BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

domingo, 23 de outubro de 2011

O contador a zero

Jerónimo de Sousa, o Secretário-geral do PCP, tem uma expressão curiosa que define muito bem as intenções de quem se quer sempre alhear de responsabilidades passadas. Segundo ele, há muitos que gostariam de “pôr o contador a zero”. O seu “pôr os contadores a zero” define uma atitude de quem quer eliminar o passado, iludir compromissos, promessas, razões.

O PSD gostaria de pôr os contadores a zero. O PSD gostaria de não ter assinado compromissos ou deixado passar orçamentos, de não ter estado nas Administrações de Bancos Públicos e Privados, de Câmaras Municipais, de empresas públicas de Transportes ou de Comunicação Social, de Governos Regionais, de off shores e negociatas, de parcerias público-privadas. O PSD gostaria de não ter aí estado (ou melhor, sejamos claros, gostava que não se soubesse). O PSD gostaria que ninguém soubesse quem era Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira Costa, Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Agostinho Branquinho, Ferreira do Amaral, Alberto João Jardim e tantos outros. Mesmo Cavaco para o PSD não passa de um esfíngico estorvo, um zero. O que não é novidade.

O PS bem gostaria de pôr os contadores a zero. O PS gostaria de não ter assinado compromissos ou orçamentos, de não ter estado nas Administrações de Bancos Públicos e Privados, de Câmaras Municipais, de empresas públicas de Transportes ou de Comunicação Social, de off shores e negociatas, de concessões e adjudicações de auto-estradas, de parcerias público-privadas, de contrato de exploração de terminal de contentores. O PS gostaria de não ter aí estado (ou melhor, gostava que não se soubesse). O PS gostaria que ninguém soubesse quem era José Sócrates, Armando Vara, Rui Pedro Soares, Vítor Constâncio, José Lelo, Vitalino Canas, Paulo Campos e todos os outros. Com a mudança de líder, o PS esperava pôr os contadores a zero. Com Zorrinho e Braga tudo lhe pareceria mais Seguro.

O CDS gostaria de pôr os contadores a zero. O CDS gostaria de não ter assinado compromissos ou orçamentos, de não ter estado nas Administrações de Bancos Públicos e Privados, de empresas públicas de Transportes ou de Comunicação Social, de off shores e negociatas, de submarinos, de abate de sobreiros, de feiras e esquadras da polícia. O CDS gostaria de não ter aí estado (ou melhor, gostava que não se soubesse). O CDS gostaria que ninguém soubesse quem era Paulo Portas, Abel Figueiredo, Luís Nobre Guedes e todos os outros. Um CDS partido-sombra, procurando passar incólume entre as gotas de água de uma grande borrasca.

O “patriótico” grupo das empresas do PSI 20 – que engloba os principais grupos económicos e financeiros, salvo um caso – e que sedia na Holanda e nos paraísos fiscais as empresas gestoras das suas participações sociais e outras, para não pagar impostos, gostava de pôr esta informação a zero, com ou sem contador. Os bancos europeus, públicos e privados, gostariam que os Estados os recapitalizassem com 100.000 milhões de euros, para pôr os contadores a zero. Com os contadores a zero, estão os bolsos dos portugueses, a economia, a produção, o comércio, as autarquias. Depois do Roubo (o do passado, do presente, e do futuro), até o contador nos querem levar. Para evitar maus pensamentos.

Sem comentários:

Enviar um comentário