BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Poluição do rio Ferreira: Miguel Correia confronta Pedro Pinto


Ontem, a sessão da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira ficou marcada pela presença de um grupo de lordelenses liderado por Miguel Correia, deputado da CDU na Assembleia de Freguesia de Lordelo e fundador da associação ambientalista Moinho.

O deputado de Lordelo, no período destinado ao público, dirigiu-se a Pedro Pinto, o presidente da edilidade pacense, para o acusar de “desrespeito para com o povo de Lordelo” e transmitir a indignação e revolta dos lordelenses, em relação às descargas efectuadas pela ETAR de Arreigada, a jusante da levada do Souto.

Este local de grande beleza paisagística é frequentado por centenas de pessoas, especialmente no Verão. Por isso, Miguel Correia convidou Pedro Pinto a visitar este local e a percorrer as margens do rio Ferreira, em Lordelo, a fim de perceber a dimensão do problema – os detritos que provocam a mortandade dos peixes e os cheiros nauseabundos –, que está a deixar a população e todos os amantes do rio “à beira de um ataque de nervos”.

Questionou ainda sobre a disponibilidade e a eventual existência de projectos por parte da Câmara Municipal de Paços de Ferreira para resolver este problema que existe há mais de 15 anos.

Na resposta, o presidente pacense disse que “respeita muitos Lordelo e os lordelenses” e que aceita o convite para visitar o rio em Lordelo, lembrando que, no ano passado, já percorreu as margens do rio Ferreira juntamente com presidente da edilidade paredense, Celso Ferreira, onde pode constatar o problema.

Fez depois uma resenha histórica do problema e afirmou que, apesar das melhorias alcançadas e dos relatórios ambientais demonstrarem que a ETAR cumpre a lei, reconhece que a poluição continua a existir e que afecta a população.

Revelou que tem projectos para resolver o problema e mostrou-se disponível para mostrar e discutir com os representantes do povo de Lordelo.

O assunto da poluição do rio Ferreira, em Lordelo, foi aproveitado pelos deputados municipais da oposição para lembrar a Pedro Pinto que a poluição do rio Ferreira também existe em território de Paços de Ferreira e que o edil pacense tenta “justificar a Lordelo o injustificável” e que “já ouvimos esse discurso que não resolveu nada”.

À saída da sessão, Miguel Correia, em declarações à imprensa, afiançou, que apesar de ter sido positivo a disponibilidade manifestada pelo presidente pacense, não ouviu nada de novo e espera que os projectos com vista a resolução do problema sejam concretizados de forma célere, porque os” lordelenses estão fartos de levar com a porcaria dos outros”.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Assembleia de Freguesia de Lordelo - 26 Setembro 2011

(poluição do rio Ferreira "aqueceu" o debate)


No período antes da ordem do dia, Miguel Correia, deputado da CDU, colocou algumas questões ao presidente da Junta:

1) Quantos funcionários tem a Junta de Freguesia? Qual a relação laboral que cada um tem com a Junta (se pertencem aos quadros, se são contratados ou prestadores de serviços como trabalhadores independentes)? Que tipo de funções exerce o arquitecto António na Junta de Freguesia? Está previsto alguma redução de funcionários devido aos cortes previstos para a Administração Pública?

2) O Centro Tecnológico das Indústrias da Madeira e do Mobiliário (CTIMM) encerrou em 2004 devido à má gestão e à alta de apoio do Estado. O PCP reuniu na altura com os trabalhadores. Além de dar emprego a algumas pessoas, era a única instituição em Portugal a certificar a segurança do mobiliário. Volvidos mais de 7 anos, e apesar das promessas, continuamos sem uma estrutura importante para o sector do Mobiliário. Possui informações sobre esta situação? Pode garantir que o CTIMM vai reabrir?

3) As obras na Escola EB 2, 3 e Secundário (nomeadamente, uma nova entrada) irão realizar-se?

Joaquim Mota informou sobre o número de funcionários da Junta, mas nada disse sobre as relações laborais mantidas com os funcionários nem sobre a possível redução do número de funcionários. Sobre o arquitecto António, apenas revelou que é contratado e está a fazer um bom trabalho, sem adiantar pormenores sobre as suas funções.
Sobre o CTIMM, Mota reconheceu que era uma instituição importante, mas que nada sabe sobre esta questão.
Sobre as obras na Escola EB 2, 3 e Secundária, Mota assegurou que a solução já não passa pela requalificação do actual estabelecimento de ensino, nem por fazer uma nova entrada, prometendo que irá ser construída uma nova escola, sem adiantar quaisquer prazos.

Ainda neste período, o PSD aborda o problema da presença de ciganos no lugar de Parteira. O presidente da Junta afirmou que já falou com Celso Ferreira. Este terá pedido as licenças de habitabilidade das casas alugadas às famílias de etnia cigana, a fim de tentar resolver um problema de conflito social que se está a agudizar.

Depois deste período e da aprovação da acta, seguiu-se o ponto de ordem de trabalhos mais polémico relativo à poluição do rio, que contou com a presença da vereadora do Ambiente da Câmara Municipal de Paredes.
Raquel Moreira afirmou que se tem empenhado afincadamente para tentar solucionar o problema das descargas de ETAR e que elaborou um relatório sobre a poluição do rio Ferreira, sem no entanto o apresentar aos deputados da Assembleia de Freguesia nem ao público presente. Também Joaquim Mota acusou os ex-vereadores do Ambiente da CM Paredes de nada fazerem para resolver o problema da poluição e disse acreditar que com a vereadora actual é possível encontrar uma solução.
Seguiu-se um período de colocação de questões por parte dos deputados e do público à vereadora do Ambiente, onde se destacaram a intervenção do deputado da CDU, Miguel Correia, e do ex-presidente da Junta, o socialista Manuel Luís.

Miguel Correia, com trabalho reconhecido na luta pela defesa do meio ambiente (foi autor de várias denuncias apresentadas a diversas instituições; foi fundador da Associação Moinho e um dos principais protagonistas das primeiras acções de limpeza das margens do rio Ferreira; foi autor de relatórios ambientais; participou em várias reuniões, nomeadamente com o SEPNA – Serviço de Protecção da Natureza da GNR, em Penafiel; e mais recentemente colocou questões ao Ministério do Ambiente, através do Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República) denunciou a hipocrisia da Junta de Freguesia de Lordelo, lembrando que esta faltou com o apoio e discriminou a Associação Moinho, nomeadamente na primeira grande acção de limpeza das margens do rio Ferreira, entre ponte da Igreja e a levada do Souto, que contou com 80 pessoas. Acusou ainda a Junta de Freguesia e o seu presidente, de terem acordado tarde para o problema e da estratégia de afrontar a Câmara de Paços de Ferreira, quer seja por processos judiciais, quer pela manifestação “dos peixes mortos” junto da CM Paços de Ferreira (em época de eleições) em vez de resolver o problema, reforçou o impasse entre Paredes e Paços de Ferreira, com prejuízo para Lordelo.

O aproveitamento do trabalho dos outros e falta de inteligência política, levou Miguel Correia a dizer que a Junta de Freguesia deixou ter credibilidade política e moral para resolver os problemas ambientais.
Também a Câmara Municipal de Paredes não foi poupada. O eleito comunista afirmou não compreender que passados mais de 15 anos, o problema das descargas continuam, apesar do PSD ser a força política maioritária nos órgãos autárquicos (Lordelo, Paredes e Paços de Ferreira).
Concluiu, dizendo que o maior culpado continua a ser a Câmara Municipal de Paços de Ferreira, que “goza com a cara dos lordelenses” e convidou todos a participarem na sessão da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira, a realizar-se no dia seguinte, a fim de mostrar a indignação de Lordelo a Pedro Pinto, presidente da CM Paços de Ferreira.

Na qualidade de ex-presidente da Junta e responsável político pela colocação das condutas no rio que terminam a jusante da levada do Souto, Manuel Luís pediu a palavra para explicar que a solução encontrada na altura, em conjunto com a Câmara Municipal de Paços de Ferreira, foi a possível. A intenção era salvaguardar a qualidade da água para consumo humano extraída da levada do Souto. Ora, como agora já não se faz a captação nesse local, Manuel Luís propôs, como solução provisória, a retirada das condutas do leito do rio.

Já no final da sessão, ainda houve tempo para Mota atacar aqueles que aceitaram testemunhar contra ele no diferendo com o empresário da Liga, Luís Almeida, a propósito dos terrenos entre o estádio do Aliados e o Ecocentro.

domingo, 25 de setembro de 2011

A água é de todos e não negócio de alguns!

(Paulo Macieira, Ilda Figueiredo, Ricardo Costa)

Ontem, a Associação pelo Desenvolvimento do Lugar de Bustelo, em Recarei (Paredes), foi o local escolhido para a realização da sessão pública “A água é de todos e não negócio de alguns”, com a participação de Ilda Figueiredo, deputada comunista no Parlamento Europeu. Além da eurodeputada, a mesa dos oradores foi constituída por Paulo Macieira, membro da Comissão Concelhia de Paredes do PCP, e Ricardo Costa, eleito da CDU na Assembleia de Freguesia de Recarei.

Paulo Macieira abriu a sessão lembrando que a água é um bem essencial à vida, e por isso, não deve ser alvo de privatização. Recordou que o abastecimento de água no concelho de Paredes é da responsabilidade da empresa multinacional Veolia por um período de 35 anos, resultado da decisão do PSD, com o apoio do PS e do CDS na Assembleia Municipal. Esta concessão, que teve o voto contra da CDU, levou ao aumento dos preços da água e ao desinvestimento na rede de distribuição. Além disso, o dirigente do PCP denuncia a pressão por parte da Veolia para acabar com o abastecimento de água às populações por parte das Juntas de Freguesia e das Cooperativas que ainda existem em Paredes.


Esta crítica foi reiterada por Ricardo Costa, afirmando que os lugares de Bustelo e de Terronhas na freguesia de Recarei deparam-se com problemas de falta e má qualidade da água, devido ao desinvestimento e ao desleixo por parte da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Paredes, que abdicaram da sua obrigação de resolver os problemas de abastecimento e de saneamento. Para este dirigente comunista local, esta situação pode ser perigosa, na medida em que as populações, por desespero, podem aceitar que a Veolia tome conta do abastecimento e distribuição da água.
Na sua qualidade de deputado da CDU na Assembleia de Freguesia, tem sido incansável na denúncia desta situação e apelou a todos para participarem nas sessões da Assembleia de Freguesia e manifestarem ao Executivo as suas inquietações.

A eurodeputada comunista, recorrendo à sua vasta experiência política, revelou que não conhece nenhuma localidade onde tivesse melhorado o abastecimento de água às populações por via da concessão privada. A privatização da água leva à subida dos preços e ao desinvestimento na manutenção e qualificação da rede de distribuição. Além disso, também fora de Portugal, há muitos países que não aceitam qualquer tipo de privatização da água, como é o caso da Holanda, que tem uma lei que proíbe expressamente a privatização deste bem público.

Respondendo às questões e preocupações manifestadas pelo público presente, a eurodeputada afirmou que são as populações que têm que reivindicar junto das instituições as soluções para os seus problemas. Além da necessidade de mudança de voto nas eleições, a participação nas sessões das Assembleias de Freguesia ou nas Assembleia Municipais é fundamental para que os governantes sintam os problemas que afectam as populações. Recordou também que existem fundos europeus disponíveis para a exploração, abastecimento e distribuição da água, que só por incúria não são solicitados por parte da autarquia.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Assembleia de Freguesia de Lordelo

26 Setembro (segunda-feira), 21h

na sede da Junta de Freguesia

Ordem de Trabalhos:

1- Período antes da ordem do dia;

2 - Votação e aprovação da acta da sessão anterior;

3 - Relatório de Actividades do 3.º Trimestre 2011;

4 - Apresentação e informação do dossier sobre o funcionamento da ETAR de Arreigada - Paços de Ferreira e suas consequências para o leito do rio Ferreira;

5 - Período de trinta minutos para intervenção do público.

domingo, 18 de setembro de 2011

Bla, bla...


Esta citação foi em Novembro de 2010. E agora, o que dirá esta marioneta troikista a propósito do ditador da Madeira?


Sugestão de leitura:
Jardinismo: No PSD não há inocentes!
artigo de Ivo Rafael Silva

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Da loja dos trezentos

Nunca uma bolsa fez correr tanta tinta, talvez por ser laranja. Merkel fez-se acompanhar de uma bolsa cor de laranja numa importante intervenção no Bundestag, caiu o Carmo e a Trindade.
Ah e tal, para quem veste sempre cores discretas, isto traz água no bico, deve ser alguma manobra relativamente ao parceiro de coligação, FDP, cuja cor é o amarelo, está a tramá-la de certeza, assim rezavam os jornais.
A coisa foi de tal monta que até meteu psicólogos pelo meio, um deles foi mesmo contratado para descodificar uma suposta mensagem subliminar que Merkel queria endereçar aos seus pares.

A oposição lá do sítio, ofendida, arremeteu contra Merkel já que a bolsa, segundo eles, era um modelo francês da Longchamp, custava 310 euros e não estamos em época de grandes luxos. Vejam bem que até um porta-voz da chancelaria teve que vir a público acalmar os ânimos, garantindo que era apenas o espírito da estação do ano.
Eu que sou mais terra a terra catrapisquei logo a cena toda. Pobres coitados nem sonham que a verdadeira razão em torno da bolsa laranja é afinal mais prosaica, trata-se apenas de uns restos da campanha eleitoral cá do burgo que Pedro Passos levou quando foi ao beija-mão. Levava mais algumas mas Merkel abotoou-se com todas e ganhou o exclusivo em terras de Adolf Hitler e Willy Brandt, tão simples quanto isso e ainda estamos no início da semana, às vezes dá-me para estas coisas, não auguro nada de bom...
Também não sei o que vocês estavam à espera depois das cenas patéticas de Seguro no Congresso do PS e de Passos Coelho na Concertação Social. Prometo tomar um Xanax para ver se digo coisa com coisa, caramba também não sou de ferro.

domingo, 11 de setembro de 2011

A propósito do décimo aniversário dos atentados de 11 de Setembro de 2001

Assinala-se este ano o décimo aniversário dos atentados de 11 de Setembro contra as torres do World Trade Center, que vitimaram milhares de cidadãos norte-americanos e que o PCP condenou de forma inequívoca, desde a primeira hora.
No momento em que passam dez anos sobre este terrível crime contra o povo dos EUA a realidade demonstra claramente que - tal como o PCP preveniu – os atentados de 11 de Setembro foram aproveitados pelo imperialismo e em especial pelo imperialismo norte-americano para desencadear uma escalada de guerra e agressão visando impor a sua dominação planetária, controlar os principais recursos energéticos mundiais e favorecer os interesses e lucros do grande capital.
A pretexto da "luta contra o terrorismo" e da "segurança dos EUA" foram invadidos e ocupados países soberanos, provocando centenas de milhar de mortos, milhões de refugiados e desastres humanitários e civilizacionais de trágica envergadura. Foram criados campos de concentração e uma rede mundial de prisões secretas, à margem dos sistemas judiciais e legais. Foi justificada e promovida a tortura. Promoveu-se o racismo e a intolerância, favorecendo a ascensão de forças de extrema-direita e xenófobas. A coberto da "luta contra o terrorismo" desenvolveram-se teorias racistas de que é particular exemplo a teoria do "choque de civilizações" com as consequências que hoje estão à vista.
A paranóia securitária desencadeada a pretexto dos atentados do 11 de Setembro de 2001 serviu ainda para a profusão da falsa dicotomia segurança/liberdade com a adopção de legislações restringindo e prevendo a suspensão de direitos democráticos. Sustentou o aprofundamento da militarização das relações internacionais, de que são particulares expressões o aumento exponencial dos orçamentos militares; o desenvolvimento de novas e mais poderosas armas, inclusive de destruição massiva; a instrumentalização do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o desrespeito pelo Direito Internacional e pela Carta da ONU; o reforço da NATO como organização global ofensiva, braço armado das principais potências imperialistas e ainda a acelerada e acentuada militarização da União Europeia, afirmando-a cada vez mais como uma potência imperialista, intervencionista e com ambições de domínio global.
Também Portugal teve uma participação activa na ofensiva do imperialismo desencadeada a pretexto dos atentados do 11 de Setembro. Nos últimos dez anos a tendência de total submissão aos interesses e ditames da NATO aprofundou-se num claro desrespeito pela Constituição da República Portuguesa, nomeadamente do seu artigo 7. A Cimeira da Guerra nos Açores, a participação de forças militares e policiais portuguesas na ocupação do Iraque e do Afeganistão, o envolvimento do Governo português no crime que constituíram os chamados "voos da CIA", a realização da cimeira da NATO em Portugal que adoptou um “novo conceito estratégico” ainda mais agressivo, o apoio do Governo português ao crime que está a ser cometido contra o povo Líbio, são, entre outros possíveis, exemplos elucidativos de uma política externa portuguesa contrária aos interesses nacionais e aos valores da paz, amizade e cooperação entre os povos.
Como o PCP preveniu, a mudança de Presidência nos EUA não alterou a realidade que se acentuou no pós 11 de Setembro, pese embora a mudança de linguagem e uma mais estreita associação das potências imperialistas europeias. As guerras no Iraque e Afeganistão prosseguem com a Administração Obama, tendo mesmo este último país sido palco duma escalada assinalável das tropas de ocupação. A barbárie imperialista voltou-se agora contra a Líbia, e ameaça a Síria, o Irão, a Argélia e outros países. O campo de concentração de Guantanamo continua operacional. O Patriot Act e outras legislações de excepção profundamente anti-democráticas, também. Acentuam-se as manobras de agressão, subversão e terrorismo de Estado por parte das potências imperialistas.
É particularmente chocante e revelador da sua natureza criminosa que no décimo aniversário do 11 de Setembro, o imperialismo esteja de novo a promover, na Líbia e outros países, terroristas ligados ao fundamentalismo islâmico, incluindo de grupos que constam da lista de organizações terroristas elaborada pelo próprio Departamento de Estado dos EUA. O terrorismo não deixa de o ser, só por ser patrocinado pelos Estados imperialistas.
A agressividade e belicismo imperialistas caminham de mãos dadas com a sua violenta ofensiva contra as condições de vida e de trabalho dos povos, de que a ofensiva dos centros de comando da União Europeia contra os povos da UE é expressivo exemplo. O PCP alerta para os enormes perigos para a paz mundial resultantes da agressividade dum imperialismo em profunda crise económica - da qual não sabe como sair - e em declínio relativo face a novas potências emergentes.
O PCP considera que é urgente travar a escalada de guerra e violência, que ameaça arrastar a Humanidade para novas catástrofes. No momento em que se assinalam os 10 anos de um terrível crime cujos cabais esclarecimentos, reais contornos e responsabilidades continuam por esclarecer, o PCP apela aos trabalhadores e ao povo português a redobrar a sua luta pela paz, contra o imperialismo e as suas guerras, agressões e ingerências, contra a NATO, contra todas as formas de terrorismo, incluindo o terrorismo de Estado.

PCP

terça-feira, 6 de setembro de 2011

FESTA DO AVANTE!: Um olhar de Miguel Esteves Cardoso

"Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante! Estas são as mais populares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que é um grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político; que hoje é só comes e bebes.
Já é a segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisas e que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdade verdadinha é que a Festa do Avante faz um bocadinho de medo.
O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.
Porque é que a Festa do Avante faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem-dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?
É sempre desconfortável estar rodeado por pessoas com ideias contrárias às nossas. Mas quando a multidão é gigante e a ideia é contrária é só uma só – então, muito francamente, é aterrador.
Até por uma questão de respeito, o Partido Comunista Português merece que se tenha medo dele. Tratá-lo como uma relíquia engraçada do século XX é uma desconsideração e um perigo. Mal por mal, mais vale acreditar que comem criancinhas ao pequeno-almoço.
BEM SEI QUE A condescendência é uma arma e que fica bem elogiar os comunistas como fiéis aos princípios e tocantemente inamovíveis, coitadinhos. É esta a maneira mais fácil de fingir que não existem e de esperar, com toda a estupidez, que, se os ignoramos, acabarão por se ir embora.
As festas do Avante, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo, são magníficas. É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só no sentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que é trabalhar de graça.
A condescendência leva-nos a alvitrar que “assim também eu” e que as festas dos outros partidos também seriam boas caso estivessem um ano inteiro a prepará-las. Está bem, está: nem assim iam lá. Porque não basta trabalhar: também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. É preciso ter a certeza que se vai mudá-lo.
Em vez de usar, para explicar tudo, o velho chavão da “ capacidade de organização” do velho PCP, temos é que perguntar porque é que se dão ao trabalho de se organizarem. Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes dará razão: acreditam que são a razão da própria história. É por isso que não podem parar; que aguentam todas as derrotas e todos os revezes; que são dotados de uma avassaladora e paradoxalmente energética paciência; porque acreditam que são a última barreira entre a civilização e a selvajaria. E talvez sejam. Basta completar a frase "Se não fossem os comunistas, hoje não haveria..." e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistas meramente "burguesas " que lhe devemos, como o direito à greve e à liberdade de expressão.
É por isso que não se sentem “derrotados”. O desaparecimento da URSS, por exemplo, pode ter sido chato mas, na amplitude do panorama marxista-leninista, foi apenas um contratempo. Mas não é só por isso que a Festa do Avante faz medo. Também porque é convincente. Os comunas não só sabem divertir-se como são mestres, como nunca vi, do à-vontade. Todos fazem o que lhes apetece, sem complexos nem receios de qualquer espécie. Até o show off é mínimo e saudável.
Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nem proximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém. As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas e animadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoa sentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante é automático.
Dava-nos jeito que se vestissem todos da mesma maneira e dissessem e fizessem as mesmas coisas - paciência. Dava-nos jeito que estivessem eufóricos; tragicamente iluminados pela inevitabilidade do comunismo - mas não estão. Estão é fartos do capitalismo - e um bocadinho zangados.
Não há psicologias de multidões para ninguém: são mais que muitos, mas cada um está na sua. Isto é muito importante. Ninguém ali está a ser levado ou foi trazido ou está só por estar. Nada é forçado. Não há chamarizes nem compulsões. Vale tudo até o aborrecimento. Ou seja: é o contrário do que se pensa quando se pensa num comício ou numa festa obrigatória. Muito menos comunista.
Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias. Convinha-nos pensar que as comunas eram um rebanho mas a parecença é mais com um jardim zoológico inteiro. Ali uma zebra; em frente um leão e um flamingo; aqui ao lado uma manada de guardas a dormir na relva.
QUANDO SE CHEGA à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete. Nos tempos que correm, vale ouro. Há milhares de pessoas a entrar e a sair mas não há bichas. A circulação é perfeitamente sanguínea. É muito bom quando não desconfiamos de nós. Mesmo assim tenho de confessar, como reaccionário que sou, que me passou pela cabeça que a razão de tanta preocupação talvez fosse a probabilidade de todos os potenciais bombistas já estarem lá dentro, nos pavilhões internacionais, a beber copos uns com os outros e a divertirem-se.
A Festa do Avante é sempre maior do que se pensa. Está muito bem arrumada ao ponto de permitir deambulações e descobertas alegres. Ao admirar a grandiosidade das avenidas e dos quarteirões de restaurantes, representando o país inteiro e os PALOP, é difícil não pensar numa versão democrática da Exposição do Mundo Português, expurgada de pompa e de artifício. E de salazarismo, claro.
Assim se chega a outro preconceito conveniente. Dava-nos jeito que a festa do PCP fosse partidária, sectária e ideologicamente estrangeirada. Na verdade, não podia ser mais portuguesa e saudavelmente nacionalista.
O desaparecimento da União Soviética foi, deste ponto de vista, particularmente infeliz por ter eliminado a potência cujas ordens eram cegamente obedecidas pelo PCP. Sem a orientação e o financiamento de Moscovo, o PCP deveria ter também fenecido e finado. Mas não: ei-lo. Grande chatice.
Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! Que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez.
A teimosia comunista é culturalmente valiosa porque é a nossa própria cultura que é teimosa. A diferença às modas e às tendências dos comunistas não é uma atitude: é um dos resultados daquela persistência dos nossos hábitos. Não é uma defesa ideológica: é uma prática que reforça e eterniza só por ser praticada. (Fiquemos por aqui que já estou a escrever à comunista).
A Exposição do Mundo Português era “para inglês ver”, mas a Festa do Avante! Em muitos aspectos importantes, parece mesmo inglesa. Para mais, inglesa no sentido irreal. As bichas, direitinhas e céleres, não podiam ser menos portuguesas. Nem tão-pouco a maneira como cada pessoa limpa a mesa antes de se levantar, deixando-a impecável.
As brigadas de limpeza por sua vez, estão sempre a passar, recolhendo e substituindo os sacos do lixo. Para uma festa daquele tamanho, com tanta gente a divertir-se, a sujidade é quase nenhuma. É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.
Se a Festa do Avante dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau. A coisa está tão bem organizada que não se vê. Passa-se o mesmo com os seguranças - atentos mas invisíveis e deslizantes, sem interromper nem intimidar uma mosca.
O preconceito anticomunista dá-os como disciplinados e regimentados – se calhar, estamos a confundi-los com a Mocidade portuguesa. Não são nada disso. A Festa funciona para que eles não tenham de funcionar. Ao contrário de tantos festivais apolíticos, não há pressa; a ansiedade da diversão; o cumprimento de rotinas obrigatórias; a preocupação com a aparência. Há até, sem se sentir ameaçado por tudo o que se passa à volta, um saudável tédio, de piquenique depois de uma barrigada, à espera da ocupação do sono.
Quando se fala na capacidade de “mobilização” do PCP pretende-se criar a impressão de que os militantes são autómatos que acorrem a cada toque de sineta. Como falsa noção, é até das mais tranquilizadoras. Para os partidos menos mobilizadores, diante do fiasco das suas festas, consola pensar que os comunistas foram submetidos a uma lavagem ao cérebro. Nem vale a pena indagar acerca da marca do champô.
Enquanto os outros partidos puxam dos bolsos para oferecer concertos de borla, a que assistem apenas familiares e transeuntes, a Festa do avante enche-se de entusiásticos pagadores de bilhetes. E porquê? Porque é a festa de todos eles. Eles não só querem lá estar como gostam de lá estar. Não há a distinção entre “nós” dirigentes e “eles” militantes, que impera nos outros partidos. Há um tu-cá-tu-lá quase de festa de finalistas.
É UM ALÍVIO A FALTA de entusiasmo fabricado – e, num sentido geral de esforço. Não há consensos propostos ou unanimidades às quais aderir. Uns queixam-se de que já não é o que era e que dantes era melhor; outros que nunca foi tão bom.
É claro que nada disto será novidade para quem lá vai. Parece óbvio. Mas para quem gosta de dar uma sacudidela aos preconceitos anticomunista é um exercício de higiene mental.
Por muito que custe dize-lo, o preconceito - base, dos mais ligeiros snobismos e sectarismos ao mais feroz racismo, anda sempre à volta da noção de que “eles não são como nós”. É muito conveniente esta separação. Ma é tão ténue que basta uma pequena aproximação para perceber, de repente, que “afinal eles são como nós”. Uma vez passada a tristeza pelo desaparecimento da justificação da nossa superioridade (e a vergonha por ter sido tão simples), sente-se de novo respeito pela cabeça de cada um.
Espero que não se ofendam os sportinguistas e comunistas quando eu disser que estar na Festa do Avante! Foi como assistir à festa de rua quando o Sporting ganhou o campeonato. Até aí eu tinha a ideia, como sábio benfiquista, que os sportinguistas eram uma minúscula agremiação de queques em que um dos requisitos fundamentais era não gostar muito de futebol. Quando vi as multidões de sportinguistas a festejar – de todas as classes, cores e qualidades de camisolas -, fiquei tão espantado que ainda levei uns minutos a ficar profundamente deprimido.
POR OUTRO LADO, quando se vê que os comunistas não fazem o favor de corresponder à conveniência instantaneamente arrumável das nossas expectativas – nem o PCP é o IKEA -, a primeira reacção é de canseira. Como quem diz:”Que chatice – não só não são iguais ao que eu pensava como são todos diferentes. Vou ter de avaliá-los um a um. Estou tramado. Nunca mais saiu daqui.”
Nem tão pouco há a consolação ilusória do pick and choose.
...É uma sólida tradição dizer que temos de aprender com os comunistas... Infelizmente é impossível. Ser-se comunista é uma coisa inteira e não se pode estar a partir aos bocados. A força dos comunistas não é o sonho nem a saudade: é o dia-a-dia; é o trabalho; é o ir fazendo; e resistindo, nas festas como nas lutas.
Há uma frase do Jerónimo de Sousa no comício de encerramento que diz tudo. A propósito de Cuba (que não está a atravessar um período particularmente feliz), diz que “resistir já é vencer”. É verdade – sobretudo se dermos a devida importância ao “já”. Aquele “já” é o contrário da pressa, mas é também “agora”.
Na Festa do Avante! Não se vêem comunistas desiludidos ou frustrados. Nem tão pouco delirantemente esperançosos. A verdade é que se sente a consciência de que as coisas, por muito más que estejam, poderiam estar piores. Se não fossem os comunistas: eles. Há um contentamento que é próprio dos resistentes. Dos que existem apesar de a maioria os considerar ultrapassados, anacrónicos, extintos. Há um prazer na teimosia; em ser como se é. Para mais, a embirração dos comunistas, comparada com as dos outros partidos, é clássica e imbatível: a pobreza. De Portugal e de metade do mundo, num Portugal e num mundo onde uns poucos têm muito mais do que alguma vez poderiam precisar.
NA FESTA DO AVANTE! Sente-se a satisfação de chatear. O PCP chateia. Os sindicatos chateiam. A dimensão e o êxito da Festa chateiam. Põem em causa as desculpas correntes da apatia. Do ensimesmamento online, do relativismo ou niilismo ideológico. Chatear é uma forma especialmente eficaz de resistir. Pode ser miudinho – mas, sendo constante, faz a diferença.
Resistir é já vencer. A Festa do Avante é uma vitória anualmente renovada e ampliada dessa resistência. ... Verdade se diga, já não é sem dificuldade que resisto. Quando se despe um preconceito, o que é que se veste em vez dele? Resta-me apenas a independência de espírito para exprimir a única reacção inteligente a mais uma Festa do Avante: dar os parabéns a quem a fez e mais outros a quem lá esteve. Isto é, no caso pouco provável de não serem as mesmíssimas pessoas.
Parabéns! E, para mais, pouquíssimo contrariado.” (E só com um bocadinho de nada com medo)."

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Miguel Esteves Cardoso, in "SÁBADO", 13 de Setembro de 2007