BLOGUE DA ORGANIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LORDELO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

sábado, 27 de outubro de 2012

Vereadora do PSD entrega pelouros por “falta de autonomia” e “ingerência”

"A partir de hoje deixo de ser vereadora da Câmara Municipal de Paredes com pelouros em regime de permanência". A decisão foi avançada por Raquel Moreira da Silva, vereadora eleita pelo PSD, em conferência de imprensa, na passada terça-feira, e justificada com o "desconforto" e a "frustração" que o desempenho das funções lhe trouxe nos últimos anos "em consequência da falta de autonomia, ingerência nos pelouros e impossibilidade de tomada de decisão, entre outros.

A autarca, entregou esta segunda-feira uma carta ao presidente da Câmara, Celso Ferreira, a informar que deixará de tutelar os pelouros do Ambiente e Oficinas, Feiras e Protecção Civil, que lhe foram atribuídos por deliberação do executivo municipal, a 2 de Novembro de 2009. Raquel Moreira da Silva mantém, ainda assim, a presença na Câmara, como vereadora em regime de não permanência, cumprindo o mandato até 2013 "por entender que é a melhor forma de defender os interesses dos paredenses", explicou
À pergunta "aceitaria encabeçar uma lista de outro partido?", a vereadora não respondeu não: "Equacionaria a proposta, para defender os paredenses, mas não é nada que esteja nos meus horizontes".

Caminho da vereadora já não é o mesmo de Celso Ferreira
A decisão foi tomada depois de um longo período de reflexão e com a "maior convicção e responsabilidade", garantiu Raquel Moreira da Silva. Depois de uma caminhada autárquica de 15 anos, os últimos sete com Celso Ferreira na presidência, a vereadora resolveu abandonar as pastas que tutelava, alegando falta de autonomia e impossibilidade de tomar decisões, assim como intromissões nos seus pelouros. "Sempre disse que enquanto o meu caminho fosse o dele [Celso Ferreira] estava com ele, a partir do momento em que o meu caminho deixasse de ser o dele ele seria o primeiro a saber, e isso aconteceu na sexta-feira", declarou. A autarca falou ainda em "dúvidas relativas à estratégia municipal e decisões políticas" do executivo liderado por Celso Ferreira, que não a motivam em continuar a exercer funções de vereadora a tempo inteiro.
Questionada, Raquel Moreira da Silva não quis concretizar de que forma lhe foi retirada autonomia, dizendo que as situações se foram acumulando e que chegou ao seu limite. "Durante os últimos três anos nunca pude decidir e fazer. As minhas tomadas de decisão eram muitas vezes desautorizadas e nem sempre pelo senhor presidente, mas por ingerência de pessoas que o rodeiam", adiantou. "Ao longo dos sete anos foi aumentando a distância entre presidente e vereadora e fui-lhe dando conta que não concordava com muitas das decisões e a estratégia escolhida", acrescentou a vereadora. Exemplo disso foi a reunião de Câmara na qual foi votado o orçamento para o próximo ano, em que a autarca não marcou presença por discordar. "O orçamento deve ser negociado e nos últimos seis anos pediram aos vereadores alguns dados para o elaborar. Este ano isso não foi solicitado a nenhum dos vereadores", sustentou. Depois houve outros projectos em que os vereadores que acompanham Celso Ferreira não foram "tidos nem achados", como o PlanIT Valley e o Pólo Criativo", argumentou.

"Disponível para trabalhar" por Paredes e na causa pública
Apesar de "triste" o gosto pela política e o respeito por quem depositou nela o voto, levam Raquel Moreira da Silva a cumprir o mandato, ainda que sem pelouros. A autarca diz que vai agora dedicar-se à agricultura e regressar às salas de aulas, mas salvaguarda que o seu caminho poderá não passar apenas por aí. "Sou uma pessoa que se dedica à causa pública. Gosto do que faço. Estou completamente disponível para trabalhar, viver e zelar pelos paredenses e pela terra que me viu nascer", afiançou.
Caso fosse convidada a encabeçar uma lista de outro partido no concelho, Raquel Moreira da Silva afirmou que equacionaria a ideia, "se o projecto fosse interessante para defender o povo de Paredes", mas assegurou que, para já, não havia "acordos" com ninguém. "Incomoda-me muito termos 24 freguesias e não serem tratadas do mesmo modo e com a mesma justiça. É preciso defender aqueles que passam mais mal. E quando digo isto falo de menos estátuas e mais pão, menos estátuas e mais leite…", criticou a vereadora. "Arrepende-se de ter apoiado Celso Ferreira há oito anos?", questionamos. "Naquela altura era aquela a pessoa a apoiar. Pensei eu e os paredenses", respondeu. 

O Verdadeiro Olhar, 26.10.2012

Sem comentários:

Enviar um comentário