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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Conto do vigário


O cabrão do meu homem é que me convenceu a ir ouvir o doutor Passos Coelho. Cantou-me aos ouvidos que em a gente se livrando do Sócrates tudo isto ia mudar, pra melhor dizia-me ele, com o mesmo tricolarico com que me enganou estes anos todos, basta darem-lhe um copinho e aí vai ele, tanto que até um dia me chegou a casa com uma saca plástica cheia de papeis convencido que eram notas. Ficaram-lhe com as nossas economias duma vida num conto do vigário.
Agora enganou-me ele a mim, anda mulher e lá me arrastou até à camioneta que nos haveria de levar até ao comício. Meteram-me uma bandeira na mão, um autocolante, até um lencinho me deram para por ao pescoço.
Agora, imaginem, entra-me o homem pela casa dentro, que não queria almoçar e a não dizer coisa com coisa, ficou para ali uma hora a resmungar e a falar sózinho, ainda julguei que lhe estivesse a dar um ABC, até que lá me disse que o limpinho que ele me levara a ouvir, eu bem dizia que ele tem olhos de carneiro mal morto, vai aumentar o preço da carreira em 15%.
O nosso vizinho, o sr. Abílio, que também foi na camioneta como todos nós ninguém o vê, deu-lhe o sumiço, mas eu bem sei que ele está encafuado em casa, eu bem o vejo a espreitar por trás das cortinas, esse era o que mais gritava e foi ele que fez a cabeça ao meu homem ali na Regional, entre uns copitos de vinho. Que lhes azede o estômago, tanto quanto me vai azedar a mim cada vez que tiver que ir apanhar a carreira para o centro de saúde

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