BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Festa do Avante! 2011 quase a arrancar!


Falta menos de uma semana para a Festa do Avante! 2011. Compra já a Entrada Permanente, beneficiando dos descontos inerentes à venda antecipada.
Entretanto, a ultimação dos preparativos para o arranque prossegue na Quinta da Atalaia, designadamente no espaço destinado à Organização do Porto do PCP.
No passado fim-de-semana de 12-15 de Agosto, cerca de 70 militantes e amigos do PCP oriundos do distrito foram até ao Seixal ajudar à implantação deste espaço. Esta jornada de trabalho, à qual se sucederão outras até ao início da Festa, foi uma extraordinária manifestação da generosidade da militância comunista e da capacidade de organização do PCP.
A tarefa principal que se colocava a esta brigada de trabalho passava pela implantação das carpintarias dos muitos stands que estarão à responsabilidade da Organização Regional do Porto, o que foi concretizado com êxito.
Durante a brigada, Alexandre Araújo, membro do Secretariado do Comité Central do PCP, realizou uma intervenção política na qual destacou o facto da Festa do Avante ser o maior evento político-cultural do país e de representar a melhor demonstração do projecto de sociedade pelo qual o PCP luta, assim como uma afirmação da forma de estar na vida e na política que caracteriza os comunistas portugueses. Para Alexandre Araújo, o agravamento da situação política e social decorrente a ofensiva antipopular e antinacional em curso, reforça o valor a Festa do Avante. "Parece que o PSD e PS têm marcadas iniciativas de "rentrée", mas para o PCP não há rentré, ao contrário daquilo que alguns órgãos de comunicação social dizem, simplesmente porque não interrompemos a nossa actividade e a nossa luta durante o verão. A Festa do Avante apenas é possível pelo trabalho de dezenas de milhar pessoas durante o chamado período de férias, como esta jornada de trabalho o demonstra", referiu o dirigente comunista.
Uma verdade que faz apelo a uma visita a mais esta Festa do Avante!

domingo, 28 de agosto de 2011

Proposta do PCP para construção do IC35 foi rejeitada

A construção do IC 35 volta a estar na ordem do dia, depois do deputado do PCP Jorge Machado ter proposto que fosse feita uma recomendação ao Governo para que se construísse rapidamente a via alternativa à actual EN 106, que liga Penafiel a Entre-os-Rios. A proposta foi efectuada, na quarta-feira, na Comissão de Economia e Obras Públicas, mas acabou por ser inviabilizada por PSD e CDS, partidos que sustentam o actual Governo. O PS absteve-se, enquanto o BE esteve ao lado do deputado do PCP.
 
Ler mais em: Verdadeiro Olhar

sábado, 27 de agosto de 2011

O Tempo das Cerejas 2


Um burlão apoderou-se da conta de gmail do nosso camarada Vítor Dias, fazendo com que este não tenha acesso ao seu blogue «o tempo das cerejas». A continuação e actualização do conhecido blogue é feita agora a partir de O tempo das cerejas 2.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Caladinhos

Na missa em que celebrou o 50.º aniversário da sua ordenação, o cardeal-patriarca de Lisboa criticou os «grupos de classe» (leia-se: os sindicatos) que protestam contra as medidas da troika.
«Está a fazer-me muita confusão ver, neste anúncio das medidas difíceis que até nos foram impostas por quem nos emprestou dinheiro, que os grupos estejam a fazer reivindicações grupais, de classe, não gosto», afirmou o bispo na homilia. Mais: a Igreja é, segundo ele, a «organização da sociedade civil mais significativa, com mais estruturas e mais capacidade de resposta» num momento em que «a caridade é o grande desafio».

Já tínhamos ouvido D. José Policarpo, também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, apelar a que as medidas da troika se cumprissem o mais rapidamente possível e em clima de consenso. Também já sabemos que a Igreja e as instituições de solidariedade social que influencia são um dos destinatários privilegiados do Governo para receber as largas parcelas de serviços públicos que as troikas mandam destruir. E até o ouvimos considerar que o corte no subsídio de Natal «é uma medida equilibrada».
O que ainda assim surpreende é a total ausência, em tantos meses, de uma palavra do responsável máximo da Igreja portuguesa para denunciar as injustiças sociais gritantes, o agravamento do fosso entre ricos e pobres, o escândalo do favorecimento dos grandes grupos económicos e financeiros, o agravamento das condições de vida da generalidade dos portugueses, o alastramento da pobreza.

É a indignação, o protesto, a unidade e a luta organizada que as troikas e os seus senhores temem. Por isso dedicam tantos esforços a negá-la e escondê-la: porque revela «egoísmo», não vale a pena, é ingratidão com quem nos «empresta» o dinheiro e já está tudo decidido no estrangeiro; porque a culpa é de todos, todos temos de contribuir e não podemos dar má imagem ao País. Pérolas que todos os dias comentadores, patrões, governantes – e agora até o cardeal – nos repetem.

E se provas faltassem de que só com luta se pode inverter este caminho que nos querem impor, tanto empenho de quem nos rouba em impor a resignação e o silêncio é clarificador.

Margarida Botelho, in Avante!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A resposta

O Ministério da Economia e do Emprego através da Secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares e da igualdade decidiu responder ás perguntas do Deputado do PCP Jorge Machado formuladas em Junho de 2011 e relativas a questões laborais e ilegalidades suscitas nas empresas Cássio, Aleal e Rodrigues &Filhos, em Paredes. E fê-lo de forma preocupante.

Afinal está tudo bem. O trabalho suplementar não remunerado ou é negado “habitualmente” (como na Aleal) ou “alguns” trabalhadores “identificados” declaram-no prestar (como na Cássio) mas o pagamento é com os acréscimos legais devidos (segundo o relatório da acção inspectiva). As pausas de 7 minutos na Aleal afinal são de 10 minutos (segundo a acção inspectiva)e na Cássio seriam de 12 minutos.

Quanto ás câmaras de filmar verificadas na Aleal, a inspecção considera “não ter sido possível apurar se a sua utilização tinha por finalidade controlar o desempenho profissional dos trabalhadores” (citação). Admite-se portanto ser a respectiva colocação em vários locais um fetiche decorativo da administração. Mas, para que não se diga que a inspecção não passou de um simulacro, adverte-se a empresa da necessidade de pedido de autorização superior bem como da necessidade de afixação de informação sobre a existência de câmaras de filmar e a sua “finalidade”. Brilhante…

Na Rodrigues &Filhos a análise dos recibos de Abril não confirma descontos por “faltas”, o que é verdadeiramente surrealista…

Em todas as respostas, surge invariavelmente uma alínea que merece registo: “ mais informaram os serviços competentes deste Ministério não ter sido apresentada, aos mesmos, por trabalhadores ou por sindicatos, qualquer queixa ou pedido de intervenção relativas á empresa em apreço”. Há um burocratazinho no Ministério que julga poder silenciar denúncias reais com respostas formais ou evasivas. Vã tentativa. Seria como tentar esvaziar o mar a balde.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Excursões à Festa do Avante!

A Festa do Avante!, cuja 35ª edição terá lugar nos próximos dias 2, 3 e 4 de Setembro na Quinta da Atalaia, Amora, Seixal, é indiscutivelmente a maior iniciativa político-cultural de massas do nosso país e uma das mais importantes do género no plano internacional. Inclui um programa diversificado e amplo, abrangendo áreas tão diversas como a música, o desporto, as artes plásticas, o teatro, debates, exposições, a ciência, o artesanato, a gastronomia regional e a intervenção política.
Os interessados em participar numa das várias excursões à Festa do Avante!, com partida do distrito do Porto, podem consultar a informação anexa e fazer a sua inscrição através dos números de telefone indicados.

Algumas Excursões Festa do Avante – Organização Regional do Porto Vale Sousa e Baixo Tâmega:
- Penafiel 3 dias – saída sexta, dia 2, e regresso no final da Festa. Inclui viagens e EP. Informações e inscrições através de Armando (910361541)
- Felgueiras 2 dias – saída sexta, dia 3, e regresso no final da Festa. Inclui viagens e EP. Informações e inscrições através de Peixoto (96281519)
- Marco de Canaveses 3 dias – saída sexta, dia 2, e regresso no final da Festa. Inclui viagens e EP. Informações e inscrições através de Quinzé (917638028)
- Paredes 3 dias – saída sexta, dia 2, e regresso no final da Festa. Inclui viagens e EP. Informações e inscrições através de Paulo Macieira: (917124269)

domingo, 21 de agosto de 2011

A LEAL tem câmaras de filmar ilegais


O Grupo Parlamentar comunista da Assembleia da República solicitou uma resposta do Ministério da Economia e do Emprego sobre ilegalidadas cometidas pela administração da empresa A LEAL, sedeada em Vandoma (Paredes). A acção inspectiva concluiu que a empresa não tem autorização para "espiar" trabalhadores!

domingo, 14 de agosto de 2011

Qual crise?!

Pensavas que te iam retirar metade do subsídio de Natal, depois de te baixarem o salário por o país estar em crise? Que os transportes aumentavam até 25 por cento, assim como os combustíveis ou os empréstimos à habitação e estávamos em crise? Que o IVA ia aumentar por culpa da crise? Que eliminaram prestações sociais, o subsídio de desemprego ou o abono de família, e a culpa era da crise dos mercados? Que as taxas moderadoras e outros custos da saúde disparavam e a culpa é da dívida pública?

Ou da vida desregrada da maioria dos portugueses? Um autêntico forró de esbanjamentos! Uns a comprarem casitas de duas assoalhadas, endividando-se por 50 anos. Outros a comprarem carritos novos a 12 ou 15 mil euros. Muitos a abusarem nas férias. Não lhes chegava o rio nas Torres, ainda a porem-se a banhos na Figueira. Todos a comerem o que não tinham, comessem carne de cavalo, mas deu-lhes para comprar febras; em vez de coxinhas de frango, deleitavam-se com extravagantes carapaus, entrecostos ou chocos. Assim, o país está como está! E só lá vai com o sacrifício de todos!

Se todos prescindirmos um bocadinho dos nossos luxos, dessas coisas da saúde, dos medicamentos, da educação – ao que se chegou, filhos de pobres a estudarem para doutores –, desse bem-estar de luxúria a que qualquer trabalhador com o salário mínimo e protecção laboral se habituou, então sim, isto vai entrar nos eixos. E a crise acaba! Com o sacrifício de todos! Mais impostos, pesados, mas mais maneirinhos para a banca, que a banca precisa para se alavancar, enquanto a mercearia do senhor Luís paga o IRC que paga!

Sacrifícios! Que a crise toca a todos! Não és só tu que passas férias na varanda, ou não comes para dar de comer aos teus filhos. Não és só tu que andas a fugir do senhorio, enquanto o dinheiro te foge ainda mais rápido da conta e não sabes como irás pagar a renda. Não és só tu que poupas na água – toma banho aos sábados! – e desligas o televisor para poupar, embora digas que estás farto de ouvir sempre o mesmo da boca destes malandros. Não és só tu que te levantas mais cedo uma hora do que fazias, para ires a pé uma larga parte do percurso para o trabalho, há outros que poupam, e até os há tão poupadinhos que nem vão para o trabalho.

Eles também se sacrificam. Lê a revista Exame! Não é barata, mas o Zé do quiosque deixa-te folheá-la à borla. Lê, e vais ver como elas mordem também aos ricos. Ora vê – Américo Amorim, o homem mais rico do país, tem uma fortuna de 2,6 mil milhões de euros. Pobrezinho, mas de camisa lavada! O seu pé-de-meia, em plena crise, aumentou 18,2% face ao ano anterior. Soares dos Santos, patrão da Jerónimo Martins, que em 2004 era um pobretanas com 330 milhões é agora o 2.º do ranking, com 1,9 mil milhões de euros, um aumento de quase 90%! As 25 maiores fortunas no último ano cresceram 17,8%, para o equivalente a mais de 10% do PIB! Qual crise?!

Tu, sacrifica-te um pouco mais! Que diabo, se no tempo dos teus avós, uma sardinha dava para três, também não é pedir de mais se agora der para dois! Esbanjar é que nunca!

Francisco Queirós, in Diário das Beiras

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Tomada de posição sobre poluição do rio Ferreira


A Organização de Freguesia de Lordelo do Partido Comunista Português vem, publicamente, condenar e demonstrar a sua mais profunda revolta e indignação face às descargas poluentes que, nas últimas semanas, foram visíveis no caudal do rio Ferreira, a jusante da levada do Souto, onde termina o tubo proveniente da ETAR de Arreigada. Infelizmente, a situação não constitui para nós qualquer novidade, tendo já a CDU, alertado por diversas ocasiões para este grave problema ambiental que assola a nossa terra.
Ao contrário da Junta de Freguesia de Lordelo, que acordou tarde para o problema e ainda maltratou e discriminou aqueles que iniciaram as limpezas das margens do rio há cerca de 10 anos atrás, e da Câmara Municipal de Paredes que nem sequer procede à limpeza regular das nossas ruas ou à recolha atempada dos contentores do lixo e da reciclagem.

Na verdade estas entidades, infelizmente, são parte do problema e não da solução, nunca tendo conseguido resolver o problema da preservação daquele que é um dos maiores bens da nossa terra: o rio!

A poluição no rio Ferreira constituiu sempre, aliás, uma forte preocupação ambiental da Organização de Lordelo do PCP, pois encarou a despoluição do Rio como uma necessidade urgente para o bem-estar da freguesia, necessidade essa bem expressa nos projectos autárquicos que ao longo dos anos a CDU tem vindo a defender e a propor à população e nas denúncias que ao longo de mais de 10 anos realizou junto das entidades competentes. O PCP/Lordelo considera, hoje como ontem, ser necessária uma intervenção eficaz e consequente na preservação da qualidade da água e na defesa dos ecossistemas ainda existentes no curso do rio.

Face aos últimos desenvolvimentos e face às frequentes queixas que a população nos tem feito chegar, a Organização de Lordelo do PCP, entendeu tomar não só uma posição pública sobre a questão, como dar sequência prática à indignação e revolta sentida pelo povo de Lordelo.

Assim sendo, o PCP/Lordelo, através dos deputados do distrito do Porto eleitos pela CDU na Assembleia da República, interpelará directamente o Governo e o MAMAOT (Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território) expondo o problema de forma documentada, exigindo uma rápida e adequada resposta à situação. Para além disso, o PCP/Lordelo estará sempre disponível para participar activamente em iniciativas que visem a resolução do problema, desde manifestações até à recolha de assinaturas, desde que elas não sejam encabeçadas pela Junta de Freguesia de Lordelo ou pela Câmara Municipal de Paredes, entidades que não reconhecemos nenhuma legitimidade na questão ambiental, tendo em conta o que (não) fizeram nesta área e pela atitude de aproveitamento político do trabalho desinteressado de outros.

O PCP/Lordelo recusa-se terminantemente a ficar de braços cruzados perante este gravíssimo atentado ambiental, e lutará em todas as instâncias e de forma persistente, para que a qualidade da água do rio Ferreira volte a ser o que foi outrora.
Para isso, exigimos
1) O cumprimento escrupuloso das normas ambientais por parte da ETAR de Arreigada;
2) A construção de uma ETAR tecnologicamente mais avançada a montante da actual ETAR de Arreigada;
3) Posteriormente, a retirada do tubo proveniente da actual ETAR do leito do rio.



A Organização de Freguesia de Lordelo do PCP

11 de Agosto de 2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As Seis Características Fundamentais de um Partido Comunista


O quadro das forças revolucionárias existentes no mundo alterou-se nas últimas décadas do século XX.
O movimento comunista internacional e os partidos seus componentes sofreram profundas modificações em resultado da derrocada da URSS e de outros países socialistas e do êxito do capitalismo na competição com o socialismo.
Houve partidos que renegaram o seu passado de luta, a sua natureza de classe, o seu objectivo de uma sociedade socialista e a sua teoria revolucionária. Em alguns casos, tornaram-se partidos integrados no sistema e acabaram por desaparecer.
Esta nova situação no movimento comunista internacional abriu na sociedade um espaço vago no qual tomaram particular relevo outros partidos revolucionários que, nas condições concretas dos seus países, se identificaram com os partidos comunistas em aspectos importantes e por vezes fundamentais dos seus objectivos e da sua acção.
Por isso, quando se fala hoje do movimento comunista internacional, não se pode, como em tempos se fez, colocar uma fronteira entre partidos comunistas e quaisquer outros partidos revolucionários. O movimento comunista passou a ter em movimento uma nova composição e novos limites .
Estes acontecimentos não significam que partidos comunistas, com a sua identidade própria, não façam falta à sociedade. Pelo contrário. Com as características fundamentais da sua identidade, partidos comunistas são necessários, indispensáveis e insubstituíveis , tendo em conta que assim como não existe um “modelo” de sociedade socialista, não existe um “modelo” de partido comunista.
Entretanto, com diferenciadas respostas concretas a situações concretas, podem apontar-se seis características fundamentais da identidade de um partido comunista, tenha este ou outro nome.

1ª - Ser um partido completamente independente dos interesses, da ideologia, das pressões e ameaças das forças do capital.Trata-se de uma independência do partido e da classe, elemento constitutivo da identidade de um partido comunista. Afirma-se na própria acção, nos próprios objectivos, na própria ideologia.
A ruptura com essas características essenciais em nenhum caso é uma manifestação de independência mas, pelo contrário, é, em si mesma, a renúncia a ela.

2ª - Ser um partido da classe operária, dos trabalhadores em geral, dos explorados e oprimidos.
Segundo a estrutura social da sociedade em cada país, a composição social dos membros do partido e da sua base de apoio pode ser muito diversificada. Em qualquer caso, é essencial que o partido não esteja fechado em si, não esteja voltado para dentro, mas, sim voltado para fora, para a sociedade, o que significa, não só mas antes de mais, que esteja estreitamente ligado à classe operária e às massas trabalhadoras.
Não tendo isto em conta, a perda da natureza de classe do partido tem levado à queda vertical da força de alguns e, em certos casos, à sua autodestruição e desaparecimento.
A substituição da natureza de classe do partido pela concepção de um “partido dos cidadãos” significa ocultar que há cidadãos exploradores e cidadãos explorados e conduzir o partido a uma posição neutral na luta de classes – o que na prática desarma o partido e as classes exploradas e faz do partido um instrumento apendicular da política das classes exploradoras dominantes.

3ª - Ser um partido com uma vida democrática interna e uma única direcção central.
A democracia interna é particularmente rica em virtualidades nomeadamente: trabalho colectivo, direcção colectiva, congressos, assembleias, debates em todo o partido de questões fundamentais da orientação e acção política, descentralização de responsabilidades e eleição dos órgãos de direcção central e de todas as organizações.
A aplicação destes princípios tem de corresponder à situação política e histórica em que o partido actua.
Nas condições de ilegalidade e repressão, a democracia é limitada por imperativo de defesa. Numa democracia burguesa, as apontadas virtualidades podem conhecer, e é desejável que conheçam, uma muito vasta e profunda aplicação.

4ª - Ser um partido simultaneamente internacionalista e defensor dos interesses do país respectivo.
Ao contrário do que em certa época foi defendido no movimento comunista, não existe contradição entre estes dois elementos da orientação e acção dos partidos comunistas.
Cada partido é solidário com os partidos, os trabalhadores e os povos de outros países. Mas é um defensor convicto dos interesses e direitos do seu próprio povo e país. A expressão “partido patriótico e internacionalista” tem plena actualidade neste findar do século XX. Pode, na atitude internacionalista, incluir-se, como valor, a luta no próprio país e, como valor para a luta no próprio país, a relação de solidariedade para com os trabalhadores e os povos de outros países.

5ª - Ser um partido que define, como seu objectivo, a construção de uma sociedade sem explorados nem exploradores, uma sociedade socialista.
Este objectivo tem também plena actualidade. Mas as experiências positivas e negativas da construção do socialismo numa série de países e as profundas mudanças na situação mundial, obrigam a uma análise crítica do passado e a uma redefinição da sociedade socialista como objectivo dos partidos comunistas .

6ª - Ser um partido portador de uma teoria revolucionária, o marxismo-leninismo, que não só torna possível explicar o mundo, como indica o caminho para transformá-lo.
Desmentindo todas as caluniosas campanhas anticomunistas, o marxismo-leninismo é uma teoria viva, antidogmática, dialéctica, criativa , que se enriquece com a prática e com as respostas que é chamada a dar às novas situações e aos novos fenómenos. Dinamiza a prática, enriquece-se e desenvolve-se criativamente com as lições da prática.

Marx no “O Capital” e Marx e Engels no “Manifesto do Partido Comunista” analisaram e definiram os elementos e características fundamentais do capitalismo. O desenvolvimento do capitalismo sofreu porém, na segunda metade do século XIX, uma importante modificação. A concorrência conduziu à concentração e a concentração ao monopólio.
Deve-se a Lénine, na sua obra “O imperialismo, fase superior do capitalismo”, a definição do capitalismo nos finais do século XIX.
Extraordinário valor têm estes desenvolvimentos da teoria. E igual valor têm a investigação e a sistematização dos conhecimentos teóricos.
Numa síntese de extraordinário rigor e clareza, um célebre artigo de Lénine indica “as três fontes e as três partes constitutivas do marxismo”.
Na filosofia, o materialismo-dialéctico, tendo no materialismo histórico a sua aplicação à sociedade.
Na economia política, a análise e explicação do capitalismo e da exploração, cuja “pedra angular” é a teoria da mais-valia.
Na teoria do socialismo, a definição de uma sociedade nova com a abolição da exploração do homem pelo homem.
Ao longo do século XX, acompanhando as transformações sociais, novas e numerosas reflexões teóricas tiveram lugar no movimento comunista. Porém, reflexões dispersas, contraditórias, tornando difícil distinguir o que são desenvolvimentos teóricos, do que é o afastamento revisionista de princípios fundamentais.
Daí o carácter imperativo de debates, sem ideias feitas nem verdades absolutizadas, procurando, não chegar a conclusões tidas por definitivas, mas aprofundar a reflexão comum.
É de esperar que o Encontro Internacional na Fundação Rodney Arismendi de Setembro do ano corrente dê uma contribuição positiva para que este objectivo seja alcançado.

Álvaro Cunhal

15 de Setembro de 2001

Primeira Edição: Intervenção enviada ao Encontro Internacional sobre a "Vigencia y actualización del marxismo", organizado pela Fundación Rodney Arismendi , em Montevideo, de 13 a 15 de Setembro de 2001, por ocasião do 10º aniversário da sua constituição. O Encontro abordou três grandes temas: "Una concepción y un método para enfrentar los desafíos del nuevo milenio"; "Democracia, democracia avanzada y socialismo"; "Por la unidad de la izquierda a la conquista del gobierno". Fonte: Portal Vermelho. Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo, fevereiro 2008.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sermão do bom ladrão


Corria e decorria o período quaresmal do Ano da Graça de 1655 em Lisboa. Na Igreja da Misericórdia, postavam-se, em solene recolhimento, Dom João IV, o rei, os seus ministros, os seus conselheiros e os seus magistrados. Com uma lacerante concepção do mundo, da história, do Estado, da Sociedade e do Evangelho, levanta-se António Vieira, o pregador. Começou por advertir Sua Majestade e os seus próximos de que a prédica mais se adequaria à Capela Real, já que incidiria sobre questões de poder e corrupção, opulência e indigência, adulação e mistificação. Mas quiseram as circunstâncias que a Palavra da Luz se fizesse ouvir na Conceição Velha. Corre e decorre o Ano da Graça de 2011 e o sermão mantém-se pertinente, bastando substituir a Índia por União Europeia, o rei por presidente, os ministros por ministros, os conselheiros por assessores, os magistrados por magistrados.

Vamos falar, hoje, do Público e do Privado, do Mal e do Bem. Na verdade, tudo o que é público é tido por vergonhoso: um roubo sem ornatos de benemerência, o incesto badalado na vox populi, as lamúrias nas filas de espera dos hospícios. Já o Privado é prenhe de virtudes: enriquece preferentemente em silêncio (e o enriquecimento lícito é mais chocante e pernicioso do que o ilícito), destaca anjos da guarda para operações criminosas, socorre donzelas em maus lençóis e maleitas brasonadas em clínicas discretas. Voltemos, no entanto, à missão profética e à iniciação ética dos Governos. Vossa Majestade deverá distanciar-se dos desmandos que se cometem em Vosso Nome e deverá recusar prendas bajulatórias, já que VM jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, vertida, nas Cortes Gerais, em defesa das classes desfavorecidas e pervertida, nas aplicações correntes, pelas classes favorecidas. Quero valer-me desta quadra que, embora pós-quaresmal, não deixa de ser de jejum e penitência, de luto imposto pelos argentários, para aconselhar os seus ministros, os seus assessores e os seus magistrados a fornecerem a VM os Relatórios da Fazenda Pública, do Tribunal de Contas e dos Ouvidores das Praças. Neles consta que o maldito défice público se transformou em bendito superávite privado. Verá, com seus próprios olhos, que, mui patentemnente desde 1986, se desvaneceu a linha que separa a administração da usurpação. Não haveria, hoje, este abalo nas Finanças e esta perda de independência e sobretudo este clamor social se milhares de milhões em impostos não tivessem prescrito, se milhares de milhões não houvessem contornado o Estado na economia paralela, se milhares de milhões não se tivessem injustificado em aditamentos de adjudicações, se milhares de milhões não houvessem sido aplicados em vasos de guerra em vez de indústrias da paz, se milhares de milhões não tivessem esquecido as necessidades primárias e lembrado as sumptuárias, se milhares de milhões se houvessem acautelado nas privatizações, se milhares de milhões vindos da Europa tivessem merecido acompanhamento cívico e judiciário, se milhares de milhões não se tivessem evadido para paraísos infiscalizáveis. O confirmará nas auditorias se houver alguma verticalidade na coluna do Reynno e alguma decência nas vestes da Corte.
Entretanto, o Bom Ladrão Privado esforça-se por convencer assalariados, pensionistas, desempregados, consumidores, contribuintes, eleitores e sobretudo os pobres em Ciências do Ter & do Poder de que o Público é a raiz do mal, apesar de tão grande Riqueza Privada não existir sem tamanha Pobreza Pública. Por isso, não estranhe VM a campanha dos Boletins & dos Cornetins: o Estado não tem vocação para administrar, cabendo-lhe transferir o Orçamento para os Privados, estabelecer parcerias em que aceite perder para gerir bem. Clamam ainda as trombetas de Jericó, a começar pelos corneteiros de El'Rei, que o Estado é mau pagador. Dramatiza-se – Céus! – o Calendário de Incumprimento da Administração Central e da Administração Local: seis meses em média. Chegam a acusar o Estado como causador-mor das insolvências particulares. Não estão, porém, Majestade, empenhados em mostrar o que empresas e privados devem ao Estado, tornando-o insolvente. Também não os preocupa quanto os privados devem entre si, bem como o respectivo Calendário de Incumprimento e os Anexos de Incobráveis. Majestade, quem emite milhares e milhares de cheques sem provisão neste país onde a Palavra nada abona nem a barba nada cauciona? Quem não honra milhões de contratos? Inúmeros empreendedores. Também a Iniciativa Privada fecha milhares de portas, numa rotunda manifestação de superioridade do privado sobre o público. Todos os anos, no Dia dos Fiéis Defuntos, Vossa Majestade inauguraria o maior cemitério da Grei se as empresas e as famílias que tombam por incapacidade da gerência ou lógica trucidante dos mercados coubessem nas sepulturas e as suas contas num epitáfio. É o Privado – creia Majestade – que ostenta a Coroa da Glória a defraudar o Estado e o Privado, que reduz e atrasa salários, que fecha empresas por SMS e arregimenta esquadrões da Guarda Real e da Segurança Privada para cortar o passo ao desespero dos espoliados e à indig(nação) dos ludibriados. Mas os Boletins & os Cornetins açulam as almas. Reflecti: traçam cenários de falência do Serviço Nacional de Saúde. Apontam alguns casos e escondem outros casos. Manejam o método dos sofistas: a ADSE não é expedita a pagar aos hospitais e os hospitais não honram os compromissos com os fornecedores. Senhores ministros, assessores e magistrados, mas as Seguradoras Privadas deixam arrastar as dívidas aos hospitais e os arautos da insustentabilidade não pedem ou sugerem a nacionalização dos Seguros.
Noto pelo sobrolho de Vossa Majestade e pela rigidez de porte – o Infalível o saberá – algum enfado. Espero que seja postura de protocolo: na sua infinita misericórdia, o Altíssimo convidou-Vos, abrindo a Casa do Poder Intemporal ao Poder Temporal. Mas temendo ser pouco cerimonioso e parcimonioso não alongarei a pregação. Rematarei o Verbo com uma ocorrência que não se situa no antanho mas caberia nos tombos das rotas das Índias e do Brasil, dos desfalques e das especiarias, dos ferros dos escravos e dos metais preciosos. Ouviu VM alguma murmuração sobre o BPN, entidade com alvará de 1993, lavrado por seu egrégio Governo. Foi um covil de ladrões. O erário público já sangrou mais do que Cristo no Calvário para pagar e apagar malfeitorias, algumas com inovação nas artes de furtar. Corria e decorria um domingo do Ano da Graça de 2008 e o banco foi nacionalizado. Os lucros ficaram nas mãos dos delinquentes e os prejuízos nas mãos do Estado. Corria e decorria um domingo do Ano da Graça de 2011 e o banco foi reprivatizado. O facto dos agentes do Estado actuarem pela calada, no dia que Deus destinou ao repouso, é matéria de suspeita, a apurar no Juízo Final. De momento, cumpre-me alertar VM para os obscuros negócios da pátria, ilustrados por esta fábula de colarinho branco: foi o BPN constituído e gerido por um elenco em boa parte saído de seus Governos. Houve uma tentativa frustrada de reparo dos rombos, empreendida também por um Vosso ex-ministro, mas apenas levou consigo 10 milhões pelo intento de reparação. A Caixa Geral de Depósitos, do Estado Português, com autorização dos ministros e assessores do Reynno e presta e digna assinatura régia, perdeu milhares de milhões de euros neste naufrágio das Novas Índias. Presidia à Caixa um Vosso ex-ministro. Agora, também um Vosso ex-ministro encabeça a compra dos despojos da embarcação, declarando que o Estado fez um interessante acordo, apesar de existir uma contraproposta de 100 milhões, que não previa saneamentos de funcionários nem encerramentos de balcões. Majestade, ministros, assessores, magistrados, assevera o último ex-ministro em cena que os contribuintes poderão respirar: o BPN sairá da órbita do Estado. A que preço? Por 40 milhões de euros: menos de metade do estádio de futebol de Braga, cidade de igrejas e mesquitas. Mas como garantir descanso aos contribuintes se está em curso uma recapitalização de 550 milhões, se as eventuais rescisões serão suportadas pelo Estado, se os subsídios de desemprego e a interrupção das contribuições em sede de Segurança Social e IRS afectarão os cofres do Reynno e engrossarão as falanges dos inactivos? Só metade dos marinheiros é arrojada às vagas apregoa o recém-graduado capitão, com ar humanitário, a boca rendilhada de espuma. Não espanta: o mar está embravecido e ele, animoso, manobra da casa das máquinas à coberta. Apanha com as vagas em cheio. Gagueja mas não larga o leme. Insufla ânimo aos marujos apavorados e aos clientes espavoridos. O BIC lançará coletes de salvação a 750 marinheiros que provem nadar de bruços entre o Cais da Ribeira e a Baía de Luanda. Salvar-se-ão os tripulantes mais vigorosos e destros. Já assim era na selecção de negros para as plantações e minas de ouro. Os restantes 800 serão timbrados como excedentes e incompetentes, inadaptados às lides do corso e às cutiladas dos fortins: baixas de ciladas, escorbutos, enjoos, vilezas e rumores. Em contrapartida, os capitães da finança luso-angolana, pela voz de Mira Diogo Cão Amaral, enaltecem a credibilidade e a capacidade do grupo investidor-saldador, dando como beneplácito a figura do homem mais rico de Portugal: Amé(rico) Amorim. Majestade, não conheceis este Amé(rico) das ligações à Corte? Como vós é Rei, embora da cortiça. Como vós é soberano, mas do petróleo. E que mais recordareis? Há anos integrou uma delegação de eminências capitalistas que foi demonstrar ardor pátrio junto da Corte, apelando às corporações para que mantivessem a direcção e o controlo accionista em Portugal. Amé(rico) não demoraria a passar para controlo espanhol o BNCI/Banco Nacional de Crédito Imobiliário. Patriotismo nunca faltou aos grupos de pressão e da abdicação: anteriormente já Amé(rico) havia vendido a espanhóis a posição no BCP. Não escasseiam elementos retratísticos. Aqui há anos envolveu-se num colossal processo de desvio de fundos europeus, sendo bafejado pelas prateleiras da morosidade com a prescrição. Não vai há séculos que ordenou o despedimento preventivo de dezenas de súbditos, estribado em apreensões sobre o futuro das rolhas e de outros artigos de sobro. Mas os resultados surpreenderam o Rei de Santa Maria da Feira. Sempre a crescer. Sempre a enriquecer. Principalmente à medida que a miséria alastra e o Estado não só privatiza empresas e serviços como se encontra refém dos privatizadores. Senhor, Portugal deve muito aos ricos ou serão os ricos que devem muito a Portugal?
Majestade, vou terminar com Vossa licença. A Nação jaz guarnecida de panos roxos da Paixão, à mercê dos passos e compassos da Troika, aparentemente rendida a moedeiros autóctones e internacionais, à capitulação das fidalguias, às vénias das criadagens. Não abusarei da tortura da verdade. Deus se compadeça da Vossa visão e da Vossa audição, hoje, na qualidade de 19.º chefe de Estado da República, ontem, como 21.º chefe de Estado da Monarquia, a fim de que os olhos de todos os seres que Francisco de Assis amou forneçam clareza ao Vosso olhar e o troar dos canhões e dos carrilhões Vos faça entender que, mais tarde ou mais cedo, não há bom ladrão que se exima à justiça nem rei que escape à peste. E a peste será a cólera dos justos. Vós e os ministros, assessores e magistrados a fomentaram. Vorazes e altivos agora. Cabisbaixos Vos sentireis depois. Cercados pelo alvoroço das arraias de Fernão Lopes. Envergareis as túnicas do opróbrio. Devolvereis as dezenas de BPN's que levaram Portugal a contrair dívidas para liquidar dívidas, a ditar a carência colectiva em favor da ostentação da Corte e dos cortesãos. Senhor, por que continuais de sobrolho carregado? D. João IV faleceu um ano após o meu sermão. Não vos fixeis nos adejos do infausto. Porventura estareis a rever-Vos no destino dos príncipes de Israel que sofreram o cativeiro por abandonarem o povo de Deus aos lobos?

Principes ejus in medio illius, quasi lupi rapientes praedam (Ezequiel, 22, 27).

César Príncipe, Escritor/Jornalista.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Contra o futebol moderno

Nos países pobres, o futebol é, muitas vezes, a única alternativa para os jovens. Sem espaços e equipamentos, a bola é uma solução fácil para ocupar o tempo de quem vive as consequências das desigualdades sociais. O sonho de se chegar a estrela mundial faz o resto. Não admira, pois, que a maioria dos atletas provenha da classe trabalhadora. Mas se a maioria dos jogadores tem origem em zonas mais humildes também é um facto que isso, na maioria das vezes, pouco ou nada influencia a sua consciência social e política. Perante a podridão em que se transformou a modalidade, uma boa parte dos futebolistas prefere alimentar e alimentar-se do negócio. A essência do desporto passou a ser guiada pelo dinheiro.
“O futebol é capitalismo, é morte”. Foi nestes termos que o jogador do Sporting de Gigón, Javi Povés, se dirigiu à comunicação social para anunciar o fim da sua carreira. Aos 24 anos, decidiu romper com o futebol por razões de consciência. Anteriormente, Javi Povés já havia entrado em choque com o clube asturiano quando, no ano passado, exigiu que não lhe pagassem através de transferência bancária. “Não quero que se especule com o meu dinheiro”, afirmou. Depois, surpreendeu os dirigentes do clube quando recusou um automóvel da frota que foi oferecida aos jogadores. “Sentia-me mal com dois carros. Não necessitava”, justificou.
Perante o espanto da comunicação social, Javi Povés foi sucinto: “Apelidam-me de anti-sistema, encaixaram-me aí, mas não sei o que sou. Sei que não quero viver prostituído como 99 por cento das pessoas. Se não posso ter uma vida limpa em Espanha, tê-la-ei na Birmânia ou em qualquer sítio”. Acrescentou ainda que, no início, se aproximou do movimento dos acampados. “Propõem mudanças muito superficiais que para mim não chegam. De que me serve ganhar 1000 euros em vez de 800 se estão manchados de sangue, se sei que se obtêm com o sofrimento e a morte de muita gente? A sorte desta parte do mundo é a desgraça do resto. Em vez de tanto 15-M e tanta história, o que há que fazer é ir aos bancos e queima-los, cortar cabeças. Digo isto de forma clara”.
Naturalmente, Javi Povés é uma excepção. São quase desconhecidos os que abandonaram o futebol profissional por razões políticas. Na história do desporto nacional não há, provavelmente, qualquer exemplo. Sabe-se que o histórico comunista Octavio Pato se destacou nas camadas jovens do Sport Lisboa e Benfica e que optou por dedicar a sua vida à luta revolucionária. Noutros países, há muitos casos de futebolistas que abraçaram ideias e causas ligadas às suas origens sem abandonar a modalidade. O que devia ser a norma é, infelizmente, a excepção.
Em Itália, Cristiano Lucarelli deixou de ser convocado para a selecção depois de ter exibido uma t-shirt com a imagem do Che Guevara durante os festejos de um golo. Na Catalunha, Oleguer Presas, ex-defesa do Barcelona e actual jogador do Ajax, foi acusado várias vezes de apoiar o terrorismo. Recusou jogar na selecção espanhola, apoiou os presos políticos bascos e sempre esteve envolvido em movimentos sociais da esquerda independentista catalã. No País Basco, Eñaut Zubikarai, guarda-redes da Real Sociedad, viu recusada a sua transferência para o Hercules por ser filho de um ex-membro da ETA preso há 22 anos e por defender a independência do País Basco.
Quem gosta verdadeiramente do futebol e não renega as suas origens não tem lugar nesta modalidade. O que importa é alimentar o circo viciado dos negócios obscuros, da lavagem de dinheiro, da especulação e dos lucros astronómicos. Cristiano Ronaldo é uma caricatura desse mundo. Uma criança de origens humildes que é, hoje, produto do futebol moderno e do que ele representa. No campo e fora dele, transmite os valores do capitalismo e é o ídolo de milhões de crianças pobres. Felizmente, há cada vez mais atletas e adeptos que se insurgem.

Bruno Carvalho, in 5 dias.net

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Atalaia


Foi em Setembro de 1989 que se concretizou a compra pelo PCP da Quinta da Atalaia, na Amora, Seixal. Decorria a Festa do Avante na Quinta do Infantado em Loures quando se anunciou a referida compra.

Ler mais em Registos da História

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quer continuar a salvar os ricos?

Fim das Golden Shares - Traição aos interesses nacionais

O que dizer do processo de liquidação das Golden Shares? Que o Governo do capital faz o que o capital manda fazer! Que a Troika manda e o Governo PSD/CDS e o PS, obedecem!
O Preâmbulo do fim dos direitos especiais do Estado português, é notável pela sua concisão e rigor.
“Contexto”: “o escrupuloso cumprimento dos objectivos e das medidas previstas no Programa de Assistência Financeira”!
A justificação: “justifica-se, no momento presente, proceder à sua revogação”!
Três notas.
1.A CURTA HISTÓRIA DE UMA MENTIRA SISTEMÁTICA
O deslizamento estatutário do comando estratégico de empresas estratégicas é uma das mentiras sistemáticas da política de privatizações. De empresas públicas, passaram a sociedades anónimas de capitais públicos! Mas não havia problema, eram os comunistas sempre no contra…De sociedades anónimas de capitais públicos passaram a empresas SA com participação privada minoritária! Não havia problema, o Estado era maioritário, estava assegurado o comando! Estes comunistas, sempre a verem o pior…De participação minoritária, os capitais privados passaram a maioritários, ou a 100%! Perda de comando público? Que ideia, lá estavam as golden shares a garantir o comando estratégico! A garantia dos tais centros de decisão nacional…A tinta, que correu sobre o assunto! As declarações solenes! Os fóruns e as conferências… A mentira e a fraude no completo despudor do frete ao capital!
2.UM CRIME ECONÓMICO CONTRA O ESTADO PORTUGUÊS
Só o Sr. Ministro das Finanças é que não enxerga! Mas não é por defeito ou ingenuidade. Mesmo alguns dos que aceitam as privatizações, consideram a dádiva das golden shares, um bónus aos accionistas. A PT vendida por 3 300€! O Comendador Berardo em 2007, na PT, ofereceu 200 milhões de euros pelas golden shares! O Governo oferece o valor estratégico que essas acções representam, sem sequer o tentar vender! As acções na privatização dessas empresas tiveram um preço abaixo do seu valor, exactamente por causa das golden shares! O Governo, pelo menos, deveria procurar recuperar esse abatimento…Disse um dos novos Administradores da CGD (Álvaro Nascimento): a golden share “tem valor”. Não o negociar, “significa transferir esse valor para os accionistas e o Estado está a prescindir desse direito”!
O PCP está contra a sua eliminação, com ou sem transacção comercial! Mas não deixamos de denunciar, como disse Octávio Teixeira ”É um inadmissível crime de muitos milhões contra os interesses financeiros do Estado”!
3. UMA TRAIÇÃO AOS INTERESSES NACIONAIS
Os outros Estados da Europa são estúpidos! Nós, Governo PSD/CDS, é que somos inteligentes. O representante do FMI e patrão da Troika, o dinamarquês Poul Thomson é um bom benemérito. Um bom conselheiro, só que não toma para a sua terra, os bons conselhos que nos vem dar. Mas já se sabe, os nórdicos e outros, são outra gente… e estes do Sul, uns atrasados, pigs. Veja-se lá: até têm golden shares nas empresas de energia, telecomunicações e etc. Nós na Dinamarca não. Temos a DONG ENERGY, a maior empresa do sector de energia do país, com presença no petróleo, gás e electricidade, com uma quota de mercado superior à da GALP e EDP, com 77% de capital do Estado dinamarquês. (Manuel Pinho dixit). Nós na Alemanha não, diz a SrªMerkel. Temos que manter a Volkswagen com comando alemão! Já avisamos a Comissão Europeia que não nos chateiem… Nós na Europa, na França, no Reino Unido, na Finlândia, na Bélgica, etc podemos e devemos poder manter direitos especiais em empresas da energia, defesa, telecomunicações, automóvel, e até no açúcar! Vocês, temos pena, mas têm que privatizar e largar de borla as ditas GOLDEN SHARES! (são pobres não podem ter luxos de ricos!) A Dong Energy, a EDF, a Total, a RWE e outros matilhas esfaimadas estão à espera…Se fossem gregos vendiam umas ilhas…
O Governo PSD/CDS não quer que haja dúvidas. Quer mesmo, “de forma decidida e convicta”, é um desejo profundo, o capital estrangeiro nestas empresas estratégicas. Não só lhes quer vender o que resta da presença do Estado português, como lhes escancara a porta, oferecendo as golden shares de desconto! Isto, enquanto não somos obrigados a vender a pedido e com comprador predeterminado, como sucedeu na Grécia, em que a OTE, a PT lá do sítio, foi obrigada a vender à Deutsche Telekon, que ficou com 40% do capital e o Estado grego 10%! (Não é por acaso que há quem pense que o melhor são os processos de privatização serem conduzidos por Bruxelas! Eles sabem o que é melhor para os protectorados…)
Isto tem um nome: traição aos interesses nacionais!
É um atentado à Soberania Nacional, entregar o comando estratégico de empresas estratégicas a estrangeiros, empresas com evidentes dimensões de segurança pública e segurança nacional! Empresas como a EDP, a GALP, a REN, a PT, a ANA, os CTT, a CP, as AdP! Com o fim da golden share, a PT passa a ser uma das poucas operadoras europeias sem controlo do Estado!
Mas como se tratam de direitos inalienáveis, soberanos e constitucionais do povo português, queremos afirmá-lo firme e claramente: estes negócios são actos nulos e a todo o tempo anuláveis! Nunca poderão ser considerados legítimos!