BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

terça-feira, 9 de outubro de 2012

CRONOLOGIA DE UM SEQUESTRO (I)

21h15 de 4.ª feira dia 3 de Outubro

Frente ao edifício da Câmara Municipal de Paredes, populares com cartazes preparavam-se para presenciar uma sessão da Assembleia Municipal. Alguma tensão no ar. Cheguei acompanhado de Álvaro Pinto. Cá fora já tínhamos ouvido a tradicional lengalenga do PSD cordato (“sou contra, mas”)
A sala tem comunicação social em peso. Talvez corra bem, há testemunhas e houve um apelo dramático ao bom senso por mim efectuado.

Anuncio ao Presidente da Assembleia Municipal que quero apresentar um requerimento para propor a supressão do ponto 11- Reorganização administrativa – Discussão e apresentação de propostas na Assembleia Municipal. Responde-me assinalando o momento: depois da leitura do expediente e anteriormente ao período de antes da ordem do dia. Aqui chegados, o Presidente da Assembleia, “distraído”, não assinala a minha pretensão como líder da CDU. Levanto-me e interpelo o Presidente que diz em tom altaneiro que o senhor deputado da CDU “tem qualquer coisa para dizer”. Retroco-lhe que “qualquer coisa para dizer” é linguagem para fora da Assembleia e que na Assembleia apresento requerimentos, de forma regulamentar. Está o caldo entornado. Feita a leitura a frete do requerimento, escrita á mão, procedeu-se á votação. E que argumentava o requerimento? “…que não tinha havido uma reflexão necessária, nem proposta anterior, sobre a supressão de freguesias e que era inoportuna a sua discussão e votação em Assembleia Ordinária a altas horas da noite e após outros pontos certamente relevantes, mas de importância desigual. Apontava-se para uma Sessão Extraordinária. O rolo compressor da bancada do PSD inviabilizou a aceitação do requerimento. O sinal estava dado, a orquestra estava afinada. Percebia-se que havia um guião e mesmo aspectos não previstos, como a presença de manifestantes, eram orientados via telemóvel do Presidente da Câmara.
Seguidamente o PS apresentou uma proposta que colocava o ponto 11. no inicio da Ordem de Trabalhos. O mesmo rolo compressor do PSD, sem justificação necessária, o posso quero e mando, ditou a sorte da proposta PS. Percebeu-se que íamos assistir a um sequestro, uma pressão inaudita, avessa a diálogos, a sensibilidade, a cortesias. O público presente, interessado na decisão, pareceu anestesiado e chocado com tanta arrogância. Também ele ia penar por querer assistir e talvez ingenuamente sonhar participar da decisão. Os “coronéis” do PSD estavam atentos. Granja da Fonseca, Celso Ferreira, Pedro Mendes, José Manuel Outeiro e Luciano Gomes, de rosto contraído, dirigiam a encenação. Havia umas personalidades menores com papel previsto no sequestro.

2h30 da madrugada de 5.ª feira dia 4 de Outubro
Chegados ao ponto 11., depois de uma digressão intensa pelo Orçamento, relatório de actividades, derrama, IMI, arte “pacóvia”, endividamentos e investimentos a custo zero, preparávamo-nos para a “surpresa” do PSD. A galeria, mais desfalcada, parecia contudo mais motivada. Afinal era um momento histórico, onde o bom senso e a razão poderiam resgatar as bancadas do PS e da CDU. O PSD apresentou á mesa uma proposta, o PS outra, a CDU lembrava que a Reforma Administrativa de Relvas já tinha sido chumbada na Assembleia Municipal por unanimidade. 

A leitura da proposta do PSD feita pela secretária da mesa durou …35 minutos. Foram 31 páginas e dois anexos-fotocópias, lidas às 3 horas da manhã e posteriormente fotocopiadas, um exemplar por cada grupo politico. Um massacre total. E premeditado. Arrogantemente. Julguei que já estaríamos na “suspensão da democracia” da Manuela Ferreira Leite. Mas afinal estávamos no terreno privilegiado dos “coronéis” do PSD de Paredes. Expostos ao gozo, á prepotência, ao descontrolo de “loucos” impunes. Continuo na próxima.
CR 

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