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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Trabalho - atraso civilizacional e social de séculos

O governo não deve ter noção da «gravidade destas medidas», diz o economista João Ferreira do Amaral, a propósito do aumento de horas de trabalho sem remuneração, pois «há séculos que não existia trabalho obrigatório e não remunerado».
Achar que o governo não tem “noção” do que está afazer é, evidentemente, um acto de “boa vontade” do economista. Na verdade, o governo Passos/Portas não só tem toda a noção, como vai numa escalada de desvergonha nos seus ataques aos mais elementares direitos de quem trabalha... ou já trabalhou.
O governo abriu a porta ao aumento de meia hora de trabalho por dia... e o patronato fez de conta que não gostava muito da ideia... por ser pouco.
O governo abriu ainda um pouco mais a porta, acenando com a criação de um “banco de horas” que poderão ser acumuladas, sendo o trabalhador obrigado a aceitar trabalhar quando o patrão quiser... e o patronato já não esconde a satisfação.
O governo escancara as portas para a possibilidade de os trabalhadores virem a ter as férias reduzidas, feriados cortados e terem que cumprir o tal “banco de horas” aos sábados, sem que os patrões sejam, sequer, obrigados a comunicar a sua decisão a quem quer que seja e os cabrões, perdão... patrões, já dão saltos de contentes.
Cinicamente, o governo promete incentivos em dinheiro aos patrões que criem novos postos de trabalho. Quem é que quer criar postos de trabalho, se pode dispor dos trabalhadores que já tem, para trabalharem sempre que o patrão quiser... e sem ter que lhes pagar um cêntimo?
Para quando começar a pagar, não em dinheiro, mas em senhas com que os trabalhadores possam fazer compras apenas em lojas dos patrões para quem já trabalham?
Para quando, acabar de vez com essa maçada dos ordenados, arranjar umas barraquitas para os trabalhadores viverem junto às empresas, onde passarão a trabalhar apenas a troco de comida suficiente para sobreviverem... se forem saudáveis?
Para quando a coragem de acabarem com a mania de dar nomes esquisitos e complicados às empresas... passando a chamar-lhes apenas roças?
Salazar não teve a coragem de obrigar os portugueses a trabalhar sem remuneração. Felizmente, estes bandalhos não vão estar tanto tempo no poder!


O Cantigueiro

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