dez.2010, o “rácio” de transformação diminuiu de 146% para 138%, ou seja, a banca reduziu o crédito de 1,46€ para 1,38€ por cada um euro de depósitos. A redução para 120%, como exigem as agências de “rating”, reduzirá ainda mais a capacidade da banca para financiar a economia, agravando a crise.
Esta situação é agravada pela profunda distorção da política de crédito dos banqueiros na busca de lucros fáceis e elevados, responsável também pela actual crise. Entre 2000 e 2010, o crédito a habitação aumentou em 156%; o crédito ao consumo subiu em 137%; mas o crédito à actividade produtiva (agricultura, pescas e industria transformadora) cresceu apenas em 41%. Em Dez.2010, o credito à actividade produtiva representava apenas 5,5% do credito total, enquanto à habitação atingia 34,6%, à Construção e Imobiliário 12,6% e ao Consumo 4,9%. E tenha-se presente que a banca financiou o crédito à habitação, que é um crédito a longo prazo (30-40 anos), com empréstimos a curto e médio prazo, pois não possui meios financeiros próprios. E como não consegue novos financiamentos para os substituir, as dificuldades da banca crescem, e corta ainda mais no crédito.

No “Memorando de entendimento” estão 2 medidas: (1) O Estado conceder avales à banca até 35.000 milhões para esta se poder financiar; (2) O Estado endividar-se até 12.000 milhões € para reforçar o capital da banca. Mas isto é só admissível se o Estado controlar os bancos que forem apoiados, até porque a situação difícil que vive a banca “portuguesa” é consequência também da má gestão dos banqueiros, e deixá-los à “solta”,é permitir que continuem uma politica que tem sido nefasta para o País e para os portugueses.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

PCP apresentou hoje projecto de resolução em defesa da ligação Porto-Vigo

O Grupo Parlamentar do PCP apresentou na Assembleia da República um Projecto de Resolução em defesa da ligação Porto-Vigo.
O recuo hoje anunciado pela CP dá razão aos protestos da população e reforça a proposta do PCP de modernização da linha, designadamente no troço a norte de Nine.

Ver Projecto de Resolução

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Governo de scooter

Para além do perfil de capitulação, marca genética do Executivo de turno, outros traços vincam, desde já, o seu BI: a leveza da palavra e a ence(nação) do gesto. Atente-se na ejaculação retórica precoce e na decisão política atabalhoada. Não nos admiremos dos impulsos amadorísticos nem das piruetas simulatórias. O programa está feito. Foi e continua a ser redigido pela Troika. Que reservou para os intérpretes nativos a rábula, a cenografia, o figurinismo. A Estilística pré-inaugurou-se com a contratação de Fernando Nobre para presidente da Assembleia da República, negociata que terminou num caso de Passos Perdidos e má figura do independente que jurara que só não ocuparia a cadeira de Belém se lhe desferissem um tiro na cabeça. O homem estava vocacionado para mártir, para uma nota de heroísmo nos festejos do centenário da República. Felizmente que o mon ami de Mário Soares anda por aí sem guarda-cabeças. Já investido como primeiro-ministro, Passos Coelho, interpelado por uma repórter, não conteve um raspanete em português suave: toda a gente sabe que o Governo ainda não deu posse aos secretários de Estado. Sem cons(ciência) plena das suas atribuições, Passos resolveu usurpar uma prerrogativa presidencial. Cavaco que se cuide. De seguida, o premier resolveu fornecer à Nação e à Troika uma imagem de exterminador implacável. Abaixo os Governos Civis. Esqueceu-se o novel governante de uma subtileza: a extinção desta instituição, que conta 150 anos e numerosas responsabilidades no domínio social e da segurança, requer revisão constitucional. Conclusão: correu com os governadores civis mas ficou com os Governos Civis nos braços. Isto é, descarregou as suas competências nos secretários e no Ministério da Administração Interna, expediente de duvidosa legalidade e de expectáveis equívocos funcionais.
Mas o novel não se detém: sob a capa de um discurso geométrico e polido, esconde-se um actor-aprendiz e outro animal feroz. Ainda não havia aquecido o lugar e a Lusolândia despertou com um estrondo: o governante passaria a viajar em classe turística, a fim de mostrar a votantes e pagantes, ao Mundo e à Troika que a austeridade toca a todos. Viria a saber-se que a TAP oferece passagens gratuitas aos membros do Governo. O ilustre passageiro perdeu uma oportunidade de se sacrificar pela pátria. Mas uma coisa é certa: o governante-estagiário prosseguirá a tarefa de emagrecer serviços públicos e engordar serviços privados. Poderemos igualmente ter a certeza de que manterá a linha dos antecessores, escudado na evidência de que o grosso do seu eleitorado sofre de amnésia há 35 anos. De resto, a Comunicação Social tudo faz, mesmo tudo, para que os leitores, radiouvintes e telespectadores rapidamente esqueçam tudo o que não tenha a ver com Cristiano e Angélico. Não foi Passos Coelho que, no dia 1 de Abril, em Vila Franca de Xira, terminante(mente) se opôs a cortes nos subsídios, desde logo, o de Natal? Foi ele em pessoa. Não mudou. Não mudará. Ele recebe ordens antes de as dar. Ele foi preparado para prosseguir o desmantelamento do Estado Social, a saldagem do património do Estado, o trespasse da dignidade nacional (identidade/independência/democracia). A partir de agora, para os troikanos, todos os dias serão 1 de Abril e nenhum será 25 de Abril. Promete e não cumpre? Revalidará o contrato anti-social e anti-democrático do anterior compagnon de memorandum, irmão troikano. Com duas diferenças: não será tão profissional a vender automóveis usados nem veste Beverly Hills. Muitas senhoras, devotas da democracia de passerelle, desculparão o dandy: a ameaça de bancarrota impõe outro talhe e outra fazenda. Sobretudo declarações de voto de pobreza para não chocar demasiada(mente) os espoliados. Nesta euro-emergência, serve um pronto-a-vestir de El Corte Alemán ou um alfaiate de dedal em riste, de alfinetes nos lábios e de fita métrica ao pescoço. Assenta-lhe bem uma fatiota de casamento de Santo António, a ele, filho de Ângelo Correia e Ângela Merkel, aliás, desajeitados manequins. Manifestemos, pois, através de todos os grandes meios de Comunicação, graças à escolha do BPP/ Bom Povo Português: passamos a viver na paz dos anjos. De facto, três cirurgiões estão a fazer uma operação de barriga aberta a Portugal, ao Estado Português, ao Povo Português para retirar os órgãos vitais e a Comunicação Social serve de anestesista. Um eleitorado desinformado e amedrontado é presa fácil de aves de rapina: da águia germânica e da águia americana. E de vampiros domésticos. Eles comem tudo. Zeca, volta.
Cada saison consagra os seus tiques e truques. O passismo tenderá a criar a sua escola? Tenderá. Com tradição e inovação. Reparemos no novel ministro da Segurança Social, Mota da Vespa. Com um desenvolto ar de distribuidor de pizzas ao domicílio, montou um número mediático, indo de motoreta até ao Palácio da Ajuda, onde lhe confiaram as altas funções e onde prestou juramento. Chegou em duas rodas. Regressou em quatro. Daí a dias, pretendeu assinalar com vigor a sua entrada na Segurança Social e, para não ser apenas o premier a marcar a agenda das extinções em massa de 18 governadores civis, anunciou que liquidaria 18 directores-adjuntos, logrando uma poupança de 1,1 milhões de euros/ano. Os amplificadores deram a boa-nova às vítimas do BPN e a 700 mil desempregados: estamos a poupar. O exemplo vem de cima. Sucede que, na generalidade, os dispensáveis são funcionários de topo. Portanto, continuarão em lugares compatíveis e a receber vencimento conforme. E acontece que, mais uma vez, não se arremete, em primeira instância, contra a macrocefalia dos Serviços Centrais.
No rescaldo do colapso eleitoral, Sócrates revelou que iria matricular-se num Curso de Novas Oportunidades Filosóficas em Paris, receoso do ambiente académico em Atenas. Guterres, esse refugiou-se nas sopas das Nações Unidas. Durão, esse almofadou-se nos luxos da Comissão Europeia. Vários ministros de Passos vieram do estrangeiro, desprezando fulgurantes carreiras para socorrer os banqueiros. O Nobre continuará pelo estrangeiro a rivalizar com a santidade de Madre Teresa de Calcutá. A Troika do estrangeiro veio para controlar as tranches do saque. O povo é que não pode fugir à sua circunstância: às suas responsabilidades e às suas dificuldades. Terá de cumprir e fazer cumprir a Constituição: nas instituições, nas empresas, nas escolas, nas ruas. Não será Sua Excelência a repor a soberania popular. Os dados estão lançados. A Constituição da República Portuguesa não tem espaço interpretativo para se submeter aos agiotas da Europa e do FMI. Estes não são os passos cadenciados das tropas da liberdade e da fraternidade. Estas não são as portas que Abril abriu. Podem vir de carrinho ou de scooter: são funcionários do directório. São miguéis de vasconcelos da UE, do BCE, do FMI. Não nos compete apelar à defenestração dos Escrivães da Fazenda Pública e dos Secretários de Estado da Duquesa de Mântua. A democracia participativa recomenda fórmulas mais avançadas de reposição da Ordem Constitucional e da Honra Perdida. Bastará o Povo fazer um intervalo nas pelejas e preocupações diárias e repelir o Processo Reaccionário em Curso. Bastará que o povo retome as Praças da Canção e volte a escrever o seu nome com maiúsculas.

César Príncipe, Escritor/Jornalista in http://resistir.info/ 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Inevitável, só a luta!

Na véspera e no dia das eleições, dando seguimento a uma linha de identificação e de apoio com o rumo de declínio nacional imposto ao País nas últimas décadas e de incentivo aos partidos da política de direita para que assumissem em conjunto a submissão às imposições da troika, o Presidente da República exerceu uma inaceitável chantagem sobre os eleitores ao afirmar que quem não votasse – sendo que o sr. Presidente não se coibiu de expressar que esse voto estava como que limitado aos partidos da troika –, não poderia, após as eleições, ter opinião ou até protestar face ao mais que certo agravamento da situação económica e social do País.

Duma penada, os que votassem na troika nacional (PS, PSD e CDS) estariam a sufragar as medidas que esses mesmos partidos esconderam dos portugueses e os outros, os que não votassem, ficariam impedidos de manifestar a sua insatisfação, indignação e protesto face às consequências directas dessas mesmas medidas.
A preocupação das classes dominantes com a indignação e o protesto vem de trás. Em plena campanha eleitoral, já Marcelo Rebelo de Sousa ia dando o mote e outros entretanto seguiram-lhe as pisadas na tese de que o PCP se tinha auto-excluído da área da governação (ou arco do poder). Mas ao PCP, segundo ele, cabia um importante papel após as eleições: canalizar, enquadrar e conter o descontentamento, o protesto e a luta impedindo dessa forma que ela se radicalizasse de forma desordenada e incontrolada.
Duma penada instituía-se a tese de que o PCP não ambicionava o poder, de que a sua acção e intervenção se resumia à agitação e ao protesto, omitindo a sua natureza e projecto e escondendo as suas propostas e políticas alternativas e ao mesmo tempo condicionava-se a sua autonomia e acção próprias.
Passadas as eleições, Portugal tem um novo governo composto por pessoas jovens, descomprometidas, com capacidades técnicas assinaláveis, à margem dos aparelhos partidários e da chamada classe política tradicional. Procuram, desta forma, os comentadores e analistas de serviço, esconder que estes foram os escolhidos apenas porque estão em condições de levar por diante, rapidamente e em força, as políticas de submissão e agressão impostas pela UE e pelo FMI.
Para que tal aconteça sem grandes engulhos, hoje é assumida às claras uma linha de ataque à Constituição, vista como um estorvo para os seus calendários e objectivos. Conscientes das consequências que terão para o País e para a imensa maioria dos portugueses as medidas que querem impor a toda a velocidade, dirigentes partidários, analistas, comentadores e politólogos de serviço e ao serviço dos interesses do poder económico, desdobram-se em análises e apelos ao bom senso, ao sentido de responsabilidade dos portugueses, à necessidade de uma união nacional para salvar o País do desastre.

O mais forte obstáculo aos objectivos do capital

Apostam forte na resignação e na passividade dos portugueses face ao que aí vem. Não escondem os propósitos que têm, nem que para tal tenham de criar as condições para se limitar liberdades e direitos constitucionalmente consagrados, para se criminalizar a luta e impor o medo. E vão fazendo caminho para a criação do caldo de cultura que venha a permitir a consideração daqueles que lutam pelos seus direitos como subversivos e antipatrióticos.
Mais recentemente, o insuspeito Rui Machete juntou-se ao coro e apelou à razoabilidade do PCP na organização da resistência e da luta. Procura, também ele, contribuir para o condicionamento da luta dos trabalhadores, das populações e da acção e intervenção do PCP.
Pergunta-se: porquê tanto medo e tanto apelo, num momento e numa conjuntura de governo estável, assente numa ampla maioria parlamentar a que se junta o PS, também ele comprometido e submetido aos objectivos da troika, aos quais se junta o presidente Cavaco Silva? Porquê tanta preocupação com o PCP e o seu papel?
Na verdade, é porque sabem bem que a luta terá um papel determinante e constituirá o mais forte e intransponível obstáculo aos seus objectivos e calendários. Sabem que é no PCP e com o PCP que os trabalhadores e as populações contam para resistir à ofensiva em curso e para mobilizar consciências para a construção duma alternativa política assente na indispensável ruptura com as políticas de direita e de criminosa submissão aos interesses estrangeiros.
O que não seria razoável nem expectável nem admissível era que o PCP abdicasse da sua natureza, princípios e projecto para alinhar no coro da submissão aos interesses do grande capital e das potências estrangeiras.

Octávio Augusto, in Avante!