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terça-feira, 22 de maio de 2012

Paredes e o futuro II


Na campanha autárquica eleitoral anterior, a equipa do PSD liderada por Celso Ferreira prometeu “grandes novidades” para Paredes: o PlanIT Valley e a reconversão das “velhinhas” escolas primárias em centros de dia, casas da juventude e da cultura. Eram certamente duas promessas fortes. Vejamos a primeira, a extraordinária Cidade Inteligente.
Um investidor inglês surgira em Paredes com uma ideia, uma equipa, uma necessidade de parceria. Prometia um investimento de 10 mil milhões de euros, de 2009 a 2013, uma relação descentralizada com 12.000 parceiros públicos e privados (das áreas das telecomunicações, da distribuição, do ensino superior) que criariam 20.000 postos de trabalho, qualificados e não qualificados. Houve quem falasse no euromilhões tecnológico, na solidez das apresentações, na confiança de tais projectos que, realce-se, representaria um investimento 153 vezes o do estádio do Dragão ou 60 vezes o orçamento do Ministério da Cultura. Em 2007 a Câmara já tinha anunciado a criação de um cluster ligado às tecnologias para a indústria automóvel.
A cidade inteligente do senhor Lewis e do Dr. Celso crescia aceleradamente no imaginário paredense, desenvolvia-se em briefings e cocktails em edifícios camarários e em quintas, concretizava-se em reuniões com autarcas PS e com o secretário de Estado Zorrinho, expandia-se em louvores, expectativas e textos encomiásticos em jornais e revistas nacionais e estrangeiros, avançava no terreno com medições, avaliações, expropriações, promessas de compra e venda. Tudo silenciosamente, como uma mancha a crescer. A equipa reunia, inicialmente na Maia, depois num hotel em Paredes. Procurava-se o estatuto de Projecto PIN – Projecto de Potencial Interesse Nacional. De Paredes, interlocutava uma Agência Para o Desenvolvimento de Paredes, estrutura com muita ambição e muito resultado liquido negativo.
Em publicação gratuita da Câmara Municipal (Entre Paredes, de Agosto de 2010) o PlanIT Valley era explicado de A a Z, com cronograma de fases, promessas de postos de trabalho. Passos Coelho, candidato, em 12 de Abril de 2011, tomou conhecimento do projecto e afirmou que era “uma plataforma alargada de multinacionais ligadas ao sector tecnológico”. Mudou o governo. Santos Pereira visita o Concelho, e perante nova investida dos promotores, deve ter torcido o nariz, como Zorrinho, ao sr. Lewis e ao Dr. Celso.
A cidade inteligente transformou-se na cidade criativa, de dez milhões de euros de investimento em design. O quartel-general “hoteleiro” foi desmontado, alguém certamente pagou as despesas da festa, alguém certamente pagou as intervenções no terreno, alguém certamente pagou honorários a colaboradores, alguém…
O tempo passa, hoje, amanhã. Sem uma explicação, a primeira cidade inteligente da Europa permanece nos privados papéis do sr. Lewis e do Dr. Celso. O edifício central da futura urbe teria uma forma oval, cor verde esmeralda. Que lindo! A cidade inteligente teria um pequeno aeródromo, para deslocações rápidas. Que bom! A PlanIT Valley permitia uma redução de 50% dos custos das habitações. Que útil!
O sr. Lewis e o Dr. Celso certamente deviam influenciar positivamente Santos Pereira, Passos Coelho e outros, das vantagens da cidade inteligente e sustentável para Paredes. De contrário teremos uma fraude eleitoral, um abuso de confiança, um futuro a modos que…em maquete!

Cristiano Ribeiro

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