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quarta-feira, 13 de julho de 2011

A Esperança que Sempre Vem de Cima

Tem raízes históricas e sociológicas profundas, com toda a certeza. Muitos portugueses têm, como facilmente se constata, uma especial idolatria aos ricos. Apenas por esse facto, por serem ricos. Tudo se lhes faz, tudo se lhes dedica, tudo se lhes ama, contando que na calçada medieval, onde jazem vivos os pobres, resvale alguma moeda dos recheados potes auríferos que vão saltitando nas carroças. Haja muitos ricos para que deles caia alguma esmola aos pobres. Com isso se hão-de os primeiros multiplicar e os últimos contentar. Portugal ontem, Portugal hoje.
A idolatria continua vigorosíssima, sob outros moldes, mas em substância funcionando da mesma maneira. É fácil reparar como nesta sociedade eminentemente zoológica, os banqueiros incham como porcos enquanto os camelos continuam a achar que a culpa é do rendimento mínimo. É fácil reparar como um país sustenta, apoia, elege, bajula, governos que aceitam e mantêm um sistema de impostos em que aqueles que mais lucram (banca) pagam menos que os que menos lucram (PME’s e outras empresas), e acham que está muito bem assim. É fácil constatá-lo quando se lê que segundo o Banco de Portugal, em 2009, os cinco maiores bancos a operar no nosso país controlavam mais de 70% do valor dos “activos” de todos os bancos, quando na U.E. os cinco maiores bancos controlavam, em média, em cada país 42% dos “activos”, e mesmo assim, se sentiu e se sente no ar, na opinião e no voto, a obrigação de proteger, alimentar, ilibar, os criadores e governantes-fomentadores desta verdadeira oligarquia.
Regra geral, o pobre resignado português descarrega a frustração da vida que leva e dos impostos que paga em palavras inócuas e insultuosas, apenas até ao dia em que o alvo do insulto, sendo político ou famoso, lá faz uma visitinha corta-fitas à aldeia. Então, no primeiro caso, hasteia a bandeira da respectiva cor política, bem visível lá no topo da barraca, e sai saudando, dando vivas e batendo palmas ao ídolo descido à terra, que dentro de portas tantas vezes não foi mais que um filho-da-puta igual “aos outros”.
Assim se vão mantendo esses que tais, todavia fiéis no voto, no apoio e na bajulação, àqueles que, vivendo nos degraus acima, mais perto estarão da possibilidade de lhes dar alguma coisinha de o que lhes sobre. Assim se construíram os tempos. Assim se fizeram (ou transformaram) os homens. A esperança vem sempre de cima. Como a merda dos pássaros.
Ivo Rafael Silva

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